O passar dos anos nos impõe algumas perdas, entre elas, a queda da taxa hormonal, geralmente acompanhada por sintomas que afetam em cheio nossa auto-estima e bem-estar: flacidez no rosto, desânimo, ganho de peso... Muito se fala na busca pelo rejuvenescimento, mas será que o que muita gente mais deseja ao entrar nessa fase não é “parar o tempo” por aí mesmo, unindo as conquistas da maturidade com a qualidade de vida?
A resposta parecia estar definitivamente na terapia de reposição hormonal (TRH), indicada para mulheres na menopausa e homens na andropausa. Embora seja um recurso antigo, o tratamento passou por uma grande revolução na década de 1980 e um verdadeiro boom no período seguinte, quando entrou em uma espécie de ‘limbo’, acusado de favorecer o aparecimento do câncer de mamas e útero. Entre o sim e o não de sua adoção, ainda pairam muitas dúvidas e Viva Saúde foi ouvir especialistas para trazer as informações mais atuais sobre o assunto.
“A reposição hormonal contribui para a qualidade de vida. Cada vez mais a medicina oferece diagnósticos mais adequados, para que as terapias sejam eficazes. Só não pode ser encarada como um elixir da juventude”, alerta Evandro de Souza Portes, presidente do Departamento de Endocrinologia e Metabologia da Associação Paulista de Medicina (APM).
HORMÔNIO DO CRESCIMENTO
Tudo começou quando descobriram que o hormônio do crescimento (em inglês, growth hormone, o GH), até então usado para fins terapêuticos em crianças, poderia melhorar a performance esportiva de adultos, aumentar a massa muscular e fortalecer articulações e ossos. Logo o GH ganhou fama de proporcionar também efeitos estéticos, como acabar com a gordura e a flacidez e tornar a pele lisinha como a de um bebê. Daí para a fama de elixir da juventude foi um pulo.
O problema é que as fantásticas promessas do GH se espalharam rapidamente — e antes de virem a público os perigos que a substância oferece. E quando essa informação passou a ser amplamente divulgada, muitos idosos já faziam uso do GH. O dado foi comprovado em pesquisa realizada, em junho do ano passado, pela médica Lenita Wannmacher, professora de farmacologia clínica e representante do Comitê de Especialistas em Seleção e Uso de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Nossa irmã soja |
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A isoflavona, também chamada de fitoestrogênio, é um composto da soja com estutura química semelhante a do hormônio feminino estrogênio. Os primeiros estudos sobre sua atuação indicavam que, por não apresentar os mesmos efeitos colaterais do hormônio, poderia substitui-lo no alívio dos sintomas e das conseqüências da menopausa, até que surgiu um alerta mundial. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) questionou o uso da isoflavona como substituta do estrogênio na TRH, bem como uma das suas principais propriedades: o alívio dos calores da menopausa. Após revisar vários estudos, a entidade concluiu, em um artigo, que sua eficácia nesse caso é praticamente nula. |
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| OS BENEFÍCIOS DO USO DO HORMÔNIO DO CRESCIMENTO EM ADULTOS AINDA NÃO TÊM COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA. MAS OS RISCOS SÃO BEM CONHECIDOS, COMO O DE ACELERAR O CRESCIMENTO DE TUMORES. A TERAPIA COM FINALIDADE ESTÉTICA É PROIBIDA |
QUANDO É NECESSÁRIO
“Crianças com déficit de crescimento recebem o hormônio via injetável, que não causa reações, circula pelo sangue e atinge ossos e cartilagens”, explica o endocrinologista Antonio Chacra, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A Food and Drug Administration (FDA) — agência norte-americana que regula medicamentos e alimentos — só recomenda o uso do hormônio em casos bem específicos, como pacientes com deficiência gerada por tumor na hipófise, cirurgia ou radiação, ou ainda portadores de HIV/aids com perda muscular.
Quando oferece riscos
“O emprego do hormônio do crescimento em situações nas quais os benefícios não tenham sido comprovados, além de oferecer riscos à saúde, representa um desperdício econômico”, garante Lenita Wannmacher, em seu estudo Hormônio do crescimento: uma panacéia.
Afinal, o tratamento pode exceder o valor de 20 mil dólares por ano. “As vendas anuais no mundo ultrapassam 1,5 bilhão de dólares, sendo um terço sob o uso offlabel (com segurança e eficácia ainda não estabelecidas)”, explica no artigo.
Segundo estudos recentes, usado em pessoas sadias, o GH aumenta o risco de acelerar o desenvolvimento de tumores latentes, desencadear hipertensão arterial, artroses e diabetes tipo 2.
A terapia com finalidade estética, também é contra-indicada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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