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Mitos e verdades sobre a vacina

Publicado em 05 de Aug de 2015 por Marília Alencar | Comente!

Vacinação sem preconceito!! Utilizadas há mais de dois séculos, substâncias para imunização contra doenças virais e bacterianas ainda geram dúvidas. Desconstruímos os mitos sobre essa eficiente medida preventiva



Texto Leonardo Lourenço / Foto: Shutterstock 

Vacinas

(Foto: Shutterstock)

Erradicada nos anos 1970, a varíola é uma doença infectocontagiosa, potencialmente mortal, que por séculos não teve controle – acredita-se que o faraó Ramsés V, do Egito, tenha sido vítima do vírus por volta de 1142 a. C. Foi o médico inglês Edward Jenner quem percebeu que indivíduos que tinham contato frequente com vacas infectadas desenvolviam uma forma bem menos agressiva ou não contraiam a enfermidade. A hipótese defendida por Jenner era a que apontava que a varíola bovina criava imunidade à varíola humana, mais hostil. Ele, então, infectou um garoto com a doença das vacas e observou que, mesmo próximo a pessoas doentes, o menino nunca se adoentou.

Era o primeiro passo para a produção de vacinas – que ganharam esse nome do termo em latim “varíola vaccinae” (varíola da vaca). A descoberta de Jenner é datada de1796. Quase 220 anos depois, entretanto, as vacinas ainda geram dúvidas e são alvos de mitos que às vezes afastam as pessoas de campanhas de imunização. Mas a importância das vacinas também está documentada na história. É graças às experiências do médico inglês que não há registros de varíolades de 1977. Foi a insistência em grandes ações de vacinação que erradicou a poliomielite, a paralisia infantil, no Brasil. Para esclarecer as dúvidas mais comuns, e outras mais inusitadas, a VivaSaúde buscou a ajuda de dois experientes profissionais: a infectologista Rosana Richtmman, doutora em Medicina pela Universidade de Friburgo, na Alemanha, e médica das Comissões de Controle de Infecção (CCIH) do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, de São Paulo, e o médico Eurico Correia (SP). Confira a seguir:

1. As vacinas podem causar as doenças que elas deveriam evitar?

NÃO. As vacinas são produzidas a partir de substâncias como proteínas, toxinas e partes de vírus e bactérias suavizadas ou inativas. A presença desses agentes faz com que as pessoas acreditem terem adoecido após a imunização. Mas não é bem assim. Em alguns casos, a vacina pode gerar reações com as características da doença, mas sem a mesma intensidade. “A vacina do sarampo pode causar uma erupção na pele, mas é algo muito mais tênue do que a doença em si”, explica Rosana. No caso de vacinas com vírus inativados – o caso da gripe –, é impossível. “O vírus está morto, sem material genético. O que acontece é que na mesma época circulam outros vírus respiratórios. Pode existir essa coincidência temporal de você ter tomado a vacina da gripe e apresentar algum quadro respiratório viral”, diz a médica.

2. Causam efeitos colaterais?

SIM, mas nenhum que cause riscos aos pacientes. As vacinas podem ser orais – as famosas gotinhas –, subcutâneas (em áreas mais superficiais da pele) e intramusculares, mais profundas. As últimas são as que costumam causar mais dores no local da aplicação. “Esse é um efeito adverso relativamente comum. Mas também tem a resposta individual, com gente que não sofre reação, outras sofrem mais, outras menos”, afirma Rosana. Um quadro de febre também pode ser causado pela aplicação. “Na maioria das vezes de até 38 graus, que dura até 48 horas.” Vacinas com vírus enfraquecidos podem causar reações semelhantes à doença, mas mais fracas. “A catapora natural gerade 300 a 500 lesões na pele. A que a gente vê por causa da vacina, o paciente vai ter entre 10 e 15 lesões”, diz Rosana.

3. O excesso de vacinas pode enfraquecer o sistema imunológico?

NÃO. Há o temor de que as vacinas causem problemas ao sistema imunológico, deixando-o “preguiçoso” e, assim, enfraquecido. Elas, porém, cumprem papel contrário. “Em lugar de enfraquecer, elas fortalecem o sistema de defesa porque ajudam o organismo a reconhecer os micro-organismos causadores dessas doenças transmissíveis e a combatê-los, caso seja necessário”, aponta Eurico Correia. “Hoje existe uma ampla variedade de vacinas, que protegem as pessoas contra uma série de doenças infectocontagiosas em todas as fases da vida – desde a infância, passando pela adolescência, até chegar à fase adulta e à terceira idade”, completa.

Vacinação

(Foto: Shutterstock)

4. Vacinas são 100% eficazes?

NÃO. “Nenhuma vacina é 100% eficaz. Sempre há a possibilidade de um indivíduo corretamente imunizado não produzir os anticorpos em níveis desejáveis por características de seu sistema imunológico”, resume Correia. A resposta à vacina depende de uma série de fatores, como a idade e as condições de saúde do paciente. “Nós sabemos que quanto mais jovem a pessoa, melhor a resposta. Por isso hoje vacinamos um recém-nascido. A produção de anticorpos de uma criança é melhor do que a de um adulto ou idoso”, complementa Rosana. A médica usa o exemplo da vacina da gripe: “Qual o objetivo de vacinar crianças de 6 meses até 5 anos? Protegê-las, óbvio. Mas também o idoso em volta dela. Ele tem o sistema imunitário enfraquecido e não consegue a mesma resposta. Vacinar a criança protege o adulto e o idoso, indiretamente”.

5. A vacina da gripe evita a pneumonia?

SIM. Essa é uma meia verdade. São doenças diferentes, causadas por organismos diferentes. A vacina da gripe protege contra um vírus, a da pneumonia contra uma bactéria. “Agora, em geral o paciente que tem uma gripe tem um risco maior de ter uma complicação com uma pneumonia bacteriana”, diz Rosana. A gripe funciona como uma porta que favorece a entrada da bactéria. A vacina contra o vírus influenza evita essa brecha. “Com a vacina você indiretamente está protegendo esse paciente de uma pneumonia, que seria uma complicação da gripe.”

6. Pessoas com baixaimunidade podemser vacinadas?

SIM. Pacientes com doenças que afetam aimunidade, como é o caso da aids, podem ser vacinados, mas cada caso precisa ser avaliado por um médico antes. “Algumas vacinas devem ser evitadas”, adverte Correia. “Ao vacinar um paciente que tem alguma doença que diminui a imunidade, como alguém em quimioterapia, a eficácia da vacina é muito mais baixa do que aquela apresentada naqueles que não estão nestas condições”, diz Rosana.“Obviamente há indicações de vacina conforme o paciente. Eu não posso fazer todas em todas as pessoas. Mas, de maneira geral, o paciente que tem uma deficiência imune precisa mais da vacina do que os outros”, conclui a infectologista.

Revista VivaSaúde/ Edição 146



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