Viva Saúde
Edição 56 - Dezembro/2007
 
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  Anestesia

Éter: início de tudo Hoje, há uma variedade muito grande de tipos e usos da anestesia para a medicina e a odontologia. Mas a técnica precisou de séculos para evoluir. Em 2.250 a.C., na Babilônia, foi registrado o primeiro medicamento para amenizar a dor, o meimendro negro. Com a descoberta, em 1773, do óxido nitroso, o chamado gás hilariante, os estudos sobre anestésicos deram um novo salto. Utilizado inicialmente em eventos públicos para produzir risos na platéia, por acaso, o gás foi o responsável por tirar a dor de dente de Humphry Davy. O fato ganhou vulto e chegou aos ouvidos do dentista Horace Wells, que passou a usar a substância para inibir a dor em procedimentos odontológicos. O problema é que ele acabou ficando desacreditado ao utilizar publicamente num paciente que sentiu dor. Finalmente, em 1846, o também dentista Thomas Morton realizou em Boston a primeira experiência clínica bem-sucedida com o éter inalado para produzir analgesia em uma cirurgia. Por essa razão, a anestesia inalatória é considerada o berço clínico da moderna anestesiologia. As novas drogas anestésicas surgiriam apenas no século XX. No Brasil, o médico Haddock Lobo anestesiou pela primeira vez pacientes com éter em 1847. Somente um século depois seria fundada a Sociedade Brasileira de Anestesia. Quando a especialidade foi criada, em 1929, quem realizava a anestesia eram enfermeiras ou auxiliares do cirurgião. Hoje em dia predominam duas técnicas para a aplicação de anestésicos: anestesia inalatória e venosa. Na primeira, o paciente respira durante todo o ato cirúrgico uma mistura de gases anestésicos conhecida como halogenados, óxido nitroso e oxigênio. "Todas as salas de cirurgia possuem um vaporizador para halogenados, assim o anestésico que se encontra inicialmente no estado líquido se transforma em gás, utilizando a grande vascularização pulmonar para ganhar a corrente sangüínea e chegar ao sistema nervoso central (encéfalo), gerando a anestesia", explica Carlos Eduardo da Costa Martins, anestesiologista do Hospital e Maternidade São Luiz e diretor da Sociedade de Anestesiologia de São Paulo (Saesp). Com o avanço da informática e dos medicamentos, a anestesia venosa vem se tornando uma grande tendência. Nessa técnica, o paciente recebe drogas por meio de bombas de infusão computadorizadas, que auxiliam no cálculo e na administração precisa das substâncias por via venosa. "Os novos fármacos possibilitam um despertar rápido e suave. Hoje em dia é comum o paciente acordar na sala de cirurgia e descrever uma sensação de bem-estar, bem diferente das muitas horas de inconsciência, náuseas e vômitos que causavam o éter", lembra Martins. Atualmente, a anestesia balanceada - que mescla as aplicações por via venosa e inalatória e ganhou adeptos nos anos 80 - ainda é a mais utilizada no Brasil.


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