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Consequências do consumo de álcool

Publicado em 10 de May de 2013 por Ana Paula Ferreira | Comente!

Mesmo quem bebe um pouquinho por dia ou apenas socialmente, aos finais de semana, está suscetível às consequências devastadoras do álcool. O assunto é muito mais sério do que parece



Texto: Rita Trevisan e Thaís Macena / Foto: Shutterstock / Adaptação: Ana Paula Ferreira

Entre os jovens, o consumo do álcool afeta áreas cerebrais encarregadas do raciocínio e

da capacidade de tomar decisões. Foto: Shutterstock

Segundo dados da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (ABEAD), no Brasil existem cerca de 19 milhões de alcoólatras. Acontecem, por ano, 32 mil mortes em decorrência do uso da bebida, 11 mil delas por cirrose. O álcool também está por trás de 60% das mortes no trânsito e 72% dos homicídios.

Apesar desses dados e do contato com as experiências desastrosas de celebridades e anônimos — afinal todos conhecemos alguém que destruiu sua vida por causa do álcool —, a bebida ainda é socialmente aceita, os pais permitem que seus filhos jovens bebam, e o hábito vai se cristalizando ao longo da vida.

Porém, se você é um dos que bebem com frequência, ainda que em pequenas doses ou só nos dias de folga, é bom começar a olhar aquele “inofensivo” aperitivo com outros olhos, deixando o senso crítico apurado vencer o senso comum, aquele que nos diz que “beber é um hábito característico da nossa cultura” ou que “beber é normal”. Pode até ser. Mas estamos falando de um hábito que mata. Cada vez mais. E cada vez mais cedo.

Muito além da cirrose

O álcool é um depressor do sistema nervoso central e age diretamente em diversos órgãos, como o fígado, o coração e o estômago. “Não há qualquer órgão que seja poupado pelo uso de álcool: desde o cérebro, até os nervos longos dos membros inferiores, passando pelo trato digestivo, incluindo boca, esôfago, estômago, intestino e fígado, tudo é agredido pela bebida”, alerta o psiquiatra Carlos Salgado, da ABEAD. Entre eles, o fígado é, sem dúvida, o mais afetado. “Já foi comprovado, sem possibilidades de refutação, que o álcool é o agente causal de dano nas células hepáticas, que se inicia com um simples depósito de gordura, mas vai evoluindo, passando por inflamação e fibrose, até chegar no estágio da cirrose”, explica a hepatologista Edna Strauss, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH). O processo todo pode acontecer muito rapidamente, dependendo da quantidade e da frequência com que se bebe, e também de características genéticas, que regulam a predisposição à doença. Em três anos, o uso constante de álcool pode promover consequências clínicas importantes, afetando o funcionamento do órgão. “O grande problema é que a doença hepática é silenciosa e frequentemente não provoca qualquer sintoma, mesmo na fase de cirrose. Quando aparecem os primeiros sinais, como retenção hídrica, inchaços e acúmulo de água no abdômen, amarelo dos olhos ou perda de sangue pela boca ou pelas fezes, a saúde do paciente já está muito debilitada”, adverte Edna.

O corpo todo sofre

Veja abaixo tudo o que o álcool pode provocar em seu organismo e o que muda do primeiro gole ao consumo regular e prolongado:

As regiões mais afetadas: O álcool aumenta o risco de câncer nas regiões de maior contato com as substâncias tóxicas: boca, laringe, faringe e esôfago.

Cabeça: o consumo regular leva a perdas de memória, que vão se aprofundando cada vez mais. Ao longo dos anos, as lesões nos neurônios podem levar a comprometimentos de ordem motora, chegando a dificultar a fala. Quadros de amnésia e alterações de personalidade também são comuns em dependentes de longa data.

Cérebro: Entre os jovens, o consumo do álcool afeta áreas cerebrais encarregadas do raciocínio e da capacidade de tomar decisões.

Sistema digestório: as substâncias tóxicas do álcool comprometem todo o sistema digestório, aumentando as chances de câncer de boca, laringe, esôfago, estômago e fígado.

Coração: o álcool contribui para o aumento da pressão e ainda agride as células do coração, aumentando o risco de arritmias e insuficiência cardíaca, dois eventos que podem ser fatais.

Estômago: o álcool provoca erosões no estômago, e pode levar a gastrites, e chegar a uma fase mais aguda, com dores insuportáveis e até sangramentos. Além disso, o fígado poderá perder a sua função. Após as constantes agressões dos aditivos químicos das bebidas, o órgão tenta se proteger e cria cicatrizes fibrosas ao seu redor. Ao longo dos anos, elas atrapalham a circulação no local. Aparecem, então, as hemorragias digestivas.

Pernas: muitas lesões neuronais ocasionadas pelo álcool afetam a locomoção. Na síndrome de Wernicke-Korsakoff, uma das doenças mais comuns em alcoólatras, há uma progressiva dificuldade de andar. Na polineuropatia periférica, pés e mãos podem perder completamente a sensibilidade.

 

Revista VivaSaúde edição 106

 

 



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