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Edição 56 - Dezembro/2007
 
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Entrevista
  DNA, oque há de novo para a saúde
Convidamos a professora Gilka Gattás para falar sobre as conquistas que o seqüenciamento do genoma, ou DNA, já trouxe e irá trazer para a prevenção e cura de doenças

POR STELLA GALVÃO

FOTOS: SHUTTERSTOCK

A corrida para decifrar o DNA, a porção original da vida, começou nos Estados Unidos há mais de 20 anos. E, em 2000, o mundo ouviu o anúncio do seqüenciamento do Genoma Humano por um consórcio internacional, que apontou caminhos até então inimagináveis para a ciência. Em muito pouco tempo, o conhecimento dos milhões de pares de DNA trouxe essas três letras para o nosso cotidiano. Hoje, inúmeras áreas se beneficiam da precisão das técnicas da medicina genômica. Há meios de se diagnosticar uma doença grave pela detecção dos genes, desde a gestação até o nascimento, e já existem tratamentos que consideram, pela análise molecular, o modo como o organismo retém e elimina um medicamento, entre outras aplicações. Neste mês de dezembro, o Projeto Genoma brasileiro completa oito anos com conquistas notáveis e destaque internacional, como o seqüenciamento completo de bactérias, identificação de oncogenes e o projeto de seqüenciamento do gene do parasita responsável pela malária. Para entender os benefícios e os receios relacionados a tais avanços, conversamos com a professora livre-docente da FMUSP, Gilka Gattás, pós-doutora pela Harvard Medical School e coordenadora do projeto Caminho de Volta, em São Paulo, que tenta localizar pessoas desaparecidas por meio de amostras de DNA coletadas junto às famílias.

Quais são os marcos da pesquisa sobre os nossos genes?
GILKA GATTÁS —
Há vários marcos na evolução da genética. No século XIX, por exemplo, Gregor Mendel sugeriu a herança humana por meio do fenótipo (aparência), enquanto os cientistas James Watson e Francis Crick, na metade do século XX, transformaram essa visualização fenotípica em algo físico, que é a molécula de DNA. Mas os procedimentos, como a análise e o mapeamento do genoma humano, só puderam ser desenvolvidos com a incorporação de outras metodologias. Foram os estudos da seqüência de pares de base de DNA — com ferramentas físicas e químicas, que permitiram estudá-lo em pedaços — que tornaram possível a análise do genoma humano. Outra técnica importante é a do PCR, a reação em cadeia da polimerase que faz milhões de cópias a partir de fragmentos pequenos de DNA, ampliados em laboratório.

O que representou a identificação do genoma humano para a medicina?
GILKA —
Uma enorme contribuição. O esforço internacional, que reuniu uma força tarefa bastante grande, conseguiu fazer a leitura da seqüência de pares de base em todas as nossas moléculas de DNA. Todos nós, numa célula normal, temos 46 moléculas de DNA compactadas (22 pares de cromossomos autossômicos e um par de cromossomos sexuais). O genoma haplóide, que são as 23 moléculas, foi totalmente decifrado. isso significa, por exemplo, que, em tumores, já é possível identificar mutações nos genes BRCA1 ou 2, ligados ao câncer de mama. Em outras doenças importantes, como a fibrose cística ou a doença de Tay-Sachs, são identificadas mutações dos genes associados, que permitem tratar e estabelecer medidas de prevenção à doença.

O estudo do genoma ajudou a entender como age cada uma das seqüências de genes?
GILKA —
Sim, se não houvesse esse domínio sobre a seqüência inteira do genoma, todo o conhecimento posterior a ele seria limitado. Agora temos o desafio de entender o quê a seqüência significa. Quanto do nosso genoma tem função específica, ou seja, ele participa de todo o processo do metabolismo celular, da formação de proteínas, etc?

Quais genes atuam em conjunto? Qual deles precisa da participação de outro gene para poder se expressar, para fazer seu efeito? Onde, no nosso organismo, os genes funcionam? Sabemos que eles não se movimentam ao mesmo tempo. Existe um período na vida embrionária em que alguns genes são muito importantes, outros, com o envelhecimento, vão perdendo sua função. Esse mistério todo ainda requer bastante estudo da comunidade científica.

"A PRECISÃO DO EXAME DE PATERNIDADE É UM EXEMPLO DE BENEFÍCIO QUE SÓ SE TORNOU POSSÍVEL A PARTIR DA ANÁLISE DO DNA"

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