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Tudo sobre câncer de próstata

Publicado em 17 de Mar de 2015 por Clara Ribeiro | Comente!

Homens que se exercitam com maior intensidade parecem reduzir a severidade da doença, reduzindo o seu retorno. Veja como a doença aparece e quais são chances de cura



Texto: Ivonete Lucírio / Foto: Shutterstock / Adaptação: Clara Ribeiro

O diagnóstico precoce é o principal aliado da cura

Foto: Shutterstock

Você é homem? Tem mais de 65 anos? Então corre o risco de desenvolver câncer de próstata. É a realidade. Mas isso não pode ser visto como uma tragédia, as chances de cura são imensas. A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz que tem a função de produzir a maior parte do líquido que compõe o esperma. Por uma série de fatores aparece o câncer, que está intimamente relacionado à idade. Aos 60 anos, a possibilidade é de 13%; aos 80 anos, de 45% e aos 100 anos é de 100%. Mas é muito provável que, em muitos desses homens, a doença não progrida a tempo de causar algum mal. Ainda assim, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 13.129 pessoas morreram por conta dele em 2011 e as estimativas para 2014 eram bem piores: 68.800.

No entanto, se diagnosticado precocemente, as chances de cura são de mais de 90%. O diagnóstico é feito de duas formas, que devem se somar. “Uma não substitui a outra”, diz o urologista Sandro Salim Lana, diretor do Cetus Hospital (Belo Horizonte-MG). O primeiro é o temido toque retal, quando o médico insere o dedo no ânus do paciente para sentir a glândula. O segundo é exame de sangue, que mede a quantidade de um hormônico chamado PSA. Se estiver muito elevado, é um forte indicativo da doença.

A saída da cirurgia

Uma vez identificada a doença, a forma mais indicada de tratamento é a cirurgia, que hoje é bem pouco invasiva. A maior parte é realizada por laparoscopia. “Hoje já temos também a cirurgia robótica, que facilita a extração do tumor e a recuperação do paciente”, diz o oncologista Oren Smaletz, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP). Muitas vezes o tratamento recomendado é a radioterapia, que pode ser associada à cirurgia. “O aprimoramento da técnica de radioterapia guiada por meio de imagens melhora muito os resultados”, completa Smaletz. Em casos mais avançados, o tratamento é associado também a medicamentos.

O principal medo dos homens é desenvolver a incontinência urinária ou a dificuldade para ter ereção depois da cirurgia. Bem pertinho da próstata passam dois nervos fundamentais para manter essas funções. Os nervos podem ser lesados ou por imperícia do médico ou porque o tumor está encostado neles. Pode realmente acontecer, mas na maior parte dos casos também pode ser evitado.

Aliás, o ideal mesmo é evitar que o câncer apareça. Somente 20% da doença são determinados por fatores genéticos. Os outros 80% têm a ver com os hábitos. “A prática de exercícios físicos, uso moderado de alimentos gordurosos e evitar a obesidade reduzem muito o risco”, diz o urologista Lana.

 

Dá para prevenir

Exercícios aeróbicos, são eficientes segundo uma pesquisa publicada pela revista Cancer. De acordo com ela, homens que praticam exercícios de moderados a intensos apresentam 53% menos chance de desenvolver a doença do que os sedentários. E, no caso de a doença já estar instalada, as chances são 13% menores de que atinja o grau mais severo. Outro estudo, apresentado durante a AACR ProstateCancer Foundation Conference (2014), trouxe uma possível explicação para essa proteção. Homens que se exercitam com maior intensidade apresentam vasos sanguíneos mais regulares irrigando o tumor, se comparados com homens sedentários ou que fazem apenas exercícios leves. Isso parece diminuir a severidade da doença, reduzindo ainda a chance de aparecer pela segunda vez.

Como disse Lana, a alimentação é outro fator fundamental. “O ideal é incluir no cardápio alimentos com selênio (castanha-do-pará e salmão); ricos em ômega-3 (abacate) e os vegetais”, diz a nutricionista funcional Natália Colombo (SP). Merece destaque o tomate, rico em licopeno, um potente antioxidante.

O papel protetor é conhecido, mas várias pesquisas estão avalizando suas propriedades. Um artigo publicado pela revista Cancer Epidemiology Biomarkers and Prevention mostra o resultado de uma investigação comprovando que homens que comem mais de 10 porções de tomate (que pode ser substituído pelo suco, mas não pelo molho) por semana correm um risco 18% menor de desenvolver câncer de próstata. O licopeno está presente em outras frutas vermelhas, como a melancia. Veja a seguir um guia para prevenir o aparecimento da doença.

Os principais sintomas

No estágio inicial a doença costuma ser assintomática. Mas alguns indícios podem aparecer com o tempo:

• Jato de urina muito fraco ou reduzido.

• Necessidade frequente de urinar, especialmente à noite.

• A sensação de que sua bexiga não se esvaziou completamente.

• Dificuldade de interromper o ato de urinar.

• Urinar em gotas ou jatos sucessivos. Necessidade de fazer força para manter o jato de urina.

• Ligeira dor na parte baixa das costas ou na pélvis (exatamente abaixo dos testículos).

• Problemas em conseguir ou manter a ereção.

 

Nem tudo é câncer

Algumas vezes o aumento da glândula é benigno. Uma glândula normal pesa cerca de 25 g, e é do tamanho de uma noz. Com o passar dos anos, não é incomum ela aumentar de tamanho, podendo chegar a 250 g em situações mais extremas. São aumentos benignos, mas isso não significa que não seja um problema. A próstata acaba por pressionar a uretra e fica muito difícil urinar. A cirurgia é o procedimento mais indicado nesses casos e o resultado é satisfatório em mais de 95% dos casos.

Revista VivaSaúde - Edição 142