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8 dicas para lidar com o medo de forma eficaz

Publicado em 31 de Oct de 2017 por Kelly Miyazato | Comente!

Você sabia que o temor de ficar doente ou sozinho, por exemplo, pode estar relacionado às crenças construídas ao longo de nossas vidas? Portanto, para aprender a gerenciá-lo é necessário adotar algumas mudanças. Listamos 8 dicas para lidar com o medo de forma eficaz. Confira!



 

Veja 8 dicas para lidar com o medo
de forma eficaz

Não é de hoje que artistas e filósofos se debruçam sobre o medo na tentativa de compreendê-lo. “O medo é tão profundo quanto a mente permite”, já dizia um antigo provérbio japonês. Ou, mais recentemente, “o medo é uma força que não me deixa andar”, define o músico Lenine na canção Miedo. Esforços à parte, sabemos que o medo é uma reação fisiológica intensa, experimentada quando nos deparamos com uma situação real de perigo. “O medo é positivo à medida que protege a vida, preparando a pessoa para lutar ou fugir de situações perigosas. Mas é negativo quando passa a dificultar as relações sociais da pessoa”, sinaliza Angélica Capelari, professora do curso de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

  • Pensamentos fantasiosos

A ansiedade é outra face do medo. Nesse caso, o temor não é direcionado para eventos reais, mas para situações hipotéticas – como medo de adoecer e da solidão. Em todas elas, o que está por trás do problema é uma intolerância às incertezas da vida real. “Para vivermos uma existência plena, precisamos aceitar viver sem garantias”, pontua André Luiz dos Santos Pereira, psicólogo da Associação de Terapias Cognitivas do Estado do Rio de Janeiro (ATC-RJ).

É comum, ainda, que pessoas com transtornos de ansiedade apresentem distorções de pensamento que contribuem para a manutenção do temor. Assim, para lidar com o medo de forma eficaz, é preciso mudar o modo de enxergar o problema em questão.

A terapia, principalmente de orientação cognitivo-comportamental, pode ser de grande ajuda nesse processo. “A raiz do medo tem a ver com o significado que damos ao acontecimento e como avaliamos a nossa capacidade de superá-lo. Por exemplo, alguém que entende que a demissão é uma desmoralização social completa vai enfrentar um desafio diferente daquele que vê isso como uma ameaça à estabilidade financeira. Esses significados têm a ver com as crenças que cada um de nós construiu ao longo da vida”, complementa Aline Sardinha, doutora em saúde mental e diretora da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Veja, a seguir, como gerenciar alguns medos comuns.

  • 1. Solidão

O cenário: outros receios estão no cerne desse sentimento: não receber amparo quando se precisa e não vivenciar trocas afetivas.

A estratégia: o medo perdura enquanto você estiver fugindo dele. A dica é se expor, gradualmente, ao que causa temor. “É menos doloroso sofrer alguns instantes, enfrentando-o e desmistificando-o, do que conviver com o seu fantasma, durante a vida”, diz a psicóloga Jovita Hufen da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC). “Retome o contato consigo e tente resolver seus problemas. Logo se sentirá independente”, completa.

  • 2. Morte

O cenário: o medo da morte também pode ser o temor da saudade, de sentir dor e a diluição da identidade.

A estratégia: vale uma reflexão sobre como a morte é entendida. “Se vista como algo natural, que ocorre com todos e que nos entristece, mas podemos superá-la, o medo reduz”, destaca Aline. E a forma como se lida com o luto é importante. “Ao pensar que se alguém próximo falecer eu não saberei viver sem essa pessoa, o medo será maior”, finaliza.

  • 3. Adoecer

O cenário: o perigo relaciona-se à dor e à morte. “Tenta-se evitar sofrer de forma intensa, perder a qualidade de vida ou a chance de estar mais tempo vivo ao lado de pessoas importantes e realizando objetivos de vida”, decifra o psicólogo Pereira (RJ).

A estratégia: uma pessoa com medo de contrair uma doença pode evitar exames médicos. Ao fugir, a ansiedade diminui, mas o medo aumenta. O ideal, é enfrentar o que gera medo. “A esta reação dá-se o nome de habituação”, diz Pereira. Outra boa atitude é reestruturar os pensamentos para ir ao núcleo do problema. “Ao entender seu medo, a pessoa terá mais chances de manejar de forma mais funcional sua ansiedade”, completa.

  • 4. Envelhecer

O cenário: quem tem medo do envelhecimento teme, na verdade, a deterioração das funções do corpo, das relações sociais, a perda da beleza, a perspectiva da morte, o envelhecer só, sentir-se inútil ou mesmo não ser capaz de concretizar uma recolocação no mercado de trabalho por conta da idade avançada.

A estratégia: como o medo geralmente se estabelece de situações desconhecidas, a melhor estratégia é aprender a envelhecer com nossos próprios pares. Sendo assim, o ideal é procurar na família ou na mídia exemplos de pessoas que enfrentam o passar dos anos de modo ativo, trabalhando e produzindo. Bons modelos não faltam. “Artistas como Mauricio de Souza, Marília Pera e Milton Nascimento já passaram da casa dos 70 anos sem que a opinião pública, de modo geral, os percebam como idosos”, lembra a psicóloga Angélica Capelari.

  • 5. Crescer

O cenário: o medo de crescer pode representar para o jovem excesso de responsabilidade, perda de amigos, crises financeiras, perda dos pais, aproximação da morte, trabalho pesado ou ainda perda da suposta “melhor fase da vida”.

A estratégia: “As nossas interpretações dos acontecimentos determinam as nossas emoções. Muitas pessoas podem ter recebido informações distorcidas dos próprios pais sobre o que é ser adulto”, explica Pereira. “Há, ainda, pessoas que foram superprotegidas na infância e que não desenvolveram uma autoestima segura, tornando os desafios normais da vida adulta em ameaças que terão dificuldades em enfrentar”, acrescenta. Acontecimentos interpretados como negativos podem ser apenas incertos.

  • 6. Escuro

O cenário: qualquer situação que tenha gerado medo na criança algum dia – como um relato de violência ouvido na televisão, por exemplo — pode ser imaginada futuramente como “escondida” no escuro. “A criança vê este escuro como algo perigoso, no qual monstros ou bandidos poderão emergir a qualquer momento para machucá-la ou levá-la para longe dos pais”, revela Caroline Drehmer Pilatti, psicóloga da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC).

A estratégia: os pais precisam compreender o medo da criança sem desmerecê-lo. Para isso, podem acompanhar as crianças aos locais onde elas não se sentem seguras, mostrando o ambiente, fazendo conferências no local e permanecendo um tempo com ela. Ursinhos, bonecas ou mesmo luzes indiretas também funcionam como objetos de segurança. “Jamais obrigue a criança a permanecer num local onde ela não está se sentindo segura. Exigir que ela fique no escuro, por exemplo, pode intensificar mais o medo”, adverte Caroline.

  • 7. Casar

O cenário: graças a diversas conquistas sociais, o casamento é hoje uma instituição que pode ser desfeita quando não há mais amor entre o casal. Sendo assim, o medo de envolvimento afetivo pode ser um temor inconsciente da separação: evita-se o sofrimento do divórcio não casando. A convivência com o parceiro ao longo dos anos também pode ser entendida como um peso, levando ao afastamento.

A estratégia: o ideal é refletir sobre as fantasias acerca da separação. Nem todos os casamentos terminam em divórcio. Os “pactos” que envolvem a relação podem ser atualizados com o passar dos anos, gerando aproximação afetiva e cumplicidade para que os problemas matrimoniais sejam enfrentados em conjunto. Uma segunda estratégia é refletir sobre os sinais que o parceiro possa estar emitindo e que levam ao afastamento. “Por exemplo, quando o parceiro vem de uma família complicada, pode haver a ideia de que se casar com ele é levar o ‘pacote’ junto”, ilustra Angélica.

  • 8. Fracassar

Cenário: pessoas que têm medo de falhar geralmente alimentam a crença que devem ser perfeitas. Com isso, temem se frustrarem e frustrarem os outros. A baixa autoestima também está associada ao problema.

A estratégia: “Uma dica é a pessoa fazer atividades que desenvolva a sua autoconfiança”, sugere Jovita Hufen, psicóloga da ABPMC. Outra estratégia é mudar a percepção do que é o fracasso, tornando-o mais leve. “O fracasso é muitas vezes parte do processo de aprender a vencer. Muitas pessoas têm medo de falhar porque provavelmente desconhecem o que realmente é preciso para terem sucesso”, explica.

 

*Por Leonardo Valle | Ilustração Isa Santos | Adaptação Kelly Miyazzato.

 

Revista VivaSaúde | Ed. 126

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