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Edição 9 - Janeiro/2005
 
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  Estrabismo: problema em dobro
Além de lutar contra o incômodo de uma visão deficiente ou dupla, os estrábicos (cerca de 4% da população mundial) ainda precisam superar o preconceito

POR DANIELA TALAMONI

1 O que é estrabismo?
Trata-se da perda do posicionamento normal dos olhos, conhecida popularmente como 'vesguice', que faz com que apenas um olho ou ambos sejam desviados para dentro (esotropia), para fora (exotropia), para cima ou para baixo (hipertropia). Esse desvio pode se apresentar de três formas: constante (permanentemente observado), intermitente (quando os olhos estão a maior parte do tempo alinhados e o desvio se dá eventualmente, em momentos de cansaço ou em locais muito iluminados) e latente (o distúrbio só é mesmo perceptível após a realização de testes específicos).

2 O que pode causar esse desvio ocular?
Esqueça os mitos, como aquele que diz que uma pessoa é capaz de ficar vesga caso esteja entortando o olho de propósito e for surpreendida por uma rajada de vento. O problema, na maioria dos casos, é hereditário e se manifesta na infância, em decorrência de um desequilíbrio nos músculos que movimentam os olhos provocado por parto prematuro, doenças congênitas, elevado grau de hipermetropia, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, entre outros fatores genéticos. Quando o estrabismo é adquirido na fase adulta, porém, as causas mais comuns para essa alteração ocular são traumatismos cranianos, acidente vascular cerebral (derrame), infecções cerebrais (como meningite), diabetes e disfunções da tireóide.

3 Como os estrábicos enxergam?
Depende da idade em que o desvio ocular aparece. Numa situação normal, ao fixar-se num objeto, cada olho focaliza na retina uma imagem nítida. Essas duas imagens, idênticas, são transmitidas até uma região do cérebro chamada córtex occipital e daí são fundidas em uma única, de percepção tridimensional. Quando há estrabismo, a mensagem enviada à região cerebral pelo olho desviado não é nítida, ao contrário da emitida pelo globo ocular saudável. Então, duas imagens diferentes são geradas e os olhos passam a interpretá-las das seguintes formas: até os sete anos, o sistema visual das crianças ainda está em desenvolvimento e possui um mecanismo natural de adaptação capaz de eliminar a imagem distorcida. Nesta faixa etária, os portadores do defeito enxergam pouco, embaçado, mas ainda não têm uma visão dupla das coisas. Essa deficiência é conhecida como ambliopia ou 'olho preguiçoso'. É a melhor fase para fazer a correção. Depois dessa idade ou quando a 'vesguice' acontece na fase adulta, não se pode mais contar com esse mecanismo e o cérebro passa a considerar as duas imagens. Ou seja, os estrábicos enxergam tudo em dobro.

4 É verdade que o defeito visual causa dor de cabeça?
Sim, se o problema surge após o desenvolvimento normal da visão e gera imagens duplas. O esforço involuntário que os estrábicos fazem para manter os olhos alinhados pode desencadear cefaléias. A maioria também apresenta dores oculares e até torcicolo. Este último sintoma afeta em especial as crianças que, na tentativa de enxergar uma imagem única, giram ou inclinam a cabeça para uma determinada posição. O estrabismo também dificulta o aprendizado na fase escolar e muitas vezes impede que uma pessoa perambule sozinha pelas ruas, por oferecer noção ilusória das distâncias e relevos. O maior de todos os incômodos, no entanto, é o desvio anti-estético. Os pacientes, principalmente adolescentes, revelam grande dificuldade em manter um bom convívio social.

5 Há cura para o problema?
Sim, mas dependerá do tipo de estrabismo e da rapidez com que o desvio for diagnosticado e tratado. Cada caso exige um tipo de cuidado, desde o uso de óculos especiais e do método de oclusão (no caso de 'olho preguiçoso', usa-se um tampão aderente à pele ou membrana fosca colada em uma das lentes dos óculos) até a aplicação de toxina botulínica (botox) nos músculos oculares e cirurgia.

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