Viva Saúde
Edição 56 - Dezembro/2007
 
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  DNA

Além da saúde, quais contribuições você destacaria?
Gilka Gattás - A biologia molecular trouxe contribuição em todas as áreas da ciência como agricultura, pecuária, entre outras. Na área forense, por exemplo, muitas identificações são feitas, atualmente, com material biológico coletado no local de crime. Antigamente não existiam métodos capazes de analisar aquela gota de sangue encontrada no local do crime, que hoje sabemos ser idêntica somente ao doador, que é o criminoso. E quando se consegue estabelecer isso pelo DNA, não dá para negar que isso representa um grande avanço da ciência para a área jurídica.

São as diferenças no código genético de uma pessoa e de outra que explicariam a razão pela qual uma é mais suscetível que outra a algumas doenças?
Gilka - Essa é uma área muito bonita em que a biologia molecular e a genética tem se inserido, que é a epidemiologia molecular. Descobrir quais os fatores de risco ambientais e individuais são importantes para uma determinada doença. Se sabemos, por exemplo, que o cigarro é o fator número um de risco para o câncer de pulmão, trabalhamos com medidas de prevenção, por exemplo, campanhas contra o uso do cigarro. Hoje, a epidemiologia molecular busca identificar, além dessa associação que lista padrão de vida, profissão, sexo, idade e hábitos etc., a composição genética para avaliar o risco individual. Existe alguma variabilidade genética entre esses grupos que ajudaria a explicar o risco maior para uma parcela da população? Será que quando eu fumo a minha composição genética absorve e excreta o cigarro da mesma forma que o indivíduo do meu lado? É um fator a mais de risco e esse fator, se puder ser quantificado, pode contribuir também na prevenção. No caso do fumante crônico, conhecer o metabolismo dele em relação ao fumo não ajudaria a estabelecer com ele um risco maior ou menor de desenvolver tumores associados como o de pulmão, cabeça e pescoço, entre outros? Mas, e se eu não tiver o risco aumentado, posso fumar quanto quiser? Também não é verdadeiro. Então, a avaliação genética tem que ser feita de forma criteriosa e a população esclarecida quanto ao valor de cada teste genético.

O que você acha da atitude do governo suíço de exigir teste de DNA para parentes de imigrantes legais que desejam se estabelecer no país? Gilka - Essa é uma possibilidade. O DNA é utilizado na identificação humana. Da mesma forma que rastreia o criminoso é possível dizer quem são os pais de um indivíduo. Não considero discriminatório. É uma forma de avaliar se realmente há relação de parentesco com aqueles que já têm cidadania suíça. É uma decisão de governo. Equivale a utilizar o instrumento genético da mesma forma que se usa para reconhecer os que morreram em um grave acidente, cruzando o DNA deles com o dos parentes. Se falassem que iriam testar os candidatos a imigrantes seria outra coisa. Mas é evidente que nessas situações sempre pode haver tendência a extrapolar, com restrição a grupos étnicos diversos. Mas é preciso que se diga que raça, geneticamente, não existe. Nós todos somos uma mistura de todas as raças.


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