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Alzheimer: fique por dentro de tudo sobre a doença e veja se é possível evitar

Publicado em 12 de Dec de 2016 por Kelly Miyazato | Comente!

Você sabia? De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um novo caso de Alzheimer ocorre a cada sete segundos. Fique por dentro de tudo sobre a doença e veja se é possível evitar



 


Alzheimer: fique por dentro de tudo sobre a
doença e veja se é possível evitar

Se você não tem um caso na família, tem algum conhecido envolvido nos cuidados de uma pessoa com a doença de Alzheimer. Considerada a causa mais comum de demência em todo o mundo, esta é uma das doenças que provoca ansiedade em todos, gerando um enorme custo emocional e financeiro. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um novo caso da enfermidade ocorre a cada sete segundos. E as estatísticas ainda mostram que, para quem chega aos 85 anos de idade, o risco de desenvolver essa enfermidade é de 50%, ou seja, bem razoável. As principais marcas do Alzheimer são o acúmulo de duas proteínas — beta-amiloide e TAU.

Enquanto a primeira leva à formação de placas que impedem a comunicação entre os neurônios, a segunda gera um novelo, ou emaranhado, que termina por matar a célula nervosa. Tal processo — que se instala até 20 anos antes de o indivíduo ter qualquer sintoma — leva a uma atrofia cerebral progressiva.

  • Quando a genética importa

Todo quadro de demência envolve prejuízos na capacidade de memória, aprendizado, concentração, planejamento, linguagem, orientação ou julgamento. As manifestações podem, ou não, ser acompanhadas por alterações de comportamento ou personalidade, o que os médicos chamam de “sintomas neuropsiquiátricos”, como depressão, apatia, agitação ou alucinações). O Alzheimer é identificado como o principal vilão em cerca de 60% dos casos, e pode até chegar a dois terços em alguns países.

Embora os cientistas conheçam os genes envolvidos na doença, testes genéticos são indicados em casos específicos, quando membros da família têm demência e os sintomas se iniciam por volta dos 50 anos de idade — é o chamado Alzheimer hereditário, que representa apenas 5% de todos os casos. Os 95% restantes são chamados de esporádicos, e, mesmo contando com os genes de risco, é possível não desenvolver a doença.

  • Causas reversíveis

Outras doenças podem provocar manifestações parecidas. “Embora a proporção seja pequena — algo em torno de 5% — há casos potencialmente reversíveis de demência”, explica o geriatra Thiago Mônaco, professor da Faculdade de Medicina da Uninove (SP).

Doenças como hipotireoidismo e até o déficit de vitamina B12 podem produzir sintomas cognitivos e dificuldade de movimentação. E o mais importante: se tratadas antes que o paciente sofra uma grande perda de neurônios, ele volta ao normal. Por isso é tão importante receber um diagnóstico adequado, como ressalta o geriatra. Outras enfermidades capazes de alterar o cérebro, mas pouco associadas à demência pelo público leigo, são infecções como a sífilis e o HIV. Lesões no crânio, como é frequente entre os pugilistas, podem produzir sintomas semelhantes, bem como uma condição conhecida como “hidrocefalia de pressão normal”.

A depressão, que pode surgir como uma consequência do Alzheimer, também pode ser uma causa de demência, quando não tratada adequadamente. “Acredita-se que a depressão tenha um efeito tóxico, mas a principal questão é que a doença faz com que a pessoa tenha pouco cuidado com a saúde”, relaciona o neurologista Fábio Porto, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Nesse caso, se o quadro demencial for apenas consequência da depressão, o tratamento psiquiátrico é suficiente para revertê-lo.

  • Outras demências

Embora o Alzheimer seja identificado como responsável por aproximadamente 60% das demências, outras doenças podem produzir quadro semelhante ou parecido. O entupimento progressivo dos vasos sanguíneos que alimentam o cérebro podem danificar certas áreas associadas à memória e ao aprendizado, o que caracteriza a demência vascular e responde por outros 10% dos casos. A presença de um tumor também pode alterar partes do cérebro e, portanto, essa possibilidade deve ser investigada.

As demências frontotemporais são outro subgrupo de doenças que levam à perda progressiva de neurônios. Porém, enquanto no Alzheimer a atrofia ocorre no hipocampo, responsável pela memória e pela regulação emocional, nesses casos o lobo frontal (da frente), temporal (dos lados), ou ambos são afetados. Segundo Mônaco, os pacientes podem ter uma mudança brusca de personalidade, como passar a apresentar hiperssexualidade, por exemplo. Ou ter dificuldades de linguagem (uso incorreto das palavras), o que é diferente da perda de memória.

Existe, ainda, a chamada demência por corpúsculos de Lewy, que, embora possa levar a perdas cognitivas, não gera lapsos de memória de início. “É comum que o próprio paciente conte que teve confusão mental ou uma alucinação vívida”, fala Mônaco. Incontinência urinária e dificuldades motoras podem levar à suspeita de Parkinson, mas não melhoram com remédios usados para combater essa outra doença neurodegenerativa, que, em alguns pacientes, também causa demência.

  • Tratamento dos sintomas

Ainda não há um fármaco capaz de impedir a progressão do Alzheimer. As medicações usadas hoje (rivastigmina, donepezila, galantamina e memantina), que atuam em neurotransmissores envolvidos no aprendizado e na memória, aliviam os sinais no início. Fármacos psiquiátricos são usados também.

Em relação às pesquisas, combinações de substâncias que inibem tanto a proteína amiloide quanto a TAU são a grande esperança no combate à progressão da doença, segundo o neurologista e pesquisador Serge Gauthier, da Universidade McGill (Canadá). “O momento para iniciar o tratamento importa: o melhor será iniciar antes da demência”, diz. Isso tornará o diagnóstico precoce fundamental no processo. Por enquanto, a boa notícia é que há cada vez mais evidência de que mudanças no estilo de vida, como manter o cérebro ativo, o corpo em movimento e a dieta balanceada, podem ter impacto significativo no adiamento dos primeiros sintomas de Alzheimer e em sua progressão.

 

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*Por Tatiana Pronin | Fontes "Doença de Alzheimer - O Guia Completo" (MG Editores), de Judes Poirier e Serge Gauthier; National Institutes Of Health (NIH); Alzheimer'S Association (ALZ.ORG); Thiago Mônaco (Geriatra e Professor da Faculdade de Medicina Uninove) | NeusaVieira nutricionista (Unifesp) - Suplementos | Ilustração Melissa Lagôa | Adaptação Kelly Miyazzato.
 
 


Revista VivaSaúde | Ed. 162

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