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  Hora do almoço
Encontre os 7 erros durante a refeição que podem levar à obesidade infantil. Saiba o que fazer para virar esse jogo

POR SÍLVIA DALPICOLO ILUSTRAÇÃO REGISCLEI

Já foi dado o alerta: o número de crianças obesas aumenta ao redor do globo. O país campeão de meninos e meninas em guerra contra a balança são os EUA, cujos índices aumentam a cada ano. Nos últimos 30 anos, a quantidade de casos triplicou no país e hoje chega a aproximadamente 17% das crianças e adolescentes.

Enganam-se os que pensam que o problema está apenas na terra do Tio Sam. O Brasil também luta contra a obesidade infantil. Por aqui, a estatística aumentou cinco vezes nos últimos 20 anos e está bem próxima do número norte-americano. Uma pesquisa feita pelo departamento de Medicina Integral, Familiar e Comunitária da Universidade Estadual do Rio de Janeiro aponta que 15,6% de crianças e adolescentes entre 10 e 19 estão acima do peso considerado ideal para sua idade. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprova esses dados. No estudo com três mil voluntários entre dois e seis anos, de nove Estados brasileiros, o resultado é preocupante: 27% deles estão com os ponteiros da balança acima do esperado e 11%, com obesidade.

Graves consequências
À medida que as crianças crescem, estica também o número de doenças decorrentes do problema. Hipertensão, diabetes tipo 2, aumento das taxas de colesterol são apenas alguns dos males que podem dar as caras já na infância ou aparecer na idade adulta.

"A curto prazo surgem problemas emocionais, pois a criança começa a ser excluída pelos colegas. Além disso, elas passam a sofrer com dores nas costas, joelhos e pés, falta de ar e pouca resistência em atividades físicas. E, quando atingem a maioridade, o grande fantasma é a síndrome metabólica, que eleva o risco de doenças cardiovasculares", lista Durval Damiani, chefe da unidade de Endocrinologia Pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Onde está o perigo
Há diferentes fatores que contribuem para a garotada ficar rechonchuda. Além da má alimentação, o sedentarismo dá um empurrãozinho para o aumento de peso. "Crianças gastam muito tempo em frente ao computador, assistindo à tevê ou no videogame. A atividade física, apesar de existir, é insuficiente para compensar o consumo excessivo de energia", alerta Rose Vega Patin, nutricionista e especialista em Nutrição Materno-Infantil da Unifesp.

"Os erros estão em toda parte. Começa sempre com a predisposição genética. Depois, os maus hábitos alimentares em casa. Certas escolas, em vez de educar para uma dieta saudável, estimulam o consumo de comidas calóricas. Algumas delas disponibilizam restaurantes fast food para os alunos. Um absurdo", comenta Damiani.

O culpado mora em casa
Responda rápido: onde a criançada faz sua pior refeição? Para quem disse na escola ou na creche, errou feio. Na mesma pesquisa realizada pela Unifesp, uma bomba para os pais: os pequenos estão se alimentando mal na própria casa. Isso porque eles apresentam carência de nutrientes ingeridos nas principais refeições (café-da-manhã, almoço e jantar), normalmente feitas em casa. Enquanto o consumo de produtos com alto teor de colesterol e gorduras trans são altos, na contramão está a baixa ingestão de fibras, vitaminas e ferro. Em outras palavras: eles ingerem poucas frutas, legumes e verduras e muitos doces, gorduras e sal.

"São poucas famílias que têm o hábito de almoçar e jantar e acabam recorrendo a refeições rápidas, com produtos prontos ou semiprontos. Em alguns casos até, as crianças têm jornadas longas nas escolas e se alimentam nos refeitórios. Apesar de existir alimentação de qualidade nesses locais, com variedade de frutas, legumes e verduras, a criança não tem o costume de consumi-los, simplesmente porque não o adquiriu em casa", adverte Rose.

E, já que é de pequeno que se torce o pepino, ainda dá tempo de eliminar os erros da alimentação e investir em novos hábitos. Que tal começar agora?

Erro nº 1
Pratos limpo
Fazer a criança comer tudo que está no prato é o erro mais comum. E, nele, também está incluso outro deslize: os pais servirem a mesma quantidade de comida que colocam para eles, porque, obviamente, o organismo da meninada precisa de menos para garantir o bom funcionamento. "Aquela quantia que a mãe coloca no prato não é a que o filho precisa ingerir. Tem que comer o quanto tem disposição no momento", esclarece Fábio Ancona Lopez, pediatra, nutrólogo e professor de Nutrologia do departamento de Pediatria da Unifesp. "A diferença entre a alimentação adulta e a infantil é o tamanho das porções. Qualidade e variedade devem existir para ambos", conta Rose Vega Patin. Para não pecar com o excesso, o ideal é a própria criança se servir ou sinalizar aos responsáveis quanto é o suficiente. Os pais não devem encarar a situação como preguiça ou má vontade do filho para comer. Respeite o organismo do pequeno. Se ele ainda sentir fome, pedirá mais.

AS PRINCIPAIS CARÊNCIAS DE NUTRIENTES ESTÃO NAS REFEIÇÕES FEITAS EM CASA, COMO CAFÉ-DA-MANHÃ, ALMOÇO E JANTAR

Erro nº 2
Troféu comilão

Quem nunca prometeu um brinquedo, um doce, um passeio com o coleguinha ou outros brindes para a criança raspar o prato? O mesmo vale para castigos: proibir a tevê, o jogo e a brincadeira. Não use a comida para puni-la. Ela não deve se sentir forçada a comer, e, sim, estimulada. "Não se deve adotar uma conduta emocional em relação à comida, pois o pequeno pode deixar de comer em função disso. Assim, você estabelece distúrbios de comportamento e de bem-estar que podem refletir na vida inteira", adverte Lopez. Experimente explicar o quão bem aquele alimento pode fazer para seu crescimento e desenvolvimento. Faça também a sua parte e dê o exemplo.

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