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  ACNE, de novo?
Quando você pensou ter se livrado da acne para sempre, aí estão eles: cravos, espinhas, pele oleosa... Conheça as substâncias e os tratamentos disponíveis para curar esse tipo de inflamação

POR JO GOMES DOS REIS E ÉRIKA FINATI

O problema é mais comum do que se pensa. Está na pele de 30% da população adulta, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. A boa notícia é que em 85% dos casos podem desaparecer espontaneamente. E os 15% restantes são classificados como acne inflamatória, que necessita de tratamento, mas é curável. Segundo o dermatologista Otávio Macedo, especialista em cosmiatria, "dizer que acne é típica da puberdade é um dos equívocos mais difundidos sobre doenças de pele". Em seu livro A acne tem cura (Editora Globo), ele explica que na adolescência, quando é chamada de acne vulgar, é causada pela elevação dos níveis hormonais. Os hormônios masculinos ou andrógenos (presentes também no organismo das mulheres) estimulam as glândulas sebáceas que passam a produzir mais sebo. O sebo fecha o poro, que se dilata, formando o cravo ou comedão. Se houver contaminação por bactérias, surge a espinha.

Cosméticos e estresse
Uma causa comum para o surgimento de cravos e espinhas é o uso de cosméticos excessivamente gordurosos. "Eles podem obstruir o folículo pilo-sebáceo, provocando a erupção acneiforme. Neste caso, o tratamento é local e eventualmente pode ser indicado um antibiótico via oral," diz o dermatologista Sebastião Sampaio. O estresse também é um fator desencadeante da acne, pois estimula as supra-renais, podendo aumentar a produção de andrógenos e levar à erupção de espinhas.

Processo se inicia sob a superfície da pele
A hiperatividade das glândulas sebáceas causa a produção excessiva do sebo que obstrui o poro e impede a saída natural das células mortas e bactérias. Essas células unem-se ao sebo, obstruindo ainda mais o poro. Surgem, então, os pequenos pontos brancos ou negros, e as paredes das glândulas se dilatam e inflamam, formando as espinhas.

ILUSTRAÇÃO: MG STUDIO

Andrógenos e glândulas sebáceas
Mas não é só no período da adolescência que os hormônios mexem com a pele. "Muitas vezes, a mulher adulta que tem acne apresenta também um aumento de pêlos, quadro clínico que leva a investigar uma causa hormonal", diz Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Bastante comum, é a síndrome do ovário policístico, em que pequenos cistos não-cancerosos nos ovários produzem excesso de andrógenos.

Menopausa e anabolizantes
Nem mesmo no período da menopausa a mulher está livre do problema. É que, com a diminuição do estrógeno, o organismo tenta compensar a queda do hormônio, estimulando o estroma (tecido onde ficam os folículos) que libera mais andrógeno, fazendo a glândula sebácea produzir mais sebo.

Apesar de ser mais comum em mulheres, os homens também não escapam. Entre eles, a causa mais freqüente é o aumento da hipófise que passa a produzir mais prolactina (hormônio responsável pela produção do leite nas glândulas mamárias, mas que o homem possui em níveis baixos). Outra causa da acne masculina vem do uso de anabolizantes (esteróides sexuais), drogas relacionadas à testosterona.

Substâncias que curam
O tratamento da acne deve ser feito por especialista e passa por uma rotina de higiene com sabonetes e produtos à base de peróxido de benzoíla e ácido salicílico. Os produtos tópicos mais usados são os retinóides, derivados da vitamina A. Há casos que necessitam de antibióticos (tópicos ou orais) para conter a inflamação da pele. Mas, na opinião do professor Sebastião de Almeida Prado Sampaio, doutor em dermatologia, a substância de cura é a isotretinoína, medicamento de uso controlado. "É um derivado da vitamina A que atua seletivamente sobre a glândula sebácea, diminui a sebogênese e normaliza a queratinização folicular alterada." O tempo da terapia é de cinco meses, com resultado de cura em 90% dos casos. Mas atenção: é contra-indicado na gravidez, porque é um agente teratogênico, isto é, que pode provocar alteração no feto.

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