Era um dia como outro qualquer na vida do advogado Antonio Julio Fontana Rotondi, oito anos atrás. Morador do Pacaembu, bairro paulistano, ele levou os filhos na escola. Ao voltar para o café-da-manhã, sentiu uma forte dor de cabeça, "como agulhadas". Tomou um analgésico, que aliviou o sintoma, e foi para o escritório. Lá, a esposa, também advogada, notou que havia algo estranho. A boca de Antonio tinha repuxado para o lado. Ele insistia que estava bem, mas, ao ficar de pé, uma das pernas cedeu e ele caiu. Em oito minutos estava no Instituto do Coração, ali vizinho. O Hospital das Clínicas, para onde foi transferido, propôs utilizar uma medicação experimental naquela ocasião, um trombolítico. A família aceitou e Antonio foi salvo. Desde então faz fisioterapia três vezes por semana e leva uma vida normal, apenas com limitação de uso do braço esquerdo e um leve mancar da perna esquerda.
Valeram o socorro rápido e o novo medicamento, hoje adotado na rotina hospitalar. Os trombolíticos se consolidaram nos primeiros anos do novo século como a mais consistente boanova para o combate de choque aos efeitos do acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. A doença é a maior causa de mortalidade no Brasil e uma das principais causas de hospitalização e incapacidade. De acordo com o Ministério da Saúde, o AVC responde por cerca de 30% dos óbitos no país e, a cada três mortes por eventos vasculares, duas são por derrame e uma por infarto do miocárdio. "Hábitos de vida e exposição a fatores de risco explicam o número crescente de casos", afirma Li Li Min, professor associado do departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.

Entre os mais jovens
Outro dado preocupante é a crescente ocorrência de AVC entre pessoas com menos de 45 anos, seguindo uma tendência já observada também em relação ao infarto, e varia bastante dependendo do país. Na Europa, esse índice é em média de 5%, aumentando para 10% nos EUA e variando entre 20% e 30% nos países mais pobres, conforme dados citados pelo neurologista Mauro Augusto de Oliveira, professor da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas. Doenças crônicas mal controladas e repercussões de hábitos pouco saudáveis ajudam a explicar o avanço entre os mais jovens.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>