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Saiba como evitar a trombose

Publicado em 02 de May de 2014 por Clara Ribeiro | Comente!

Resultado da formação de um coágulo no interior do vaso sanguíneo, se não for tratada, pode ser fatal. Saiba mais como prevenir a doença



Texto: Fernanda Almeida e Cristina Almeida / Foto: Shutterstock / Adaptação: Clara Ribeiro

Os sintomas usuais da trombose são dor em membro inferior associada a inchaço,

sensação de peso e também alteração da cor

Foto: Shutterstock

Cerca de 1,5% da população mundial sofre de trombose venosa, segundo a Revista da Associação Médica Brasileira (AMB). Esta é a terceira causa mais comum de doenças do sistema cardiovascular. E mais: são identificados 300 mil novos casos de trombose venosa aguda todos os anos, levando a aproximadamente 600 mil internações hospitalares.

Francisco José Osse, cirurgião vascular do Centro Endovascular de São Paulo, explica que “as veias são os vasos do sistema circulatório que trazem o sangue de volta ao coração, depois que as artérias levaram este sangue oxigenado a todos os órgãos do corpo”. “O coágulo sanguíneo é a transformação do sangue da sua forma líquida em sólida, por meio de diversas reações químicas”, completa. Já o trombo é definido como a formação de um coágulo do sangue de uma pessoa dentro de seus próprios vasos. Daí ser chamado de trombose.

OS VÁRIOS TIPOS

Existe a tromboflebite superficial, que acomete veias do tipo superficiais, a trombose venosa profunda (TVP) que, como o próprio nome já diz, atinge vasos mais profundos, e também a trombose arterial, que acomete as artérias. A trombose pode se manifestar em qualquer tipo de vaso: coronárias, carótidas, veias dos membros inferiores, etc.

Três fatores são importantes para desencadear o trombo: a lesão da parede vascular, a alteração no balanço hemostático (equilíbrio entre sangramento e coagulação) e a diminuição do fluxo sanguíneo. “Para que o sangue não coagule continuamente, o sistema de plaquetas é contrabalançado por um sistema de anticoagulação. Ou seja, existe um equilíbrio entre esses sistemas permitindo que nosso sangue circule normalmente. Quando há um desequilíbrio, o sangue pode coagular dentro de um ou mais vasos e formar os trombos”, esclarece Maffei. 

Existe um equilíbrio entre esses sistemas permitindo que nosso sangue circule normalmente. “Se, entretanto, ocorrer um desequilíbrio, o sangue pode coagular dentro de um ou mais vasos, formando os trombos”, esclarece Maffei.

SINTOMAS COMUNS

A TVP e a superficial podem ocorrer espontaneamente, por injeção de substâncias nos vasos, em pacientes imobilizados, submetidos a procedimentos cirúrgicos, traumatizados, com câncer, infarto domiocárdio, insuficiência cardíaca, derrame cerebral ou idosos. Já a trombose arterial ocorre geralmente em pacientes com aterosclerose e por isso os fatores predisponentes são diabetes, hipertensão, tabagismo, aumento de colesterol, sedentarismo,assim como idade avançada.

“Os sintomas mais usuais da trombose são dor em membro inferior (mais frequente que superior) associada a inchaço, sensação de peso e também alteração da cor, roxa”, afirma Gilberto Narchi, cirurgião vascular do Hospital do Coração (SP). O diagnóstico de confirmação é feito por um exame chamado Doppler venoso, mas de acordo com o local, pode ser uma tomografia venosa.

POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES

Praticamente qualquer substância injetada dentro de um vaso pode causar trombose local. Mas algumas aumentam ainda mais o risco, como o uso de anticoncepcionais, reposição hormonal e quimioterápicos para tratamento de neoplasia.

Maffei alerta que “em cerca de 30% dos doentes com TVP, ela aparece espontaneamente, quando a pessoa está levando sua vida normal: andando ou trabalhando, por exemplo”. Nos demais 70%, ela é uma complicação numa operação cirúrgica, repouso por qualquer doença, parto ou gravidez e trauma.

Os doentes colocados nessas circunstâncias têm diminuição do fluxo de sangue nas veias e apresentam alteração do sistema hemostático. “Por isso, medidas profiláticas devem ser tomadas em pacientes com maior risco de TVP, se colocados nessas condições”, esclarece o especialista. Os médicos, enfermeiros, parentes do paciente e os próprios pacientes devem também estar atentos para identificar o aparecimento dos primeiros sintomas da doença.

EMBOLIA PULMONAR

O que mais preocupa na TVP são suas complicações aguda e crônica. A complicação aguda, que é séria e pode ser mortal, chama-se embolia pulmonar. Ocorre quando um pedaço do trombo, ou mesmo o trombo inteiro, se solta e vai para a circulação do pulmão. Pode causar alterações na respiração e na circulação, chegando mesmo à parada cardíaca.

A alteração crônica é a síndrome pós-trombótica. Em boa parte dos pacientes as veias nunca mais se desobstruem ou ficam danificadas com a alteração em suas paredes e válvulas. Ela provoca uma pressão alta nas veias da perna e no tornozelo e, algum tempo depois da trombose, pode surgir inchaço, escurecimento, endurecimento da pele e até feridas.

A embolia pode surgir em todo paciente que apresente trombose venosa, tanto superficial (menos frequente) como profunda (mais frequente). O paciente pode ter sinais de desconforto respiratório (falta de ar e dorno peito), mas o diagnóstico é confirmado pelo exame de tomografia pulmonar.

A QUESTÃO GENÉTICA

Celso Ricardo Bregalda Neves, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), afirma que “algumas alterações genéticas tornam o sangue mais propício a coagular espontaneamente, por alteração nos fatores de coagulação”.

Entre elas se destacam mutação G20210 no gene da protrombina, Fator V de Leiden, Deficiência de antitrombina III, Deficiência de proteínas C e S, Aumento de fator VIII entre outras.

DIAGNÓSTICO PRECISO

O exame clínico do paciente ajuda o médico a suspeitar da TVP. Mas na maioria dos casos não é o suficiente. Nessas situações, o médico solicitará um exame de ultrassom para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento.

Nas hipóteses em que não seja possível fazer esse tipo de teste e o diagnóstico não possa ser conclusivo, deve ser indicado o exame radiológico das veias, conhecido como flebografia, que utiliza contraste para visualizar o percurso da veia ou da artéria correspondente. O histórico familiar de trombose é outrai nformação importante para a detecção de trombofilias chamadas congênitas.

Revista VivaSaúde - Edição 114



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