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Edição 55 - Novembro/2007
 
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  O piercing vai ao dentista
Especialistas em odontologia mudam de estratégia. Mesmo avisando que o acessório é prejudicial à saúde, em vez de contra-indicá-lo, ensinam a moçada a manter o adorno longe dos riscos que pode trazer

POR PATRICIA BOCCIA

A irreverência do adolescente é incontestável. A teimosia também. E mesmo que os pais não concordem com certos modismos (e até abominem!), é difícil impedir que, cedo ou tarde, o filho apareça em casa com alguma ‘novidade’ no corpo. “Muitos adolescentes colocam piercing ou fazem tatuagem para se destacar no grupo ou definir traços de sua personalidade”, explica Kátia Couto Soares, psicopedagoga de São Paulo.

O acessório conquistou espaço entre os adolescentes, no Brasil, a partir dos anos de 1990. E normalmente um só não basta: o jovem coloca vários espalhados pelo corpo. De uns anos para cá, um dos locais preferidos pelos amantes desse adorno tem sido a boca.

Descolado, mas duvidoso!
A colocação do piercing nessa região tem crescido bastante e já preocupa os especialistas em odontologia, devido à série de complicações que ele pode trazer ao usuário, como alergias, fratura nos dentes, periodontites, halitose (mau hálito), infecções locais, inflamação severa na língua, alteração da fala, trauma no palato, hemorragias e outras conseqüências que ainda estão sendo pesquisadas.

Em recente publicação na revista da Clínica Mayo de Rochester (USA), o piercing bucal foi relacionado à endocardite infecciosa (infecção no coração). Num outro trabalho realizado na Alemanha, com 273 pessoas portadoras de piercings na boca, foram verificadas alterações bucais em 60% dos casos. A revista odontológica americana JADA, uma das publicações de maior credibilidade no mundo, relacionou o piercing bucal com hepatite B, C, D e até a aids. Já a Escola de Odontologia de Nova Jersey publicou na revista General Dentistry um artigo afirmando que o piercing bucal aumenta o risco de câncer na boca, devido aos traumas que pode causar na mucosa.

NÃO É DE HOJE QUE OS JOVENS FAZEM USO DE PIERCINGS. ESSE TIPO DE ENFEITE JÁ ERA USADO POR POVOS ANTIGOS, COMO DO EGITO, DA ÍNDIA E DA ÁFRICA, POR RAZÕES RELIGIOSAS, CULTURAIS, POLÍTICAS OU SIMPLESMENTE COMO ADORNO

Palavra de especialista
No entanto, mesmo havendo vários trabalhos científicos provando que o piercing bucal faz mal à saúde, é complicado convencer os jovens sobre os riscos que correm. Resultado: os odontologistas mudaram de estratégia. Em vez de só contra-indicá-lo, passaram a orientar sobre os danos que podem causar e a ensinar o adolescente, portador do acessório, a se proteger e a se cuidar o máximo possível.

“Se um paciente me questiona antes de colocá- lo, eu relaciono todos os malefícios que ele terá de enfrentar. Porém, muitos jovens já chegam ao consultório com o piercing, seguros de que é isso que querem, e felizes. Nosso papel, portanto, é ensiná-los a se proteger”, explica Fábio Bibancos, especialista em odontopediatria e ortodontista do Instituto Bibancos de Odontologia de São Paulo.

Todos os gostos e preferências
É importante saber diferenciar o piercing bucal do piercing no dente. No primeiro caso, o acessório é colocado após a perfuração da mucosa dos lábios, das bochechas ou da língua. É confeccionado em ouro, aço cirúrgico ou titânio, materiais que apresentam boa compatibilidade, o que não impede ‘efeitos colaterais’ após a sua colocação, que geralmente é feita nas lojas que vendem o produto.

Já o piercing dental — um pequeno strass ou lasca de metal brilhante (como o ouro ou o aço) — é colado na face externa do dente. E somente um dentista pode fixá-lo, utilizando, para tanto, uma cola especial compatível com o dente. “Muitos jovens tentam colar o piercing com cola caseira. E acabam provocando grandes estragos nos dentes”, alerta Marcelo Mendes Pinto, professor do curso de Odontologia e da Clínica de Hebiatria (atendimento especial a adolescentes), da Uninove, de São Paulo. O professor explica como devem ser os cuidados bucais para quem tem um dos dois tipos de piercing bucal.

OS PIERCINGS PARECIAM ESQUECIDOS ATÉ SURGIREM OS HIPPIES NOS ANOS DE 1960 E 70 E, MAIS TARDE, OS PUNKS NAS DÉCADAS DE 1980 E 90. COMO PARECEM TER VINDO PARA FICAR, TODO CUIDADO É POUCO

NA LÍNGUA, BOCHECHA OU LÁBIOS

  1. Diminuir a mobilidade do adorno: não brincar de torcer, mordiscar, girar ou tocar o piercing com as mãos, já que esses tipos de hábitos aumentam os traumas na mucosa.
  2. Tomar muito cuidado durante a mastigação: na hora de provar os alimentos, certificar-se de que não está mordendo o piercing, o que pode provocar desgastes ou fraturas nos dentes.
  3. Tirar o piercing durante a higiene bucal. Após alimentar-se, retire o adorno, escove os dentes, use o fio dental, higienize a língua e as bochechas internas com a escova e, em seguida, escove o piercing como uma prótese dentária antes de colocá-lo no local.
  4. Fazer bochechos com produto antisséptico. Para tanto, consulte um dentista que irá indicar a melhor marca e a dosagem diária do líquido.
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