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Diagnóstico: nódulo na tireoide

Publicado em 27 de Oct de 2015 por Marília Alencar | Comente!

Mais comum do que se imagina, é possível identificá-lo em uma simples consulta de rotina. A boa notícia é que a maioria dos casos não requer tratamento



Texto Priscila Pegatin / Foto: Shutterstock

Tireoide

(Foto: Shutetrstock)

Ser diagnosticado com um nódulo, em qualquer parte do corpo, sem prepreocupa. O primeiro pensamento é negativo e se refere às consequências, caso ele seja um câncer. Mas calma,quando esse tipo de lesão é na tireoide, as chances de se ter uma boa notícia é maior. Afinal, segundo endocrinologistas, em 95% dos casos ele é de natureza benigna e é possível controlá-lo sem muita mudança na rotina.

“Se fizermos um ultrassom em todos os pacientes, até 40% deles vão apresentar nódulos, dependendo da idade e do sexo, mas mulheres mais idosas têm maior chance. Menos de 5% vão apresentar os tipos palpáveis e, destes, uma mínima parte corresponde ao câncer de tireoide”, explica Cleo Otaviano Mesa Júnior, chefe do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (SEMPR). Isso significa que o problema é mais comum do que se imagina, e deve ser acompanhado por um médico.

A formação do nódulo

A tireoide é uma glândula que tem o formato de uma borboleta, localizada na frente do pescoço, logo abaixo do pomo-de-adão, o popular “gogó”. Apesar de ser pequena — pesa entre 15 e 20 g —, é ela que produz hormônios que regulam a velocidade de funcionamento do corpo, o ritmo cardíaco, o metabolismo,a temperatura corporal, o peso e a cognição. Um dos problemas da tireoide é o aumento das glândulas, chamado de bócio. Os bócios podem apresentar um ou mais nódulos e podem alterar a produção hormonal.

Dessa forma, a pessoa poderá ter sintomas relacionados à alteração dos hormôniosou apresentar nódulo palpável, este último descoberto durante um autoexame ou uma consulta de rotina. “O nódulo varia muito de tamanho e pode ser um micronódulo de 0,3 cm, ou ter mais de 10 cm, ou, ainda, no caso do bócio multinodular de longa evolução, ter mais de 200 g”, explica Gisah Amaral de Carvalho, endocrinologista (PR).

(Ilustração: Shutterstock)

As causas do problema

Iodo, radiação e genética estão na origem da patologia. No caso do iodo, ele é necessário para fabricar o hormônio da tireoide, por isso, em regiões com carência desse nutriente, os pacientes tendem a ter crescimento da glândula e formação de nódulos e tumores.“No Brasil, não há áreas documentadas com carência desse nutriente, porque temos um programa de suplementação de iodo no sal de cozinha, obrigatório em todos os estados”, explica Mesa Júnior.

Já a segunda causa, a radiação, atinge principalmente os profissionais que trabalham diretamente com ele, como técnicos de radiografias e tomografias. “Por isso, eles usam protetores de chumbo como forma de evitar esse efeito.” Mas resta ainda a chance genética, esta difícil de ser prevenida. “É comum encontrarmos irmãos, tios e sobrinhos apresentando nódulos na região”, alerta Renata Sacramento, endocrinologista do Hospital São Vicente de Paulo (RJ).

(Ilustração: Shutterstock)

Possíveis sintomas

Nem sempre o nódulo vem acompanhado de sinais de sua existência, somente os considerados grandes farão esse tipo de alerta. “Ele pode comprimir a traqueia, o esôfago e as cordas vocais, podendo levar a dor, rouquidão e dificuldade de engolir e respirar”, explica Renata. “Se o nódulo produzir muito hormônio, o paciente apresenta sintomas de hipertireoidismo, como irritabilidade, cansaço, emagrecimento, palpitação, entre outros”, completa. E um pequeno número de paciente se queixa de dor no local do nódulo. Pode parecer um pouco assustador, mas é fundamental, logo que identificar um nódulo, saber se ele é maligno ou não. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que 1% dos tumores dos brasileiros seja na tireoide. 

Para descartar logo essa hipótese, o primeiro exame a ser realizado é o ultrassom. Mas Gisah explica que geralmente o nódulo maior que 1 cm ou com características suspeitas de malignidade devem ser puncionados. O procedimento é realizado com uma agulha fina que, por meio da pele do pescoço, retira células e fluidos para posterior análise. “É um exame bastante simples de fazer”, garante Mesa Júnior. Em caso positivo ou quando o nódulo é grande e aperta o pescoço ou altera a produção hormonal, a cirurgia é a solução.

Cânceres de tireoide

Os nomes não são tão conhecidos, mas adefinição é importante para classificar a urgência no tratamento. O mais diagnosticado é o papilar. Presente em 80% dos casos, ele afeta de duas a três vezes mais mulheres do que homens e é caracterizado por crescer lentamente, porém pode se espalhar pelos gânglios linfáticos no pescoço. Se identificado ainda pequeno, as chances de cura são altas. Já o câncer folicular atinge até 15% dos pacientes e é mais frequente em mulheres demais idade. Quando se propaga pode atingir a corrente sanguínea. O câncer anaplástico é responsável por apenas 1% dos diagnósticos, ele é muito raro, agressivo e mais prevalente em homens. O tratamento é baseado na cirurgia com ou sem complementação com radioiodoterapia e uso do hormônio tireoidiano para a grande maioria dos casos.

Acompanhar é preciso

Uma parte dos pacientes não precisa de tratamento e pode ser apenas acompanhada com consultas periódicas. Quando existe com pressão devido ao tamanho do nódulo, excesso de produção hormonal, risco de malignidade ou mesmo preocupação estética, o tratamento é recomendado. Nesse caso a cirurgia é geralmente a primeira escolha e se dá por anestesia geral e retirada parcial ou total da glândula tireoide. Outra possibilidade, segundo Mesa Júnior, é injetar um tipo de álcool dentro do nódulo. O líquido destrói algumas células e provoca a redução de seu tamanho. A terapia comiodo radioativo também pode ser utilizada como opção à cirurgia, indicada para nódulos produtores de hormônios ou em glândulas com múltiplas ínguas. Não existem medicamentos que reduzam o tamanho dos nódulos de tireoide.

Revista VivaSaúde / Edição 149



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