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Geração álcool Um furacão entra em casa e desestrutura a família quando um dos filhos se entrega de corpo e alma à bebida alcoólica. Veja como driblar essa situação difícil, mas que pode ser controlada com diálogo e compreensão
POR JANETE TIR
Tudo começa como uma brincadeira. Primeiro um golinho só para experimentar. Mesmo que o sabor não tenha sido tão bom assim, a criança arrisca pedir mais um pouco, afinal foi o alvo da atenção da família inteira e essa é uma sensação boa. Depois, a façanha se repete no próximo almoço de domingo ou, quem sabe, numa festinha de aniversário. Esse é o princípio de um círculo vicioso — bebida alcoólica, centro das atenções, risos de alegria — que pode jogar uma vida que mal se iniciou na dependência do álcool.
“É assim mesmo, pelo estímulo dos familiares, que a maioria dos casos de adolescentes que abusam do consumo de álcool começa. O exemplo deve ser dado em casa, porque, quanto mais tarde a criança tiver contato com bebidas alcoólicas, menores serão os riscos de ter um problema futuro”, diz o médico psiquiatra Marcelo Niel, colaborador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo o psiquiatra, “as crianças estão começando a beber cada vez mais cedo. Com 11 ou 12 anos já vão para o pronto-socorro apresentando problemas de abuso de álcool”. Esse dado, também confirmado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma constante no dia-a-dia do chefe do serviço mental do Hospital Municipal Lourenço Jorge, no Rio de Janeiro, Leonardo Gama Filho. “Tenho 18 anos de atendimento em pronto-socorro e cada vez mais os médicos psiquiatras são solicitados a atender casos de intoxicação por álcool e outras drogas em unidades de pediatria, que resultam em acidentes, alterações comportamentais”, diz.
"Tenho 22 anos, há um ano estou em abstinência. Aos 18 anos comecei a beber todos os finais de semana. Saía em baladas e, conseqüentemente, nesses lugares conheci pessoas que faziam uso de outras substâncias. Sem perceber, passei a freqüentar festas raves, virando noite sem dormir, e, o pior, achando isso normal. Tive um filho, o que me fez parar com tudo imediatamente e por vontade própria. O pai dele continuou a sair e fazer uso de substâncias, por isso tive que me afastar. Depois do nascimento da criança, voltou o desejo de sair e seis meses depois experimentei cocaína.
Parar não é fácil, exige muito esforço. Fiz tratamento no Centro Terapêutico Viva e hoje nada disso faz mais parte de mim, por que nunca fez. Hoje, sou eu mesma e toda e qualquer pessoa é capaz de voltar a ser o que era antes da droga, de encontrar sua verdadeira essência de fazer coisas boas para si mesma."
A., 22 ANOS, S ÃO PAULO, SP |

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