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Edição 9 - Janeiro/2005
 
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  "Tive um infarto aos 26 anos"
Depois do susto, o analista de sistemas Danilo Iurovski acordou para a vida. Deixou de fumar, começou a fazer ginástica e tornou-se pai

DEPOIMENTO A DANIELA TALAMONI

FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Dois anos após o problema, Danilo só pensa em seu bem-estar
"Há dois anos, numa quarta-feira, aceitei o convite de um amigo para ir ao estádio ver meu time jogar. Na saída, enquanto andávamos até o carro, perdi o fôlego e comecei a sentir fortes dores no peito. O incômodo persistiu até o fim de semana. Pensei que fosse apenas falta de condicionamento físico.

Na segunda-feira, mesmo sem conseguir dormir por causa da dor e sob protesto da minha esposa, Patrícia, fui trabalhar. Na hora do almoço, engoli um cheese salada, fumei um cigarro e voltei ao computador. Foi a gota d'água. Tive dor de cabeça, tontura e a pressão no peito piorou - como se alguém apertasse o meu coração nas mãos.

Procurei o ambulatório e a médica de plantão imediatamente me orientou a colocar um comprimido debaixo da língua. De lá fui direto para o hospital. Logo fiquei consciente e disposto e só quando avisaram que faria uma angioplastia para desobstruir uma artéria soube que o mal-estar era, na verdade, um infarto! Três dias após a cirurgia, o médico disse que minha situação era grave: outras cinco artérias tinham 80% a 90% de obstrução e impediam a passagem total do sangue para o coração. Eu precisaria recorrer às pontes de safena, mamária e radial. Foi constatado que, por herança genética, tinha facilidade de acumular colesterol e minhas artérias eram muito estreitas.

Então, tudo ficou claro
Lembrei que meu pai infartou com 40 anos e que meu dia-a-dia estava uma loucura. Nunca me preocupei em fazer exames cardiológicos completos - e ninguém disse que precisava. Depois dos 20, me tornei sedentário, ganhei peso e fumava um maço de cigarros por dia. Só agora entendo porque meses antes do infarto tinha gastrite com freqüência e me sentia indisposto. Esse exame de consciência foi tão importante para minha recuperação quanto o apoio da família. Hoje, vou ao cardiologista a cada seis meses, caminho todos os dias, tomo a medicação e tento trabalhar mais relaxado. Afinal, sempre achei a vida muito boa para ser desperdiçada. E com o nascimento da minha filha Isabela - um ano depois do infarto -, ainda mais."

ENTENDA BEM
 
ILUSTRAÇÃO: MARCELO GARCIA
Em artérias coronárias finas e frágeis, maior a tendência de obstrução
Uma junta médica diagnosticou que Danilo tinha dislipidemia (tendência ao aumento de colesterol no sangue), aterosclerose avançada (grande acúmulo de placa de gordura nas artérias), além de disfunção do endotélio (enfraquecimento e diminuição das paredes dos vasos). Para piorar, ele fumava e era sedentário. Segundo o cardiologista Eduardo Yskandar Jabbour, dos hospitais Oswaldo Cruz e Sírio-Libanês, de São Paulo, o caso é grave, especialmente considerando sua idade. Mas o acompanhamento médico e novas drogas podem ajudar a amenizar o problema. "Fazer exercícios, por exemplo, favorece a formação de uma nova rede de vasos que, com o tempo, ajudará a suprir a falta de sangue para o coração", explica o especialista.
   


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