Viva Saúde
Edição 63
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  Use o cinema como terapia
Você já assistiu a um filme e pensou que aquela história retratava exatamente a sua vida? Psicólogos comprovam: existe uma maneira de entender os problemas cotidianos pelo cinema. a nova técnica foi batizada de filmtherapy

Por Cristina Almeida

Cecília era uma mulher doce, mas comum. Dessas que passam despercebidas em meio à multidão. Casada com um tirano, ela não tinha amigos e acabara de perder o emprego. O cinema era seu único divertimento. Encantada com um filme em especial, assistiu a ele repetidamente, até que foi surpreendida por uma situação estranha: o ator principal saiu da enorme tela e veio ao seu encontro, confessando-lhe seu amor. Quando fantasia e realidade se encontram, Cecília toma consciência de que sua vida, por mais difícil que fosse, jamais seria como as histórias do cinema. Saber disso permitiu que ela tivesse uma nova perspectiva sobre si mesma e sobre seus problemas.

Esta é a trama do filme preferido do cineasta Woody Allen, A rosa púrpura do Cairo. Realizado em 1985, a obra se antecipava à tese de que o cinema pode ter um efeito curativo nas pessoas, ajudando- as a enfrentar suas dificuldades.

Dez anos depois, o psicólogo americano Gary Salomon publicou o livro The motion picture prescription (O cinema como remédio”, da editora Aslan Publishing, ainda sem tradução para o português), com o objetivo de divulgar uma metodologia que passou a ser conhecida como filmtherapy ou cinematerapia. A idéia não é nova e foi inspirada no teatro grego: pela representação dramática é possível alcançar a purificação (catarse).

Segundo o autor americano, filmes “são o verdadeiro exemplo de como a arte pode imitar a vida e, por isso, se uma pessoa assistir a um filme que se encaixa em sua problemática pessoal, é muito provável que se identifique e encontre um jeito de aprender e crescer com ele, favorecendo a si a aos outros”.

Mais de 2.000 filmes
Convencido da importância do cinema para o fundamento estrutural da psique de todas as pessoas (inconsciente coletivo), o psiquiatra italiano Vincenzo Mastronardi, professor de Psicopatologia Forense da Universidade La Sapienza de Roma, há 30 anos tem estudado e aplicado a mesma técnica em seus pacientes. A terapia foi utilizada inicialmente nos casos de perversões sexuais (pedofilia, sadismo, masoquismo etc.) e tendência ao vitimismo. O resultado foi uma sensível diminuição da predisposição para aquelas patologias.

Nos últimos anos, a terapia evoluiu com a catalogação de mais de 2.000 filmes indicados para o tratamento dos males decorrentes de conflitos familiares, problemas amorosos, adolescência, dificuldades e estresse no trabalho, além de depressão, ansiedade e distúrbios de humor, entre outros. A experiência rendeu material para o livro Filmtherapy, I film che ti aiutano a stare meglio (“Cinematerapia, os filmes que o ajudam a estar melhor”, Armando Editore, ainda sem tradução para o português).

DURANTE AS HORAS DE EXIBIÇÃO DE UM FILME, O ESPECTADOR VIVE UMA SITUAÇÃO SEMELHANTE À HIPNOSE: QUESTÕES ESCONDIDAS NA PSIQUE AFLORAM, SÃO ELABORADAS E AS RESPOSTAS APARECEM

Conforme o especialista italiano, durante as horas de exibição de um filme, o espectador vive uma situação semelhante à hipnose, sem que ocorra a alteração da consciência: questões escondidas na psique afloram, são elaboradas e as respostas aparecem, auxiliando na reestruturação da personalidade.


PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde
Cadastre-se já no boletim da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.