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  Endometriose a doença da mulher moderna
A cada ano, aumenta o número de mulheres em idade fértil diagnosticadas com a doença. O desafio dos especialistas agora é identificar as causas para poderem definir os meios de prevenção

Por Rose Mercatelli

Dores intensas
O crescimento do tecido endometrial em lugares incomuns causa sintomas bastante dolorosos. “O primeiro a aparecer, em geral, é a cólica menstrual (dismenorréia). Ela é progressiva. Ou seja, no princípio, a adolescente refere-se a ela como leve. Entretanto, com o passar dos anos, a dor vai piorando até ficar muito intensa, o que a impede de fazer suas atividades habituais. Outro sintoma é a dor durante a relação sexual (dispaneuria)”, diz o ginecologista Eduardo Schor. As cólicas menstruais muitas vezes não melhoram com medicação, apresentam-se muito severas e requerem repouso. A dor que acontece durante a relação sexual, em geral, aparece quando a penetração é profunda e tende a ser mais intensa no período pré-menstrual.

Como as células podem se alojar em várias regiões do organismo feminino, as teorias mais modernas esclarecem que a endometriose também não se apresenta como uma só, mas, na verdade, de maneiras distintas. “São três as principais formas de endometriose. Uma delas aparece na superfície do peritônio, camada que reveste internamente o abdome. A outra, mais freqüente, é a forma ovariana, na qual os focos do endométrio se apresentam como cistos com conteúdo de cor achocolatada. Por fim, existe a endometriose profunda, quando as células invadem as camadas do intestino e o septo retovaginal, pequena área entre a vagina e o reto. Esta forma, além de dificultar as relações sexuais, ainda pode causar sangramento e obstrução intestinal”, avisa Freitas.

Como aliviá-la
O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo do tipo, do estágio que a doença atingiu e de quanto tempo está instalada. “A primeira preocupação ao iniciar o tratamento é saber se a mulher quer se livrar da dor ou engravidar. Dependendo da intenção da paciente, é indicado o melhor método”, esclarece Schor.

O uso de medicamentos é realizado nos casos mais brandos da doença, em mulheres que não desejam engravidar. É feito com a indicação do uso de anticoncepcionais orais ou injetáveis. “Outros fármacos utilizados são os que paralisam as funções dos ovários e, com isso, diminuem a produção do hormônio estrógeno. Assim, quanto menor a concentração desse hormônio, menores os riscos de a doença progredir e menos intensas serão as dores”, explica Cíntia.

Quanto antes souber, maior a chance de cura
Os médicos são unânimes em dizer que não existe uma maneira efetiva de prevenir a doença em si. No futuro, o objetivo dos especialistas é identificar as adolescentes predispostas a ter endometriose e agir no sentido de prevenir seu aparecimento. Por isso, é importante que todos os esforços estejam voltados para a prevenção secundária: “É preciso alertar a população e a classe médica para a doença, permitindo, dessa maneira, que o diagnóstico seja feito o mais precocemente possível”, enfatiza o ginecologista Eduardo Schor. O especialista salienta que, hoje, o tempo médio entre a instalação da doença e o início de tratamento é de oito anos, suficiente para que a endometriose passe de leve a profunda. Por isso, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais fácil será o tratamento.


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