assine

Newsletter

Receba as novidades, cadastre-se

Diabetes tipo 2

Publicado em 22 de Mar de 2013 por Ana Paula Ferreira | Comente!

Diabetes tipo 2 está relacionada à obesidade, e muitos já estão no grupo de risco sem saber. Descubra como prevenir os primeiros sinais dessa doença que, só nos EUA, acomete 8 milhões de pessoas



Texto: Cristina Almeida / Foto: Fabio Mangabeira / Adaptação: Ana Paula Ferreira

As causas da Diabetes tipo 2 não se limitam apenas ao estilo de vida. Embora exista cura para

esse mal, ele pode ser gerenciado, desde que sejam feitas algumas mudanças de hábito e

tratamento adequado. Foto: Fabio Mangabeira

 

Quem recebe um diagnóstico de diabetes do tipo 2 pode ser tomado por uma sensação de culpa. A velha receita de vida saudável, que compreende alimentação equilibrada, atividade física e manutenção do peso, teria sido a medida suficiente para a sua prevenção. Desprezada, pode levar à manifestação dessa doença que, no ano de 2010, afetou 215 mil pessoas com idade inferior a 20 anos nos EUA. Mas a endocrinologista Denise Reis Franco, coordenadora de Educação da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), diz que não é o caso de se sentir culpado. “As causas não se limitam apenas ao estilo de vida. E, embora não exista cura para esse mal, ele pode ser gerenciado, desde que se conjuguem algumas mudanças de hábitos e tratamento adequado”. Segundo a médica, o diabetes do tipo 2 se caracteriza pela não produção de insulina ou resistência a ela. A insulina, por sua vez, é necessária para que o corpo transforme glicose, cuja fonte é tudo o que comemos, em energia. Ela funcionaria como uma chave que abre a porta das células, permitindo que a ginsulicose entre.

Confira a entrevista exclusiva que a especialista concedeu à VivaSaúde.

Por que os casos de diabetes tipo 2 crescem a cada ano?
Denise Reis Franco: O que acontece é que há tempos as civilizações estão reduzindo as atividades físicas, se confinando em ambientes fechados, bem como substituindo alimentos naturais que proporcionavam maior saciedade por produtos industrializados. Como esses últimos possuem maior teor de gorduras, há também maior facilidade para o ganho de peso. A relação entre obesidade e sedentarismo, aliada à herança genética para o diabetes, e aqui o vínculo familiar inclui pais, avós ou tios, também tem colaborado para o aumento desse fenômeno em todo o mundo.

O que é o estado de pré-diabetes?
Denise: Trata-se de uma condição em que o paciente não apresenta valores de glicemia que caracterizam o diabetes propriamente dito, mas já tem níveis acima do padrão normal. Pessoas com esse perfil se inserem no grupo de risco para o desenvolvimento do diabetes do tipo 2, doenças cardíacas e acidente vascular cerebral (AVC).

Quais são os exames utilizados para identificar esse estado?
Denise: A regra é solicitar um exame sanguíneo para verificar os níveis de glicose. O limite de normalidade é menor do que 100 mg/dL em jejum e, após 2 horas de uma refeição, menor do que 140 mg/dL. Glicemia de jejum alterada deve ficar entre 100-125 mg/dL, e a tolerância diminuída à glicose entre 140-199 mg/dL. O diabetes será identificado se os limites forem maiores ou iguais a 126 e 200, respectivamente.

Como prevenir a doença?
Denise: Através da alteração de hábitos cotidianos. Introduzir atividade física, fracionar as refeições, e reduzir o teor de gordura são medidas que podem mudar a história de quem tem a tendência a ter diabetes.

Quem está mais propenso ao desenvolvimento da doença?
Denise: Pacientes que apresentem quadro de síndrome metabólica, cujos fatores de risco são: obesidade central; circunferência da cintura superior a 88 cm na mulher, e 102 cm no homem; hipertensão arterial: pressão arterial sistólica 130 e/ou pressão arterial diastólica de 85 mmHg; glicemia alterada ou diagnóstico de diabetes; triglicerídeos correspondendo a 150 mg/dL e colesterol (HDL) menor que 40 mg/dL em homens, e menor que 50 mg/dL para as mulheres.

Quais são as novidades de tratamento existentes hoje em dia?
Denise: Além dos medicamentos já disponíveis (sulfoniureia, metfomina e glitazona), novos remédios foram disponibilizados para a redução da glicemia por meio da elevação da insulina, assim como do hormônio glucagon no pós-pradilal, que, ao contrário da insulina, coloca a glicose armazenada nos tecidos, para a circulação. Essas medicações (exenatide e liraglutide), análogas ao GLP1, hormônio responsável pela redução do glucagon e aumento da insulina, têm modificado bastante toda a evolução existente no tratamento .

Pessoas com diabetes tipo 2 precisam tomar insulina?
Denise: A indicação de tratamento para esses pacientes é o uso de medicamento por via oral, mudanças no estilo de vida, e alimentação adequada. Apesar disso, pode ser necessária a insulina, pois o diabetes do tipo 2 apresenta redução na produção desse hormônio.

Qual é o papel da alimentação no tratamento?
Denise: A base do tratamento é o fracionamento dos alimentos, com redução da quantidade de sal e frituras.

E quais seriam os alimentos-chave nesse contexto?
Denise: Aqueles com menor elevação da glicemia, como os carboidratos integrais, associados a fibras solúveis, que retardam o aumento da glicemia no sangue.

 

 



COMENTE!