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Saiba quais são as doenças que impedem a gravidez

Publicado em 30 de Jul de 2013 por Leticia Maciel | Comente!

Descubra os problemas de saúde que impedem uma gestação e os tratamentos que a medicina oferece para quem quer realizar o sonho de ser mãe



Texto: Samantha Cerquetani/ Ilustração: Cynthia Gyuru/ Adaptação: Letícia Maciel

Alguns problemas de fertilidade em homens e mulheres podem ser tratados apenas com
medicamentos. Saiba o que fazer
Ilustração: Cynthia Gyuru

Durante muito tempo, os problemas de fertilidade eram atribuídos às mulheres. Mas atualmente, sabe-se que são vários os fatores que levam o casal a se deparar com a dificuldade de engravidar. Hoje a ciência comprova que a saúde dos homens também pode estar comprometida. Veja os principais problemas acometidos por ambos os sexos.

Homens

Segundo Jonathas Borges Soares, especialista em reprodução assistida do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), são várias as causas que podem levar à infertilidade masculina. Elas podem ser genéticas ou mesmo idiopáticas, ou seja, desconhecidas pela medicina. Alguns homens podem não conseguir ter uma relação sexual (impotência), e há casos de ausência total de espermatozoides no sêmen. As outras causas são:

Varicocele: é uma doença caracterizada pela dilatação das veias (varizes) testiculares. Ela gera um aumento crônico da temperatura testicular, acarretando um prejuízo na produção e na qualidade dos espermatozoides produzidos.

Alterações hormonais: a baixa produção de espermatozoides ou a produção inadequada de espermatozoides podem ocorrer devido a problemas hormonais (produzidos pela hipófise).

Tratamento quimioterápico: certos medicamentos que são usados no tratamento do câncer podem causar infertilidade. Anabolizantes diminuem a produção de espermatozoides.

Mulheres

A maioria das causas de infertilidade feminina é ocasionada por três grandes fatores: fator ovulatório (ovulação), fator tubário e endometriose. Causas principais:

Mioma: são tumores uterinos benignos, formados por tecido muscular, que ocorrem em até 50% das mulheres no período reprodutivo. “Embora a doença possa não apresentar sintomas, algumas sentem dor, há aumento do volume do abdome, do fluxo menstrual, casos de infertilidade e aborto”, diz Marcio Coslovsky, especialista em reprodução humana do Centro de Medicina Reprodutiva Huntington (RJ).

Endometriose: é a presença do tecido endometrial fora da cavidade uterina. Os sintomas são dor pélvica, associada ou não à atividade sexual e/ou menstruação. “O tecido presente na cavidade abdominal descama a cada ciclo menstrual, gerando a endometriose e afetando o funcionamento adequado dos mais diversos órgãos: ovários, tubas uterinas, intestino e bexiga”, fala Zylbersztejn

Ovários policísticos: as mulheres com a síndrome do ovário policístico não ovulam todo mês, por isso é mais difícil engravidar. Essa alteração ovariana pode gerar atraso ou ausência das menstruações, acne e até aumento da oleosidade no corpo, além de crescimento considerável dos pelos.

Problemas hormonais: alterações nos hormônios, como o aumento de prolactina ou doenças da tireoide, podem influenciar o ciclo ovariano e causar a dificuldade.
 
Lesões nas trompas: algum bloqueio ou obstrução nas trompas resultará no impedimento da chegada dos espermatozoides até o óvulo.

Como tratar

O primeiro passo após as tentativas frustradas é procurar um especialista para que seja identificado se há algum problema de saúde e qual o tratamento é indicado. Recomenda-se consultar um urologista ou ginecologista para a realização de alguns exames. Poderá ser necessário procurar um especialista em reprodução humana. A avaliação completa consiste de exame físico do casal, exames laboratoriais de sangue, análise da função ovariana e do ciclo, exames de imagem para estudar o trato reprodutivo feminino e análise do sêmen (espermograma). Em alguns casos, “Após exaustiva pesquisa de todos os fatores envolvidos na área da saúde, algumas vezes não se consegue chegar ao diagnóstico. Esses problemas são definidos como esterilidade sem causa aparente (ESCA) ou infertilidade sem causa aparente (ISCA)”, explica Tsutomu Aoki, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (SP).

Formas de tratamento

Após os exames, o médico indicará o tratamento mais apropriado para o casal. Nos casos mais simples, como mulheres que não ovulam mensalmente ou homens com infecções, o tratamento pode ser realizado por meios de medicamentos. “Indutores de ovulação atuam em níveis diferentes do controle ovulatório, desde a hipófise até o ovário ou sistemas endócrinos”, diz Soares. Os especialistas indicam os métodos, de acordo com o perfil e a necessidade de cada casal. As técnicas de reprodução são classificadas conforme o grau de complexidade ou com o local em que ocorre a ovulação.  Segundo Paulo Gallo, diretor médico do Vida – Centro de Fertilidade da Rede D’Or (RJ), apesar do grande número de técnicas diferentes, atualmente a preferência deve recair sobre os métodos simples, de menor custo, com facilidade de repetição, que apresentem bons resultados e possam ser realizados em nível ambulatorial. As técnicas de reprodução estão cada vez mais seguras. Há 30% de chances uma gravidez múltipla (com dois ou mais bebês), já que são transferidos mais de um embrião para o útero. “Com a nova legislação brasileira, o número de embriões transferidos corresponde à idade materna. Mulheres de até 35 anos podem receber no máximo dois embriões; três embriões até 39 anos, e de quatro embriões após 40 anos”, fala Zylbersztejn. E a taxa de abortamento é a mesma de uma gestação natural (20%), mas como a assistida é acompanhada desde o início, surge a impressão de que há mais abortos durante o tratamento. O importante é procurar uma clínica que conte com uma equipe multidisciplinar, para que investigue o problema e ofereça as variadas opções de tratamentos para que o sonho de ser mãe se torne realidade.

 

Revista VivaSaúde Edição 109

 



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