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Guia para uso seguro de remédios

Publicado em 09 de Sep de 2015 por Marília Alencar | Comente!

Eles aliviam sintomas e curam doenças, mas são substâncias químicas que podem colocar em risco a saúde. Respeitar as indicações médicas é fundamental para evitar reações adversas que afetam você e todos a sua volta



Texto Cristina Almeida/ Foto: Shutetrstock/ Adaptação: Marília Alencar

Remédio seguro
(Foto: Shutterstock)

De médico e de louco todo mundo tem um pouco. Por isso, a maioria das pessoas não hesita em usar o remédio alheio para tratar um problema de saúde. Na teoria, a intenção é combater sintomas ou doenças. Na prática, pode ser um grande risco. Embora todo medicamento seja formulado para trazer benefícios, cada organismo é único e, muitas vezes, reage de maneira inesperada. Somente um profissional habilitado é capaz de avaliar e indicar a melhor forma de tratamento.

Atenta aos perigos da automedicação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu novas regras para a venda de remédios, limitando sua exposição nas farmácias. Desde agosto de 2009, até os produtos que dispensam prescrição médica não estão mais ao alcance do consumidor.

A notícia é bem-vinda e atende às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto ao consumo de remédios, que deve seguir critérios como ser específico, corresponder às necessidades clínicas, ter doses personalizadas, ser utilizado por tempo determinado e pelo menor custo.

Embora a Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), extinto órgão representante da indústria do setor, afirme que a automedicação não é um problema grave no Brasil, considerando que os 966 casos de intoxicação por remédios registrados em 2007 não resultaram em morte, na opinião do médico Flávio Dantas, professor da disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o perigo de uso indiscriminado é provocar malefícios.

Informe-se antes de usar

Dantas explica que remédios são concebidos para solução do problema doença, mas podem se tornar um veneno se utilizados de forma diferente da prescrita. "Isso vale também para medicamentos de venda livre", afirma o especialista. A primeira consequência é mascarar ou agravar doenças. "A longo prazo, são capazes até de comprometer a saúde da população como um todo", adverte.

Raquel Rizzi, farmacêutica e presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP) esclarece que esse é o caso dos antibióticos, cujo uso inadequado ou abusivo gera resistência bacteriana, ou seja, a diminuição da sensibilidade dos micro- organismos ao remédio.

Perigo: não misture remédios
(Foto: Reprodução)

Siga as instruções

Ao mesmo tempo em que o paciente tem direito a todas as informações sobre riscos e benefícios, assim como às orientações sobre a necessidade do uso de determinado medicamento, tem também o dever usá-lo com responsabilidade. Flávio Dantas conta que é muito comum a mudança, por conta própria, do tempo da terapia e da dosagem aconselhadas. Entretanto,“como cada indivíduo responde de forma diferente aos estímulos, o aumento da dose pode gerar reações indesejadas ou interagir de modo ainda mais intenso com a ação de outros medicamentos utilizados simultaneamente”, explicao médico. Crianças e idosos, por exemplo, devem ter as doses de seus medicamentos bem ajustadas, pois reagem de modo diferente dos adultos.

Uma recente pesquisa realizada por especialistas da Erasmus University Medical Centre, de Roterdã (Holanda), publicada pelo British Medical Journal, concluiu que as crianças, principalmente até os dois anos de idade, têm sido vítimas do uso excessivo de remédios, às vezes consumidos para fins diversos para os quais foram concebidos. O estudo observou 675 mil crianças italianas, holandesas e inglesas e inspirou o monitoramento de receitas pediátricas pelas autoridades sanitárias. Um dado que faz pensar é que a pesquisa não considerou aqueles vendidos sem prescrição médica, ou seja, o mau uso pode ser ainda maior. Situações como essas, comenta Raquel Rizzi, podem gerar outros efeitos perigosos, tais como intoxicações, que pioram o estado geral de saúde, podendo levar à morte.

A afirmação confirma os dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico Farmacológicas (Sinitox), da Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz), obtidos por estudos realizados em 2007, sob a coordenação da pesquisadora Rosany Bochner: 30, 56%dos casos registrados de intoxicação foram causados por medicamentos. Entre as várias circunstâncias identificadas na pesquisa, o uso indevido, o abuso, a automedicação, além de erro na administração dos medicamentos se destacaram. As faixas etárias mais suscetíveis ao problema são crianças de 01-04 anos, adultos de 20-29 anos, seguidos pela faixa que compreende 30-39 anos. Entre os 34 mil casos analisados, as mulheres somavam 21.470.

Revista VivaSaúde/ Edição 78



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