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  Já para cama! seu corpo agradece
Estudos recentes revelam que dormir bem é necessário não apenas para descansar, mas para evitar doenças. Saiba o que a falta de sono provoca em sua saúde física e mental

POR BRUNO ATHAYDE

FOTOS : SHUTTERSTOCK / FUSÃO DE IMAGENS : FERNANDO SING

Cada vez mais, médicos neurologistas, cardiologistas e psicólogos discutem a importância do bom sono e seus benefícios. O surgimento de novas tecnologias na área de saúde, que permitem entender o funcionamento do cérebro nas horas de repouso e os malefícios causados por seus distúrbios, tem demonstrado que há muito mais por trás do sono do que o simples fechar dos olhos.

Não sem motivo, o número de pesquisas e tratamentos para insônia cresce a cada ano, embora ainda há poucas estatísticas sobre os hábitos da população. A Academia Brasileira de Neurologia (ABN), em pesquisa realizada em 2005, revelou que 53,9% sofre de problemas com a qualidade do sono e 43% revela sinais de cansaço durante o dia em decorrência dos distúrbios. O Instituto do Sono, fundado por médicos da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) iniciou no ano passado um grande levantamento sobre o hábito de dormir do brasileiro e até o final do ano apresentará os resultados.

Segundo a neurologista Anna Karla Alves Smith, membro dessa instituição, os estudos mais freqüentes referem-se a problemas respiratórios e à insônia.

O corpo responde
Além do descanso físico e mental, o sono é responsável por vários processos metabólicos que, se alterados, podem desequilibrar nosso corpo a ponto de, a médio e longo prazo, comprometer seriamente a saúde. “O ritmo cerebral fica mais rápido, a produção hormonal é afetada, o coração não descansa, há sobrecarga de adrenalina e a pressão aumenta, pois o coração trabalha mais. Com isso, há a possibilidade de desenvolvimento de doenças como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)”, diz Anna Karla.

Para a neurologista não podemos determinar um padrão de número de horas para todas as pessoas dormirem. “O normal é uma média entre seis e oito horas. No entanto, há quem durma cinco horas e consiga ter boa qualidade de vida”, comenta a especialista, que alerta: “antes de se desesperar por suas noites maldormidas, procure saber a origem do problema. Nunca tome remédios sem prescrição médica, mesmo os homeopáticos. Dormir mal pode ter as mais diferentes causas e interferir tanto na qualidade como quantidade do sono. Essas causas podem ser externas ou advir de hábitos alimentares”.

O SONO NA BERLINDA

* Nos últimos 40 anos, a população está dormindo 25% a menos do tempo total de sono, revela estudo da Universidade de Warwick e da College London, ambas no Reino Unido. A redução de sete para cinco horas dormidas dobra o risco de infarto ou derrame.

* Nove em cada dez pacientes que procuram o serviço de medicina do sono do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, sofrem algum tipo de problema respiratório, segundo estudo realizado pelo próprio hospital em dezembro de 2007 e publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Apnéia (quando a respiração não chega aos pulmões), rinite, desvio do septo nasal e obesidade (pessoas obesas acumulam gordura na faringe, o que comprome a passagem do ar) estão entre as principais causas.

* A saúde da mulher é mais afetada pelo sono ruim do que a do homem, segundo estudo da Universidade Duke, dos EUA, o que aumenta a possibilidade de ela sofrer, além de doenças cardíacas, diabetes, inflamações, depressão e hostilidade.

* Homens que dormem menos de cinco horas por noite correm alto risco de se tornarem obesos, segundo estudo da Nihon University, do Japão, além de ter maior chance de desenvolver diabetes.

* Dormir com o celular ligado ao lado da cama atrapalha as fases iniciais do sono, revela pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

* O bruxismo – distúrbio em que a pessoa raspa os dentes durante a noite – é responsável pela perturbação do sono de 10% dos adultos, revela pesquisa coordenada por Noshir Mehta, diretor do Centro de Dor Craniofacial da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Tufts, EUA, de acordo com matéria publicada no New York Times. No entanto, suas causas ainda são desconhecidas.

* Deixar no quarto a TV ou o computador ligados ou adormecer ouvindo música está fazendo os jovens entre 12 e 16 anos dormir menos do que o necessário, de acordo com pesquisa Centro do Sono, de Edimburgo, Escócia. O comportamento afeta a produtividade nos estudos e a saúde.

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