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Tudo sobre a enxaqueca na fase adulta e infância

Publicado em 07 de Sep de 2015 por Marília Alencar | Comente!

Desencadeada por diversos fatores, a dor de cabeça provocada pela enxaqueca deve ser monitorada pelo paciente e pelo médico para se chegar a um diagnóstico correto



Texto Jorge Olavo / Foto: Shutterstock 

Enxaqueca

(Foto: Shutterstock)

Parece que a minha cabeça vai explodir. A dor é tão incômoda que preciso parar o que estou fazendo. A claridade e o barulho intensificam ainda mais o meu desconforto.”Você se identifica com esse cenário? Além disso, sente enjoo e tem alteração na visão? Esse é o quadro clássico da enxaqueca, doença neurológica que costuma incomodar 15 a cada 100 brasileiros de forma recorrente. Ou seja: ela vem, passa e de repente está de volta. A enxaqueca é um dos tipos mais comuns de dor de cabeça primária, ou seja, ela não é motivada por outra doença.

 O principal indício é de que ela seja causada por fatores genéticos, entretanto, sua manifestação não segue um padrão, podendo ser desencadeada por diversos motivos em cada paciente. “As pessoas acham que o que desencadeia a dor para um vai ser igual para os outros, mas não é assim que acontece”, alerta a neurologista Ana Maria Ladeira Yamada (RJ), membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Fatores desencadeantes

Entre os fatores desencadeantes normalmente associados à enxaqueca estão o estresse, determinados hábitos alimentares e aspectos hormonais. Assim, algumas pessoas podem perceber que as crises começam após a ingestão de vinho tinto, laticínios ou frutas cítricas; outras podem associar a doença a fatores emocionais, como irritabilidade ou ansiedade.

Um terceiro grupo pode ainda constatar que a dor de cabeça tem início após um longo período de exposição ao sol ou vem em decorrência das alterações hormonais do ciclo menstrual. Não existe regra. A enxaqueca afeta pessoas de todas as idades e classes sociais, mas há maior incidência entre mulheres e costuma começar na juventude. É uma doença que, se não controlada, afeta a qualidade de vida do paciente.

Diagnóstico difícil

Contudo, ter o diagnóstico da doença não é algo tão simples como parece e pode levar meses ou até anos para se chegar a uma conclusão. Ana Maria explica que, para isso, é preciso avaliar o histórico do paciente e acompanhá-lo por um tempo. Exames podem ser solicitados ao longo do monitoramento para excluir a possibilidade de outras enfermidades.

“É importante haver uma boa relação entre médico e paciente já que se requer tempo para acompanhar a evolução da doença, fazer o diagnóstico e encontrar o tratamento mais adequado para cada paciente”, afirma Ana Maria. O profissional mais indicado para acompanhar a evolução da doença e apontar o tratamento mais adequado a cada paciente é o médico neurologista.

Tratamentos específicos

Basicamente, existem dois tipos de tratamento para a enxaqueca: a prevenção para evitar novas crises e o uso de analgésico para controlar a dor. Em raras situações, também pode ser indicado procedimento cirúrgico. Segundo o neurocirurgião Eduardo Barreto (RJ), o tratamento preventivo busca neutralizar os fatores que desencadeiam a doença. “Se verificamos que algum alimento tem relação diretacom a enxaqueca, indicamos uma dieta balanceada. A atividade física também é altamente recomendada para trazer melhorias ao organismo”, afirma o especialista.

Outras atividades e terapias também podem ser benéficas para quem sofre com enxaqueca. Entre elas estão a meditação, a ioga, a acupuntura, sessões de radiofrequência. Nesse caso, são medidas que auxiliam no controle do estresse.

Atenção aos sintomas das crianças

A enxaqueca não é uma doença exclusiva dos adultos. Ela pode incomodar meninos e meninas desde os 2 anos de idade. A neurologista Ana Maria explica que, durante a infância, a doença não costuma ser tão característica, surgindo e passando rapidamente. “É preciso observar a interferência da dor no comportamento da criança. Prestar atenção se ela está deixando de fazer o que gosta por causa da dor”, diz a especialista, mestre em Cefaleia na Infância. É importante os pais estarem atentos e procurarem um profissional para acompanhar o caso de perto.

Cuidado com automedicação

Recorrer a analgésicos com frequência – sem orientação médica – para controlar crises pode transformar a enxaqueca em dor de cabeça crônica e diária, tornando mais difícil o tratamento e a identificação de quando a crise começou. De acordo com a neurologista Ana Maria, o fácil acesso a analgésicos faz com que as pessoas façam uso exagerado desse tipo de fármaco. Ela explica que o uso abusivo de analgésicos costuma ser caracterizado quando o paciente ingere o medicamento pelo menos duas vezes na semana, durante três meses seguidos.

Revista VivaSaúde/ Edição 147



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