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Edição 56 - Dezembro/2007
 
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  Vinho e uva

Por que o vinho tinto protege mais?
A nutricionista Emília Yasuko Ishimoto, mestre pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), pesquisou os efeitos do vinho na dieta e explica o porquê da concentração maior de resveratrol na bebida alcoólica.

“Como a uva é macerada e sua casca se junta à polpa, seguindo depois por um longo processo de fermentação, o vinho acaba tendo uma concentração maior do polifenol. Além do mais, há o etanol, que aumenta o HDL, o colesterol bom”. É por isso que o vinho recomendado para consumo é o tinto e não o branco, pois no processo de produção do segundo não há maceração da casca. Ou seja, a quantidade de polifenóis nos brancos é muito inferior, sendo necessário o consumo maior das taças.

O álcool dos vinhos funciona como solvente na extração do resveratrol da casca. Já o suco de uva, por ser uma bebida não fermentada e não alcoólica, não pode ficar muito tempo em contato com a casca, dificultando a extração da substância. No entanto, os benefícios encontrados nos vinhos não poderiam ser aproveitados por todas as pessoas, já que por ser alcoólico, há limitações em seu consumo.

Na dúvida, pode-se optar simplesmente pela uva? “Neste caso, para obter os benefícios, seria necessário comer a casca também e ingerir a fruta em altas quantidades — o que seria prejudicial, principalmente para pessoas com sobrepeso e diabetes”, afirma Emília.

A história do vinho
A origem do vinho ainda gera controvérsias. Alguns registros apontam que a bebida apareceu há cerca de 6000 anos, no Oriente, na região do Cáucaso, onde se localizam atualmente a Georgia e a Armênia. No Egito antigo, o vinho era utilizado em rituais de celebração às entidades divinas e na liturgia católica, neste último caso como parte da celebração da missa.

Gregos e romanos consideravam a uva, matéria-prima do vinho, um alimento afrodisíaco, que estava sempre presente no cardápio de banquetes. A bebida chegou ao Brasil por volta de 1532, quando Martim Afonso de Souza desembarcou em São Vicente, cidade litorânea paulista, trazendo consigo algumas cepas de Vitis vinifera, uva de origem européia. Entretanto, apenas no século 19, com a presença de imigrantes italianos e alemães na Região Sul do país, é que a vinicultura brasileira foi impulsionada.

A maior parte da produção de vinhos nacionais (92%) se concentra no Rio Grande do Sul, especialmente na região da Serra Gaúcha, considerada o centro produtor por excelência. E, se depender do teor de polifenol, a produção brasileira alcançará mais sucesso ainda: diversas análises de vinhos nacionais e internacionais constatou que os vinhos nacionais estão atrás apenas dos franceses em concentração de resveratrol.

Alcoolismo, diabetes, gravidez...
Enquanto os medicamentos não chegam, muitos médicos rejeitam o uso generalizado do vinho como auxiliar terapêutico. Pessoas com tendência ao alcoolismo, portadoras de diabetes e de problemas hepáticos, grávidas e também obesos não devem ingerir a bebida sem antes consultar um médico.

Isso não quer dizer também que o suco da fruta esteja liberado sem restrições. Não podemos nos esquecer de que a frutose presente na bebida será ‘quebrada’ no organismo e se transformará em açúcar. Por isso, altas doses não são recomendadas.


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