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Edição 55 - Novembro/2007
 
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  Coquetel contra a hipertensão
Estima-se que 60% a 70% dos hipertensos precisam de mais de dois remédios para controlar a pressão. Saiba por que isso é necessário e o que muda com a chegada da polipílula - comprimido que vale por quatro

POR DANIELA TALAMONI

O drama começa quando aquela pressão arterial de 12 por 8, companheira fiel desde a sua adolescência, de repente, salta para 14 por 9 ou para índices ainda mais elevados. A situação piora porque você não consegue mudar seus hábitos e seguir regrinhas básicas, como diminuir o sal na comida, controlar o estresse, fazer exercícios e emagrecer, para tentar reduzir a fúria do fluxo do sangue contra as paredes das suas artérias. É nessa hora que os remédios entram em ação e se percebe que a guerra contra a hipertensão está só começando.

O arsenal de combate é forte, com drogas cada vez mais poderosas e menos agressivas. Mas a batalha diária para baixar a pressão e mantê-la sob controle é mais difícil do que as pessoas imaginam. Por não causar sintomas, o paciente não se convence facilmente de que precisa mesmo daquela medicação. Para piorar, estima-se que 60% a 70% dos hipertensos só consigam voltar aos 12 por 8 com a ajuda de dois ou mais remédios.

Sim, a regra na prescrição dos anti-hipertensivos mudou. Hoje, o médico sabe que são vários os mecanismos capazes de desencadear a doença. Segundo o nefrologista Décio Mion, chefe da Unidade de Hipertensão do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo (HC/USP), em 90% dos casos a doença está relacionada de uma só vez a herança genética, estresse, má alimentação (abuso de sal e álcool) e excesso de peso.

Por isso, ele alerta: é comum os médicos recorrerem a associações de drogas para atuar em várias frentes e a doses mais baixas para evitar os efeitos colaterais. Resultado: no Brasil, há 30 milhões de hipertensos, mas apenas sete milhões estão sendo devidamente tratados. Entre os que buscam ajuda, 50% abandonam o tratamento e dos que persistem, só metade mantém a medicação. Felizmente, os avanços nas fórmulas dos anti-hipertensivos e outras novidades a caminho prometem facilitar a vida dos hipertensos e mudar essas estatísticas.

Um arsenal e tanto

Atualmente, há cinco categorias de anti-hipertensivos à disposição dos médicos. As drogas foram lançadas, aliás, à medida que a doença e todos os mecanismos capazes de desencadeá-la foram sendo estudados e descobertos (confira essa evolução no quadro abaixo).

A lista de remédios é longa, mas deve crescer ainda mais. O médico especialista em hipertensão, Fernando Nobre, da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, explica que a novidade que está prestes a ser lançada abre uma nova categoria de produtos. A droga bloqueia a ação da renina, uma enzima que é a responsável pela produção da angiotensina - a substância vasoconstritora já bem conhecida dos médicos, com poder de contrair as paredes das artérias, dificultar o fluxo do sangue e, conseqüentemente, aumenta a pressão arterial.

Não é só. Pesquisadores britânicos descobriram que certos oxidantes (aquelas substâncias que produzem os temidos radicais livres) também têm o seu lado bom. Eles ajudariam a ativar uma importante proteína (a PKG) que tem papel fundamental na regulação da pressão arterial. E aqui, no Brasil, um estudo realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC) acaba de comprovar, ainda por meio de testes in vitro e em animais, o efeito vasodilatador de uma planta brasileira conhecida como chapéu-de-couro. Na prática, uma fórmula com esse extrato natural conseguiria relaxar as paredes das artérias, facilitar a passagem do sangue e diminuir a pressão do fluxo na parede dos vasos.

Preferidas dos médicos

Os especialistas não discutem o poder de cada um dos remédios indicados hoje para o tratamento da hipertensão. Mas, sem dúvida, as drogas queridinhas da vez são as combinadas - geralmente, dois tipos de anti-hipertensivos em um único comprimido. Sim, a indústria entendeu a complexidade da doença e parece ter ouvido às preces dos médicos que ainda têm muita dificuldade em receitar vários remédios ao seu paciente. "Essas combinações, além de provocarem menos efeitos colaterais e serem mais eficazes, ajudam a estimular a adesão do paciente ao tratamento", acredita Décio Mion, do HC. Mesmo assim, alerta o especialista, elas ainda não excluem a necessidade do médico de testar mais de uma associação de fórmulas e de mudar a medicação, se for necessário, até conseguir baixar a pressão aos índices considerados normais. O nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni, do Hospital do Coração e do Instituto Dante Pazzanese, concorda: "o tratamento da hipertensão requer paciência e confiança mútuas - do médico e do paciente. A medicação é personalizada. Tudo depende do perfil do hipertenso e da reação do seu organismo às fórmulas. O profissional deve acompanhar o progresso do tratamento e mudar a estratégia até encontrar a receita ideal para cada um".

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