
Imagine uma bela feijoada transbordando no prato. Ou um jantar no rodízio, pegando uma picanha aqui, uma alcatra ali, um pouquinho de arroz, farofa e, ao passar o medalhão de frango, mandar ver. Além de serem uma delícia para muitos, essas refeições, ao longo dos dias, garantem que a pessoa não terá nenhum problema com o suprimento protéico-calórico. Mas, certamente, esse cardápio vai, aos poucos, formar um quadro deficiente de nutrientes como vitaminas e minerais.
“Trata-se de componentes dos alimentos que não são o combustível energético do nosso metabolismo, mas que são fundamentais para o funcionamento perfeito de uma série de tarefas que o corpo precisa cumprir, inclusive para a absorção integral dos elementos energéticos, como carboidratos e lipídios”, ressalta a professora da Clínica Escola de Nutrição da Universidade Metodista de São Paulo, Patrícia Jaime Salim Diz.
Ninguém vai perceber. E mesmo os médicos terão dificuldades em fazer um diagnóstico preciso no início. O fato é que a falta de nutrientes pode acarretar problemas que vão desde a queda de cabelos até deficiências no sistema imunológico. São casos em que a barriga cheia esconde uma fome que o corpo sente sem demonstrar claramente: a síndrome da fome oculta.
Vontade louca de comer
É preciso fazer uma distinção, nem sempre fácil, entre a síndrome da fome oculta e outros problemas com efeitos parecidos. A desnutrição, por exemplo, representa uma questão de saúde pública grave no mundo. A quantidade mínima de calorias e proteínas necessárias para consumo diário não é atendida. Relacionada à pobreza, a desnutrição resulta num déficit de nutrientes pela falta de alimentos ingeridos. Ou seja, a origem do problema é a quantidade de alimentos e a restrição ao acesso adequado de recursos, inclusive os alimentares.
Já a anorexia é outro problema que pode acarretar baixo metabolismo de nutrientes, mas também se distingue da síndrome da fome oculta por ter sua origem em disfunções de ordem psíquica.
O que define então a fome oculta? “Nesse caso, a pessoa é aparentemente normal. Pois não se trata de carência de energia e, sim, de vitaminas e sais minerais. Quando a pessoa deixa de comer um grupo de alimentos, como verduras, acaba tendo carência de um pacote de micronutrientes”, define a professora de Nutrologia da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, Selma Freire da Cunha.
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