Vinho tinto ou suco de uva, tanto faz. Estudos sugerem que ambos ajudam a combater os radicais livres e a reduzir os riscos de doenças cardiovasculares, AVC, diabetes, demência e alguns tipos de câncer. Há muito se fala da importância do vinho e da uva numa dieta saudável. Isto já vem lá de trás, desde os povos da antiguidade que usavam a bebida na mesa e com fins medicinais. De lá para cá, muitos estudos foram desenvolvidos e muitos provando os benefícios preventivos e terapêuticos da bebida. O primogênito destas descobertas é o resveratrol — um polifenol encontrado principalmente na casca da uva vermelha ou roxa e no vinho tinto de grande valor terapêutico e preventivo de doenças cardiovasculares
Colesterol e radicais livres
Estudos sugerem que o resveratrol pode ajudar a diminuir os níveis de lipoproteínas de baixa densidade, também conhecidas como colesterol LDL (mau colesterol) e aumentar os níveis de lipoproteínas de alta densidade, o colesterol HDL (bom colesterol). É bom lembrar que o LDL é o principal responsável pela formação de placas nas artérias e riscos para a aterosclerose, que causa a obstrução dos vasos sangüíneos.
Fala-se também que o resveratrol favorece a produção, pelo fígado, do HDL, que ajuda a reduzir a produção do LDL e impede a oxidação do LDL circulante. Daí seu efeito antioxidante de extrema importância na proteção cardiovascular e até, como afirmam alguns cientistas, anticancerígeno. Mais recentemente, foi a vez da procianidina, outro polifenol encontrado nas sementes das uvas, que pode funcionar como vaso dilatador também na proteção do sistema cardiovascular, segundo o estudioso Roger Corder, do Instituto de Pesquisa William Harvey, em St. Bartholomew, e da Universidade de Londres, e autor do livro The wine diet (A dieta do vinho, em tradução livre).
Em entrevista, publicada na revista Nature Podcast, de novembro de 2006, Corder afirmou que o resveratrol não é o maior responsável pelos benefícios do vinho. Ele diz que, na verdade, é a procianidina, um certo tipo de polifenol (substância que possui várias funções) que aparece em grande quantidade em alguns vinhos tintos mais jovens. “Beber vinho rico em procianidina melhora a função da camada interna que reveste os vasos sangüíneos, protegendo-nos contra as doenças cardíacas, AVC, diabetes, demência e alguns tipos de câncer”.
A uva, da casca à semente A casca é fonte de agentes corantes e onde se encontram as leveduras que ajudam na fermentação do vinho. Concentra muito resveratrol. É na pruína, cera que encobre a película da uva, que se depositam as leveduras naturais. As sementes são ricas em tanino e procianidina. É da polpa que extrai o caldo ou o suco usado na elaboração do vinho.
Saudável sim, com moderação
Mas afinal, é a fruta ou o vinho que garante tantos benefícios? Há controvérsias. E, claro, argumentos a favor de um e de outro. No caso do vinho tinto a defesa é que para a sua produção há o aproveitamento tanto da casca quanto da polpa. Além do mais, o teor alcoólico obtido pelo processo de fermentação nos tonéis agregaria outro valor ao produto, como a capacidade de dilatar as veias, por exemplo, tornando-o mais completo. Mas, para opositores a esta idéia, a simples ingestão diária do vinho tinto (no caso, duas taças) envolveria riscos, pois o álcool não é recomendável para a saúde, pode causar dependência e até agravar doenças.
Recentemente, pesquisadores da França, Holanda, Grécia, Reino Unido e Itália, durante o simpósio Vinho e Saúde, que aconteceu este ano em Pau, na França, admitiram que o consumo moderado do vinho tinto pode realmente ajudar a prevenir doenças do coração. Segundo eles, um grande número de novos mecanismos estão ajudando a elucidar, particularmente, a ação dos polifenóis do vinho tinto. Eles afirmam que os vinhos tintos, ricos em polifenóis, trazem mais benefícios que os vinhos rosé. E alertam que é preciso mais estudos.
Um verdadeiro hit entre as frutas
A uva está entre as frutas mais cultivadas no mundo. Segundo dados da Food and Agriculture
Organization, as plantações de uva correspondem a 66 milhões de toneladas, perdendo apenas para as lavouras de bananas. Desse total, aproximadamente 80% é utilizado na fabricação de vinhos. Se no supermercado ou na feira você não souber que tipo de uva comprar, lembrese sempre que as uvas com cascas mais escuras têm maior concentração de polifenóis. Cada uva representa uma diferente variedade, denominada de cepas ou castas. As uvas que originam os melhores vinhos são da espécie Vitis vinífera, de origem européia, que possui inúmeras castas, entre as quais se destacam: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Syrah e Chardonnay. As demais espécies são de origem americana e, em geral, não são adequadas para a elaboração de vinhos, e seu uso é mais indicado à mesa e ao suco. Essas espécies também possuem muitas variedades, cujos melhores exemplos no Brasil são a Niágara e a Isabel.
SE TODOS CONCORDAM QUE TOMAR VINHO É BOM, É UNANIMIDADE DE QUE A MODERAÇÃO NO CONSUMO DA BEBIDA TAMBÉM É NECESSÁRIO
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