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DIU contra a endometriose

Publicado em 28 de Apr de 2013 por Ana Paula Ferreira | Comente!

Conhecido como método anticoncepcional, o dispositivo intrauterino também trata as dores da endometriose, doença que atinge entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva. Entender como ele funciona e desvendar alguns mitos podem melhorar sua qualidade de vida



Texto: Fernanda Emmerick e Renata Armas / Ilustração: Sandra Tir / Adaptação: Ana Paula Ferreira

Após a inserção do DIU, o primeiro retorno médico deve ser feito em 45 dias, para tirar dúvidas

e dar orientação. O segundo retorno é marcado para seis meses depois. Ilustração: Sandra Tir

Evitar a gravidez indesejada, diminuir a intensidade das cólicas e do sangramento mensal. Esses são os principais benefícios que o uso do dispositivo intrauterino (DIU) pode trazer para as mulheres. “Trazido para o Brasil há 10 anos, o DIU LUNG-20, feito com o hormônio levonorgestrel, um derivado da progesterona, está sendo cada vez mais usado para a melhora de vários problemas da saúde feminina, como a endometriose”, alerta Carlos Alberto Petta, especialista em Reprodução Humana e Endometriose e professor de Ginecologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Conhecida como a doença da mulher moderna, a endometriose já atinge seis milhões de brasileiras, provocando cólicas intensas e incapacitantes, além de dores durante as relações sexuais. “Hoje, com o uso do DIU no tratamento clínico, conseguimos evitar entre 50% e 70% das cirurgias para endometriose. Isso porque ele é bastante indicado para quem quer ter controle sobre a dor”, aconselha Petta.

O ginecologista responde, para a VivaSaúde, algumas questões sobre a doença e o método contraceptivo:

Algumas mulheres ainda têm muito preconceito sobre o uso do DIU por não saberem como efetivamente ele funciona. Poderia explicar?

É importante dizer a essas mulheres que, hoje, ao falar sobre DIU, estamos nos referindo a um método anticoncepcional seguro e eficaz. Mesmo assim, é preciso entender a diferença entre o DIU, que, em geral, é feito de cobre e recomendado apenas para a anticoncepção, e o DIU LNG-20, feito com o levonorgestrel. Este último é na verdade um sistema intrauterino, pois também libera um hormônio. Se repararmos, o principal efeito colateral do DIU comum é relacionado ao cobre. Esse metal pode aumentar o sangramento de 30% a 50%, em volume e dias, além de provocar cólicas.

Qual é a relação entre o uso de DIU e a endometriose?

Ao percebermos que o uso desse método diminuía a dor e o sangramento na mulher, passamos a pensar que essas são as principais queixas das mulheres com endometriose. Daí, começamos a relacionar seu uso com o tratamento desta doença que já atinge seis milhões de brasileiras. O primeiro estudo feito no Brasil, realizado em parceria com Unicamp, USP e USP de Ribeirão Preto, avaliou 39 pacientes e comprovou que quando elas usaram o DIU de levonorgestrel tiveram sua dor diminuída.

Essas dores são constantes ou só acontecem durante o ato sexual?

A dor mais comum é a cólica menstrual. Mulheres com endometriose relatam uma dor que aumenta ao longo dos anos. Outros tipos de incômodo acontecem durante a relação sexual ou podem se manifestar como uma alteração intestinal ou de hábito urinário. Normalmente, a mulher com endometriose menstrua e tem diarreia, incômodo para urinar e dor crônica. Por isso, deve-se escolher o método anticoncepcional pelos benefícios que ele proporciona para essa paciente.

Em sua opinião, a endometriose está afetando cada vez mais mulheres?

A endometriose é considerada a doença da mulher moderna porque tem a ver com ansiedade, estresse, gravidez tardia... Se você observar, as adolescentes, já aos 15 anos, estão todas estressadas e nervosas. Tudo isso mudou o perfil não só da endometriose, mas de outras doenças como diabetes e hipertensão, que são diagnosticadas cada vez mais cedo

Para essa adolescente diagnosticada, é recomendável o uso do DIU ou o método é muito invasivo?

Acho que é preciso discutir o tratamento com a adolescente e a mãe junto. Porque, querendo ou não, a virgindade é um tabu. Só que, às vezes, a dor é tão preocupante e incapacitante que o médico opta por colocar o DIU como um procedimento cirúrgico. Vamos desmitificar a cirurgia de inserção do dispositivo. Na verdade não é uma cirurgia, é um procedimento. O DIU passa pelo colo do útero, e na maioria das vezes isso é feito no próprio consultório médico, sem necessidade de anestesia ou sedação.

Que tipos de cuidados deve ter a mulher que adotou o DIU? Ela precisa fazer mais consultas médicas?

Não, o que normalmente acontece é que, após a inserção, o primeiro retorno deve ser feito em 45 dias, para tirar dúvidas e dar orientação. O segundo retorno é marcado para seis meses depois. Em seguida, a consulta é agendada uma vez por ano, quando é realizado o papanicolau e o exame de mama, daí o médico pode checar o DIU também. 

 



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