assine

Newsletter

Receba as novidades, cadastre-se

Fuja das viroses

Publicado em 13 de May de 2013 por Ana Paula Ferreira | Comente!

Os vírus não têm data certa para atacar. Alguns deles preferem o inverno; outros gostam mais do verão. Na estação mais quente do ano, suas vítimas preferidas são aqueles que consomem água e alimentos contaminados



Texto: André Bernardo / Foto: Reprodução / Adaptação: Ana Paula Ferreira

Um dos sintomas da virose que mais preocupa os médicos é a diarréia. Por isso, recomendam

que se evite a desidratação. Foto: Reprodução

Eles estão por toda a parte. No ar que você respira, na água que você bebe e no alimento que você consome. E, ao contrário do que muita gente pensa, os vírus não atacam as pessoas só no inverno. “As viroses são mais frequentes no inverno, por causa das baixas temperaturas. Mas eles também atacam no verão. Só que, nesta época do ano, o número de viroses respiratórias é menor. No calor, os vírus são transmitidos mais através da água e dos alimentos”, alerta o pediatra Marcos Junqueira do Lago, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Sim, alguns vírus, como adenovírus, coronavírus e influenza, o mais famoso de todos, preferem climas frios. Outros, porém, como rotavírus, norovírus e enterovírus, já se proliferam mais no verão. Nos meses mais quentes do ano, castigam o aparelho gastrointestinal de suas vítimas. Daí o nome, explica o infectologista Sérgio Cimerman, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), de gastroenterites virais ou enteroviroses. Ou em outras palavras: infecções virais que atacam o estômago e o intestino.

“Algumas viroses são mais frequentes no verão porque, nessa época, as pessoas tendem a beber mais água e a consumir mais alimentos leves, como saladas. Se não tomar os cuidados necessários, podem ingerir alimentos que não foram lavados corretamente”, alerta Cimerman. Segundo os especialistas, os sintomas podem variar de acordo com o tipo de virose. As respiratórias — aquelas que atacam o aparelho respiratório do paciente — tendem a provocar febre, coriza, mal estar, dor de garganta e tosse. Já as entéricas — que castigam o sistema gastrointestinal — costumam apresentar três outros sintomas: diarreia, vômito e dor abdominal

Cuidado com a desidratação

Dos muitos sintomas, o que mais causa preocupação entre os médicos é a diarreia. Por isso, a principal recomendação é: evite a desidratação. “Geralmente, os sintomas que a diarreia provoca são náusea e vômito. Em seguida, o paciente pode desenvolver um quadro de desidratação e, quando isso acontece, ele precisa ser imediatamente hospitalizado. Em caso de desidratação, a reposição por via oral não é suficiente. O paciente, na verdade, precisa receber até 3 litros de soro para repor tudo aquilo que perdeu no período”, esclarece Cimerman.

Mesmo assim, o infectologista garante: viroses são doenças benignas e autolimitadas. O que isso quer dizer? “São doenças que têm prazo de validade — isto é, um curso natural, de três a cinco dias, para desaparecer”, tranquiliza Cimerman. “Em alguns casos, os médicos podem recorrer a medicamentos que amenizam mais rapidamente os sintomas. Em vez de cinco dias, a doença pode ir embora em apenas dois”, pondera.

Segundos os médicos, crianças e adultos reagem de maneira diferente às infecções virais. “No adulto, a virose tende a durar de três a sete dias, enquanto os sintomas residuais perduram por até duas semanas. Nas crianças, a média de duração é um pouco maior: vai de cinco a dez dias, e os sintomas podem levar até três semanas para desaparecer”, compara Lago. 

Risco de complicação

As viroses podem até ser doenças benignas e autolimitadas. Daquelas que o próprio organismo se encarrega de combater. Mas isso não quer dizer que elas não inspirem cuidados. Principalmente em crianças abaixo de 2 anos. Segundo Lago, são essas as que oferecem mais riscos de complicação. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 3 milhões de crianças, abaixo de 5 anos, morrem, por ano, vítimas de diarreia. Por isso mesmo, os pais devem estar atentos aos sintomas.

Em regra geral, nas primeiras 48 horas, a criança com suspeita de virose pode ser observada em casa. Nesse caso, o recomendado é usar tão somente água para hidratar e remédio para combater a febre. Nesse período os pais não devem nunca usar antibióticos por conta própria. Tomados de maneira abusiva e sem prescrição médica, eles podem causar reações adversas, efeitos colaterais e resistência microbiana, que piora o quadro infeccioso da criança e reduz a eficácia do tratamento. “Quando você toma antibiótico de maneira inadequada, os micro-organismos desenvolvem uma mutação e se tornam resistentes ao agente antibiótico”, explica a farmacêutica Emília Vitória da Silva, do Conselho Federal de Farmácia (CFF).

 

Revista VivaSaúde edição 105



COMENTE!