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"Tive um infarto aos 26 anos" Depois do susto, o analista de sistemas Danilo
Iurovski acordou para a vida. Deixou de fumar,
começou a fazer ginástica e tornou-se pai
DEPOIMENTO A DANIELA TALAMONI
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| Dois anos após o
problema, Danilo só
pensa em seu bem-estar |
"Há dois anos, numa quarta-feira, aceitei o convite de um amigo para ir ao
estádio ver meu time jogar. Na saída, enquanto andávamos até o carro, perdi o
fôlego e comecei a sentir fortes dores no peito. O incômodo persistiu até o fim
de semana. Pensei que fosse apenas falta de condicionamento físico.
Na segunda-feira, mesmo sem conseguir dormir por causa da dor e sob protesto
da minha esposa, Patrícia, fui trabalhar. Na hora do almoço, engoli um cheese
salada, fumei um cigarro e voltei ao computador. Foi a gota d'água. Tive dor de
cabeça, tontura e a pressão no peito piorou - como se alguém apertasse o meu coração
nas mãos.
Procurei o ambulatório e a médica de plantão imediatamente me orientou a colocar
um comprimido debaixo da língua. De lá fui direto para o hospital. Logo fiquei
consciente e disposto e só quando avisaram que faria uma angioplastia para desobstruir
uma artéria soube que o mal-estar era, na verdade, um infarto! Três dias após
a cirurgia, o médico disse que minha situação era grave: outras cinco artérias
tinham 80% a 90% de obstrução e impediam a passagem total do sangue para o coração.
Eu precisaria recorrer às pontes de safena, mamária e radial. Foi constatado que,
por herança genética, tinha facilidade de acumular colesterol e minhas artérias
eram muito estreitas.
Então, tudo ficou claro
Lembrei que meu pai infartou com 40 anos e que meu dia-a-dia estava uma loucura.
Nunca me preocupei em fazer exames cardiológicos completos - e ninguém disse que
precisava. Depois dos 20, me tornei sedentário, ganhei peso e fumava um maço de
cigarros por dia. Só agora entendo porque meses antes do infarto tinha gastrite
com freqüência e me sentia indisposto. Esse exame de consciência foi tão importante
para minha recuperação quanto o apoio da família. Hoje, vou ao cardiologista a
cada seis meses, caminho todos os dias, tomo a medicação e tento trabalhar mais
relaxado. Afinal, sempre achei a vida muito boa para ser desperdiçada. E com o
nascimento da minha filha Isabela - um ano depois do infarto -, ainda mais."
ENTENDA BEM |
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| Em artérias coronárias finas e frágeis, maior a tendência de obstrução |
Uma junta médica diagnosticou que Danilo tinha dislipidemia (tendência ao aumento
de colesterol no sangue), aterosclerose avançada (grande acúmulo de placa de gordura
nas artérias), além de disfunção do endotélio (enfraquecimento e diminuição das
paredes dos vasos). Para piorar, ele fumava e era sedentário. Segundo o cardiologista
Eduardo Yskandar Jabbour, dos hospitais Oswaldo Cruz e Sírio-Libanês, de São Paulo,
o caso é grave, especialmente considerando sua idade. Mas o acompanhamento médico
e novas drogas podem ajudar a amenizar o problema. "Fazer exercícios, por exemplo,
favorece a formação de uma nova rede de vasos que, com o tempo, ajudará a suprir
a falta de sangue para o coração", explica o especialista. |
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