A tensão parece fazer parte do dia-a-dia, como uma característica inerente aos tempos modernos. Embora a humanidade tenha enfrentado todo tipo de adversidade ao longo da evolução, o que vivemos hoje é um momento em que as mudanças são grandes e se processam num espaço curtíssimo de tempo. Como é impossível acompanhar todas elas, a sensação que permanece é a de que estamos ficando para trás. Como se não bastasse, não há um consenso sobre os valores que norteiam a sociedade, o que cria um estado de insegurança, pois cada um tem que criar sua própria ordem moral.
Nesse cenário, não só a ansiedade cotidiana como os transtornos de ansiedade encontram terreno propício para se proliferar. Segundo pesquisa do ambulatório de ansiedade no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo, 20% da população brasileira sofre com algum tipo de problema relacionado à sensação de alerta constante. Ela é desencadeada pela percepção de uma ameaça futura, relacionada a um perigo abstrato ou desconhecido. Esse, aliás, é o ponto que distingue o medo da ansiedade. Enquanto o primeiro refere-se a uma ameaça objetiva - um homem desconhecido que nos segue a passos largos -, o segundo tem a ver com uma possibilidade que nos causa certa preocupação - como o fato de acharmos que não conseguiremos entregar um trabalho a tempo.
O corpo dá o recado
Quando mantida sob controle, a ansiedade é uma grande aliada. "É o desconforto que ela causa que nos impulsiona para a ação. Se há algo de novo querendo vir à consciência, isso pode se manifestar na forma de uma sensação de ansiedade. E, quando enfrentamos o desafio, crescemos com ele", defende Joel Sales Giglio, professor do departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Unicamp.
É como se a ansiedade fosse um recado do corpo, avisando que o bem-estar está ameaçado. Ela nos obriga a sair da área de conforto para enfrentar as dificuldades impostas pelo ambiente. E é justamente quando ultrapassamos esses obstáculos que adquirimos novas habilidades, em todas as áreas da vida.
Saúde em risco
Quando a ansiedade torna-se exagerada e toda e qualquer mudança de hábitos parece não surtir efeito, é preciso procurar ajuda especializada. Ignorar essa sensação é o caminho mais curto para vir a sofrer de um transtorno, com sérios riscos à saúde. "Uma ansiedade intensa pode desencadear ou agravar uma série de doenças, desde alterações na pressão arterial a desarranjos no sistema digestório", alerta o psiquiatra Luiz Vicente Figueira de Mello.
Isso sem falar nas dificuldades de relacionamento. Num ambiente de trabalho, por exemplo, a ansiedade exagerada pode nos fazer reagir de maneiras extremamente agressivas, interpretando pequenos aborrecimentos como grandes ameaças. Outra faceta desse desequilíbrio emocional pode ser a dificuldade de raciocinar com clareza e até mesmo de tomar atitudes práticas, gerando um comportamento contraproducente.
Porém, existem tratamentos direcionados a todos os tipos de transtornos. A terapia cognitivocomportamental (TCC), por exemplo, é uma das técnicas mais usadas na atualidade, pois ajuda a modificar a linha de raciocínio do paciente, auxiliando-o na tentativa de redimensionar os problemas.
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