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9 informações sobre o Aedes aegypti

Publicado em 23 de Oct de 2017 por Kelly Miyazato | Comente!

Conhecer as características do transmissor do zika, da dengue e da chikungunya é fundamental para que possamos aprender a nos proteger dessas doenças, por isso, listamos 9 informações que podem te ajudar a entender um pouco mais sobre o Aedes aegypti. Confira!



 

Veja 9 informações sobre o Aedes aegypti

1. Não se trata de uma praga atual

O vetor do zika vírus é originário da África e vem-se espalhando por regiões tropicais e subtropicais do planeta desde o século XVI, período das Grandes Navegações, segundo especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “Ele provavelmente veio em barris e outros recipientes de água dentro das embarcações que traziam escravos”, explica o biólogo Alessandro Athiê, professor do curso de gestão ambiental do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de São Paulo. A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, relata que a primeira epidemia de dengue no continente americano ocorreu no Peru, no início do século XIX, com surtos no Caribe, nos Estados Unidos, na Colômbia e na Venezuela.

2. Erradicação e ressurgimento
Os primeiros relatos de dengue no Brasil datam do final do século XIX, no Paraná, e do início do século XX, no estado do Rio de Janeiro. Naquela época, a principal preocupação do País era com a febre amarela, e as medidas para combater essa doença resultaram na erradicação do Aedes por volta dos anos 1950. No fim da década de 1960, porém, com o relaxamento das medidas, o mosquito voltou a se proliferar e, em 1981, causou a primeira epidemia de dengue bem documentada na literatura no Brasil.

3. Tem relação com o Egito?
O mosquito causador da dengue foi descrito cientificamente, pela primeira vez, em 1762, com o nome de Culex aegypti. Em pouco tempo, verificou-se que o vetor tinha características bem diferentes daquelas dos insetos do gênero Culex, do qual faz parte o pernilongo. O nome definitivo só foi estabelecido em 1818, quando o gênero Aedes foi descrito. Esse nome vem do termo grego que significa “odioso”, enquanto o aegypti refere-se à origem do inseto, o Egito.

4. Só as fêmeas picam
Tanto os machos quanto as fêmeas do Aedes se alimentam de néctar e seiva. Mas a fêmea precisa do sangue humano para o processo de maturação dos ovos. “O macho até pousa na pele, mas só a fêmea pica”, afirma o biólogo Alessandro Athiê. O período em que a voracidade é maior é depois da cópula. Segundo o biólogo, em uma emergência, a fêmea pode picar outros animais. Mas os humanos são de longe seu prato preferido. Também é importante ressaltar que as picadas do Aedes não costumam causar coceira nem deixar marcas.

5. Não só na perna
O Aedes costuma picar mais nas regiões de pés, tornozelos e pernas, uma vez que o inseto costuma voar a uma altura de meio a um metro do solo, apenas. No entanto, caso a pessoa esteja de calça e sapato, nada impede que o mosquito faça um esforço para picar o braço. E quanto a encontrar o mosquito em um apartamento em andar mais alto? Isso é mais difícil de acontecer, embora especialistas alertem que o inseto pode ser levado por correntes de vento e também entrar em elevadores.

6. Diferente do pernilongo
São várias as diferenças entre o Aedes aegypti e o pernilongo comum (Culex quinquefasciatus). Uma delas é o tamanho: enquanto o primeiro mede de 5 a 7 mm de comprimento, o pernilongo é um pouco menor, com 3 a 4 mm. O Aedes é mais escuro e tem linhas brancas no corpo e nas patas, enquanto o Culex tem uma coloração mais voltada para o marrom. Enquanto o transmissor do zika pica mais durante o dia, especialmente no início da manhã e no fim da tarde, o pernilongo ataca mais à noite. Mas vale ressaltar que os mosquitos são oportunistas e, eventualmente, podem picar fora dos horários convencionais.

7. Água limpa ou suja
As diferenças entre o vetor da dengue e o pernilongo também envolvem os locais escolhidos para o depósito dos ovos. Enquanto o Aedes prefere criadouros artificiais, como água limpa e parada de reservatórios ou mesmo pequenos recipientes, o pernilongo prefere água corrente e bem poluída, como rios ou represas. Um estudo recente da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), porém, mostrou que o causador da dengue é altamente capaz de se adaptar e, na ausência de água limpa, pode usar até esgoto bruto para se reproduzir. “A fêmea também prefere locais com sombra, que não estejam diretamente expostos ao sol”, acrescenta o biólogo Alessandro.

8. Ovos em abundância
Uma fêmea pode dar origem a 1.500 mosquitos ao longo da vida. Os ovos são distribuídos em pequenos lotes por diversos criadouros — estratégia que garante a dispersão e a preservação da espécie. Eles têm aproximadamente 0,4 mm de comprimento, por isso são difíceis de ser observados. Assim que depositados, em geral na parede dos recipientes e perto da superfície da água, eles são brancos, mas logo escurecem devido ao contato com o oxigênio.

9. Combate o ano todo
Como os ovos do Aedes podem sobreviver por até um ano, o combate a possíveis criadouros não pode se resumir aos períodos quentes do ano. Além disso, embora a época de maior circulação do mosquito seja de janeiro a maio — meses de chuva e calor —, o País possui condições climáticas que permitem sua sobrevivência o ano todo, como demonstrou um estudo realizado pelo Instituto Butantan, ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Os ovos do Aedes são resistentes ao ressecamento e podem permanecer inativos por até 450 dias, eclodindo quando houver uma chuva, por exemplo.

 

*Texto: Exemplar VivaSaúde: Zika Vírus e Microcefalia – O que a ciência sabe até agora | Ilustrações: Angelo Shuman (Escala – Imagens) | Adaptação Kelly Miyazzato.

 

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