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A expectativa é de que em cinco anos toda a população esteja imunizada |
Uma das pesquisas na área de saúde mais importantes em andamento no Brasil é a da vacina contra a dengue. Uma equipe de cientistas do Instituto Butantan, em São Paulo, coordenada pelo médico Isaías Raw, se concentra na produção de um meio eficaz de imunização contra os quatro sorotipos conhecidos da doença, já que estar imune contra um tipo não impede a pessoa de contrair a doença por outro novamente. No segundo semestre deste ano, está programado o início da primeira etapa da fase clínica de testes com humanos, que será composta por mais dois estágios. Caso não exista nenhuma contra-indicação nesse processo, a expectativa é de que a vacina possa estar pronta em quatro ou cinco anos.
“É necessário que haja todo esse cuidado para atestar que não ocorra nenhum tipo de efeito colateral importante, que possa ser prejudicial ao paciente”, explica Raw, que é presidente da Fundação Butantan.
Segundo o pesquisador, há quatro anos se discute no País a produção de uma vacina contra a dengue. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também já realizou pesquisas a respeito, com teste em animais de uma vacina monovalente (contra um só tipo de dengue), que obtiveram bons resultados. Mas o objetivo dos pesquisadores, tanto da Fiocruz, como do Butantan, é chegar à tetravalente, a fim de que seja um reforço ao combate à doença, que é transmissora, junto com a prevenção contínua a criadouros (recipientes com água parada) das larvas da fêmea do mosquito Aedes aegypti.
Primeiros testes
Os primeiros estudos da vacina começaram a ser feitos pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), por meio do Pediatric Dengue Vaccine Initiative (PDVI), sob financiamento da Fundação Gates, do bilionário proprietário da Microsoft, Bill Gates. “Lá já estão realizando testes com macacos e voluntários, só que a dengue não é uma doença presente no país. Então, foi estabelecida uma parceria com o Butantan, com recursos da Fundação, para que seja criada uma vacina compatível com os países que apresentam quadros de epidemia, como o Brasil”, explica Raw.
O presidente da Fundação Butantan informa que a fase inicial do projeto é estabelecer um laboratóriopiloto, para iniciar a produção das cepas (linhagens do vírus) de dengue 1 e 2, uma vez que a cepa de dengue 3 modificada já está sendo testada pelo NIH em macacos e voluntários. “Essas duas cepas devem reduzir a incidência de dengue e evitar, consideravelmente, os quadros de dengue hemorrágica”, diz.
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