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  Endometriose a doença da mulher moderna
A cada ano, aumenta o número de mulheres em idade fértil diagnosticadas com a doença. O desafio dos especialistas agora é identificar as causas para poderem definir os meios de prevenção

Por Rose Mercatelli

Ainda não totalmente desvendada pela Medicina, a endometriose se apresenta cada vez com mais freqüência nos consultórios médicos. Sua incidência tem aumentado consideravelmente, porém os especialistas ainda não sabem ao certo a causa. “Com a difusão dos conhecimentos da doença, tanto para os médicos quanto para a população em geral, os diagnósticos são feitos com maior precisão e em maior número. Alguns estudos, entretanto, estão encontrando uma relação entre poluentes ambientais e a endometriose”, diz Eduardo Schor, ginecologista e coordenador responsável pelo setor de endometriose da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e secretário da Sociedade Brasileira de Endometriose.

Além da maior facilidade de diagnóstico, Vilmon de Freitas, professor de Ginecologia Endócrina e Climatério e coordenador do setor de Reprodução Humana do departamento de Ginecologia da Unifesp, também aponta como fator de aumento da doença o estilo de vida da mulher moderna. “Hoje, a mulher casa e engravida mais tarde, tem menos filhos e, em conseqüência, fica mais exposta aos ciclos menstruais. Além disso, as que tiveram a primeira menstruação muito cedo, antes dos 12 anos, engravidam depois dos 25, não amamentam e ainda demoram a ter um segundo filho ficam mais suscetíveis à doença.”

Quem pode ter
Relacionada ao ciclo menstrual e ao sistema imunológico, em todo mundo, a endometriose atinge até 10% das mulheres em idade fértil e é encontrada com mais freqüência nas que têm mais de 35 anos. Porém, 20% delas nem sempre sabem que têm a doença porque não apresenta nenhum sintoma. “A paciente que tem algum parente em primeiro grau com endometriose corre mais risco de desenvolver a doença, que começa na adolescência. Entretanto, o diagnóstico só é feito entre mulheres de 25 a 35 anos, que não tenham filhos”, confirma Schor.

Ela é caracterizada pelo implante de células endometriais fora do útero. “O nome da doença vem da palavra endométrio, camada que reveste o interior do útero e que é eliminada na menstruação todo mês se a mulher não engravidar. A endometriose ocorre quando, por algum motivo, o endométrio se encontra fora do útero”, explica Cíntia Pereira, ginecologista, obstetra e terapeuta sexual do Hospital e Maternidade São Camilo–Santana, em São Paulo.

A razão de parte das células do endométrio sair do útero e se reagrupar em outras regiões como ovários, tubas uterinas (ou trompas ovarianas), superfície do útero, bexiga, entre outros, ainda não é muito bem esclarecida pela ciência. Porém, os médicos sabem que os focos de endométrio continuam estimulados pelos hormônios a cada ciclo menstrual e a se comportar como se estivessem dentro do órgão. Dessa maneira, a cada menstruação, nos focos de endométrio também ocorre um sangramento semelhante ao fluxo menstrual normal.

Fertilidade comprometida
Não resta dúvidas de que a endometriose compromete a vida sexual do casal. Como provoca dor pélvica, às vezes contínua, e muito desconforto durante a relação sexual, é comum a mulher apresentar irritabilidade, tristeza, angústia e depressão. Muitas passam a evitar o sexo, o que afeta a vida conjugal. Por isso, o ideal é procurar um médico o quanto antes e seguir o tratamento indicado à risca. Como se não bastasse, a doença compromete também a fertilidade feminina e, dependendo do grau, a dificuldade pode ser maior ou menor. Em casos leves, as tubas ainda não foram afetadas. Nesse caso, o tratamento, hormonal ou cirúrgico, é simples e o quadro se reverte. Já em situações mais avançadas, para que a mulher engravide, é necessário que ela recorra a algum método de reprodução assistida, como a fertilização in vitro.

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