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Edição 55 - Novembro/2007
 
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  Coquetel contra a hipertensão
Estima-se que 60% a 70% dos hipertensos precisam de mais de dois remédios para controlar a pressão. Saiba por que isso é necessário e o que muda com a chegada da polipílula - comprimido que vale por quatro

POR DANIELA TALAMONI

O grande desafio

Para os especialistas, se depender de todos os avanços da ciência, toda pressão arterial hoje pode ser regulada com uma intervenção médica adequada. Mas uma pesquisa realizada pelo médico Décio Mion entre os colegas de profissão do HC mostra que o sucesso do tratamento dependerá mais da força de vontade do hipertenso do que de qualquer fórmula milagrosa. No grupo de médicos diagnosticados com hipertensão, apenas 30% declarou se tratar. Por quê? Falta de informação sobre os perigos da hipertensão certamente não é. "Há muitas outras questões envolvidas, inclusive emocionais, que vêm à tona quando alguém descobre que só poderá controlar a saúde se passar a tomar remédios", acredita Décio Mion. Isso é verdade. Mas vale lembrar que a maioria desses hipertensos nem estaria discutindo qual melhor remédio tomar se já tivesse adotado muito antes em sua vida a boa e velha mudança de hábitos - que não causa nenhum efeito colateral e não tem contra-indicação. Aqui, cabe até um alerta para os pais: a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) estima que a doença, que sempre foi mais comum aparecer em adultos, já atinja 3,5 milhões de crianças e jovens em todo o país.

Prevenção em pílulas

Para quem já incorporou a dinâmica desse mundo com internet, informações instantâneas, correria e nunca mais tomou café da manhã, vive tenso e não sabe o que seria da sua vida sem as refeições prontas, os avanços da ciência anunciam uma boa e uma má notícia. A boa é uma novidade que pretende prevenir várias doenças ao mesmo tempo, inclusive a hipertensão, sem que seja preciso muito esforço. A má, para alguns, é que, se a idéia vingar, ela vem na forma de comprimido - para ser tomado diariamente.

Não tem jeito. Os especialistas já chamam essa geração de 'remédios preventivos' de polipílula. A teoria foi lançada por pesquisadores ingleses em 2003, com a pretensão de reunir em um só comprimido aspirina, estatina e dois anti-hipertensivos - substâncias já usadas para reduzir os principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares - colesterol alto e pressão alta, entre eles. A droga foi desenvolvida pelo laboratório indiano Dr. Reddy's e, ainda este ano, deve passar para a fase de pesquisa clínica, que abrange um grande número de voluntários para provar sua eficácia. Seus inventores defendem que ela deverá ser usada por pessoas saudáveis a partir dos 55 anos ou até antes, em casos de histórico dessas doenças na família. A promessa é a de que a polipílula previna até 80% dos infartos.

Segundo os médicos, outras versões da superdroga devem estar sendo estudadas pelo mundo. No Brasil, o Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo, começa a estudar a versão brasileira da superpílula: uma mistura de estatina (que baixa o colesterol), de um anti-hipertensivo e de um antiglicêmico (para o controle das taxas de açúcar no sangue).

Ela também serviria para prevenir as doenças do coração. "As propostas são bem animadoras, mas serão necessários muitos estudos para saber quais efeitos poderiam causar em um organismo saudável", explica o cardiologista Daniel Magnoni. Bom, provavelmente, para essas reações, até lá, já terá surgido alguém para indicar algum novo remédio.

Conheça os anti-hipertensivos mais usados

Ao notarem o papel dos rins no controle da pressão, os médicos passaram a receitar os diuréticos. Esses remédios foram os pioneiros no tratamento da hipertensão e agem no órgão, estimulando a eliminação de uma eventual retenção de água e sal nos vasos. Ao se perceber que a descarga da adrenalina induz à contração dos músculos das artérias, foi a vez dos inibidores adrenérgicos reinarem. Eles atuam no Sistema Nervoso Simpático, impedindo que esse estimulante natural seja produzido em excesso (como ocorre em pessoas com estresse crônico). Já os bloqueadores do canal de cálcio, também só apareceram porque se notou que boa parte da vasoconstrição das artérias depende do mineral. Quando sua ação é bloqueada, a parede das artérias relaxa e a pressão diminui. As duas últimas categorias (inibidores da ECA e bloqueadores do receptor AT1) têm nomes bem menos auto-explicativos, mas ambas cuidam a seu modo de conter a ação da angiotensina, substância vasoconstritora que, agora se sabe, é a principal responsável por contrair as paredes dos vasos e aumentar a pressão arterial.

SILENCIOSA E FATAL

A pressão arterial é calculada pela força com que o coração empurra o sangue para as artérias e a resistência que o fluxo encontra para percorrêlas. No hipertenso, o sangue circula com dificuldade por causa da tensão das paredes dos vasos (como um esguicho prestes a vazar, porque alguém pisa nele, fechando a passagem da água). Sem tratamento, a artéria pode ficar frágil como o esguicho e se romper. Se isso acontece no cérebro, haverá um derrame; no coração, um infarto; e na principal artéria, a aorta, a morte é instantânea.

ENTENDA OS NÚMEROS DA SUA PRESSÃO

Para saber por que 120mmHg por 80mmHg (ou 12 por 8) é uma pressão arterial considerada ótima pelos médicos, você precisa entender o que afinal esses números significam. Eles correspondem aos dois tipos de pressão arterial que a pulsação do coração gera: a sistólica (o valor mais alto) e a diastólica (o mais baixo). Toda vez que o coração contrai (movimento chamado de sístole), o sangue é empurrado com força para as artérias para atingir velocidade suficientes para percorrer o corpo e irrigar todos os tecidos e órgãos. Esse esforço empurra as paredes do vaso, exercendo uma pressão máxima (a sistólica). Logo em seguida, enquanto o coração relaxa (diástole) e se enche de sangue - vindo da circulação venosa - para a próxima batida, as artérias sofrem uma pressão mínima (a diastólica). Confira os índices aceitos, segundo a V Diretriz Brasileira de Hipertensão de 2006:

ÓTIMA (12 por 8) Se a máxima (sistólica) for até 120mmHg Se a mínima (diastólica) for até 80mmHg NORMAL (até 12,9 por 8,4) Se a máxima (sistólica) for de 120 até 135mmHg Se a mínima (diastólica) for de 80 até 85mmHg
NORMAL ALTA (LIMÍTROFE) (13,9 por 8,9) Se a máxima (sistólica) for de 136 até 139mmHg Se a mínima (diastólica) for de 86 até 89mmHg HIPERTENSÃO acima de 14 por 9 Se a máxima (sistólica) for a partir de 140mmHg Se a mínima (diastólica) for a partir de 90mmHg
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