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POR GLÁUCIA PADILHA
redacaovivasaude@simbolo.com.br

VENENO DE COBRA PARA PRÉ-ECLÂMPSIA
Quem já não ouviu as famosas frases “cobra”, “jararaca”, “serpente venenosa”, para se referir a alguém maldoso? Pois é, uma pesquisa do Centro de Toxicologia Aplicada (Cat/Cepid), órgão ligado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, que funciona dentro do Instituto Butantan, comprova exatamente o contrário. Uma proteína presente justamente no veneno de cobra jararaca, que funciona como vasodilatador das artérias, é a mais nova arma no tratamento da pressão alta de gestantes, também chamada de préeclâmpsia, doença que atinge 10% das grávidas e causa 30% de óbitos maternos, além de complicações para o filho. Testes com ratos hipertensos comprovaram que as biomoléculas do réptil fizeram baixar a pressão até níveis normais. “Esta substância promove a dilatação do vaso das artérias por uma via que nenhuma outra consegue”, explica o farmacêutico e pesquisador Juliano Guerreiro, do Cat/Cepid.

Ao contrário da hipertensão arterial comum, a pré-eclâmpsia não responde a tratamento com hipertensivos tradicionais. Como não se sabe ainda o que provoca a doença durante a gravidez, o novo remédio não vai funcionar como preventivo e, sim, como uma nova forma de tratamento durante o primeiro estágio da doença. A pesquisa está em fase toxicológica para analisar os efeitos adversos e colaterais sobre o feto e a mãe. Depois disso, ela será aplicada em humanos. Os pesquisadores acreditam que a produção da droga deve demorar no máximo cinco anos. O medicamento também poderá ser usado por outros pacientes hipertensos.

O PROBLEMA ATINGE 10% DAS GRÁVIDAS E PROVOCA 30% DE ÓBITOS, ALÉM DE COMPLICAÇÕES PARA O FILHO

A pré-eclâmpsia é caracterizada pela hipertensão arterial acompanhada de proteinúria (presença de proteínas na urina) ou de edema (retenção líquida), que ocorre entre a 20ª semana de gestação e o final da primeira semana pós-parto. A doença pode provocar o descolamento prematuro da placenta da parede uterina.

PÍLULA EVITA CÂNCER DE OVÁRIO

Cerca de 100 mil casos de câncer de ovário podem ter sido evitados nos últimos 50 anos, graças à pílula anticoncepcional. Uma pesquisa da Universidade de Oxford analisou dados de 45 estudos realizados no país com mulheres que usavam o contraceptivo e confirmou o grau de eficácia dos anticoncepcionais orais na prevenção da doença. O anticoncepcional pode evitar, no futuro, 30 mil novos casos.

Outra boa notícia: a proteção contra o câncer pode permanecer por décadas, mesmo depois que a mulher pára de tomar a pílula. O risco de ter câncer de mama e de colo de útero após oito anos de uso da pílula também foi reduzido, pois a queda na incidência de câncer de ovário é maior do que o aumento no número de casos de outros tipos de câncer.

Exame caseiro para indicar doenças futuras
Você gostaria de saber, com antecedência, se pode ser vítima de uma doença, talvez incurável, com um simples exame de sangue feito em casa? Pois a possibilidade está sendo testada por cientistas do Institute for Systems Biology de Seattle (Estados Unidos). Se der certo, daqui a dez anos, um aparelho caseiro vai detectar os sinais precoces de qualquer moléstia — como o câncer —, antes mesmo dos primeiros sintomas da doença. A pesquisa foi publicada no jornal The Guardian.

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