Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000    
Viva Saúde
Edição 66
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 



  Cuidado: articulações frágeis
Apesar de dolorosa e, em casos mais graves, debilitante, a osteoartrite pode, sim, ser interrompida ou até mesmo revertida

por juliana ribas / foto fabio mangabeira

A osteoartrite é a doença reumática que mais atinge pessoas acima de 65 anos de idade e a principal causa de invalidez em todo o mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde do Brasil, 15 milhões de pessoas sofrem do problema por aqui. Isso equivale a 80% da população acima de 70 anos. Por isso, a osteoartrite merece uma grande atenção de médicos, pesquisadores e pessoas suscetíveis à doença.

Sua principal característica é o processo inflamatório das articulações (pontos de junção entre dois ou mais ossos) na maioria das vezes crônico. Com o tempo, pode provocar desgaste da cartilagem e do osso envolvidos na articulação, o que muitas vezes causa dor e rigidez. Em estágios mais graves, esse desgaste pode levar à destruição óssea da articulação, e ocasionar deformidades em membros, como as mãos.

O diagnóstico preciso é feito principalmente por meio de radiografias, e, quando as causas são desconhecidas, é classificada de primária. Mas quando é decorrente de infecções, lesões ou uso excessivo das articulações, o quadro se torna secundário. É uma doença auto-imune, ou seja, é uma reação do sistema imunológico contra tecidos do próprio organismo, e é mais comum entre as mulheres.

Geralmente a doença se instala na meia-idade, por volta dos 50 anos, mas se agrava a partir dos 60. "Entretanto, há pacientes que podem adquiri- la por volta dos 30 anos ou antes, na chamada osteoartrite precoce", diz João Marcos Domingues Dias, professor associado do departamento de Fisioterapia da Universidade Federal de Minas Gerais. Ela pode ocorrer em atletas de alta competitividade, como atletas olímpicos, que expõem as articulações a um estresse excessivo, provocando um desgaste precoce da cartilagem articular.

Obesidade, fator de risco
Embora sejam várias as causas que levam ao aparecimento da doença, "a obesidade é considerada o fator de risco mais fortemente associado ao surgimento e ao agravamento da osteoartrite", afirma Dias. Mesmo o sobrepeso já é responsável por uma alta incidência da patologia. "Principalmente em articulações de descarga de peso, como o joelho", alerta o professor de Fisioterapia.

Lesões ou traumatismos não tratados corretamente na idade jovem também predispõem a articulação a um desequilíbrio osteomuscular, culminando futuramente em um quadro de osteoartrite. "Isso se deve principalmente ao desequilíbrio muscular imposto à articulação lesada, que se agrava em idades mais avançadas", afirma Dias. Atividades repetitivas e sem intervalos de descanso também impõem um grande estresse sobre determinadas articulações, provocando microlesões na cartilagem e desencadeando um processo degenerativo e crônico característico da doença.

Cercada de mitos
É importante desmitificar duas crenças sobre a osteoartrite: que ela é inevitável ao processo de envelhecimento e que seu tratamento não é eficaz. Isso não é verdade, felizmente. O tratamento pode ser eficiente, sim, e as estratégias variam conforme o caso. "Se for possível aliviar a dor somente com os meios físicos, como fisioterapia e acupuntura, é melhor", diz o ortopedista Caio Mario Paes Bezerra, médico do Hospital Abreu Sodré, em São Paulo, que atende jovens pacientes da AACD (Associação de Assistência da Criança Deficiente). "A literatura científica sinaliza que hoje a abordagem não medicamentosa da osteoartrite deve ser a escolha terapêutica mais empregada", concorda Dias. Mas, infelizmente, a minoria consegue ser tratada sem remédios. "Na minha experiência, não passam de 15%", calcula Bezerra.

A maioria tem mesmo que partir para um tratamento com drogas. Geralmente, no início, com antiinflamatórios não hormonais. Se não fazem efeito, aí são receitados os hormonais.

"O paciente quer tomar sempre, porque alivia a dor", afirma Bezerra. Mas, segundo o ortopedista, o médico deve tomar cuidado, porque essas drogas têm efeitos colaterais fortes, como edema (inchaço) crônico, osteoporose e distúrbio do aparelho endócrino.

Por "competirem" com esse sistema, o desregulam. Elas só podem ser usadas por um período limitado, que vai depender de cada caso.

Além disso, o paciente que sofre de osteoartrite é orientado quanto à postura correta e à prática de exercícios físicos. Na fase aguda, um dos mais recomendados é a hidroginástica. Depois que a dor é amenizada, a pessoa pode praticar exercícios aeróbicos e musculação. "Quanto mais melhorar a condição muscular dos membros, melhor, desde que o paciente não esteja sentindo dor ou edema", diz Bezerra (leia mais sobre tratamentos no quadro Tem alívio, sim).

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>

Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde
Cadastre-se já no boletim da revista Viva Saúde



Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000