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Edição 54 - Outubro/2007
 
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  Arte é terapia
Uma pincelada na tela, dobraduras no papel, argila nas mãos, a descoberta de um som... O que para muita gente é mera distração pode ser o caminho para desvendar os segredos da mente

POR JANETE TIR

Sílvia, 35 anos, advogada, enfrentou a primeira crise de pânico há 10 anos. Na época, sua vida passava por muitas mudanças: estava terminando a faculdade, assumia um emprego novo e acabava de descobrir uma gravidez inesperada. “Foi a fase em que deixei de ser menina para enfrentar a vida”, lembra. As crises de pânico eram freqüentes. “Eu estava com uma fi- lha pequena e me forçava a sair de casa para trabalhar — sempre levando na bolsa um bilhete com meu endereço e telefones, caso desmaiasse na rua”. Sílvia recorreu à psiquiatria e tomava antidepressivos, mas garante que deve muito à arteterapia. Eram duas sessões por semana que, no início, envolviam só conversa e exercícios de relaxamento. Depois, vieram as aulas de pintura e o contato com o barro.

“Após três meses, passei a viver de novo. Hoje, me sinto completamente curada”, comemora.

DESDE O SÉCULO PASSADO, OS ESPECIALISTAS TÊM USADO A MÚSICA, A PINTURA, A ESCULTURA E OUTRAS FORMAS DE ARTE COMO TERAPIA

Quem sempre encarou qualquer manifestação artística apenas como uma forma de lazer pode achar que ela está exagerando. Mas não está.

Encontro com o inconsciente
Desde os tempos mais remotos, o homem usou desenhos para expressar não apenas seu modo de vida como seus medos e angústias — e os registrou nas paredes das cavernas. Mas só milênios mais tarde os médicos passaram a estudar — e a usar — a arte como técnica com fins terapêuticos.

O primeiro foi Carl Jung (1875-1961), psiquiatra suíço, fundador da psicologia analítica. Ele observou que a arte era um meio eficaz para ajudar as pessoas a demonstrar, simbolicamente, e sem restrições, tudo o que guardavam no fundo da mente. É a forma mais pura de revelar o inconsciente, afirmava Jung. “É a liberdade de expressão, é sensibilidade, é criatividade, é vida”. Desde então, os símbolos revelados nos desenhos, nas modelagens e outras técnicas têm contribuído para decifrar os segredos que podem estar afetando a nossa saúde emocional.

Na Europa, a arteterapia começou a ser testada e aprovada em hospitais e consultórios psiquiátricos, primeiramente como forma de diagnóstico. A nova técnica foi ganhando espaço e em 1980 já constava como curso de graduação em escolas superiores.

No Brasil, o pioneiro foi o psiquiatra Osório César (1896-1980), que desde 1923 analisava os trabalhos de arte dos internos do Hospital do Juqueri, em São Paulo (uma das mais famosas colônias psiquiátricas do Brasil). Ele criou a Escola Livre de Artes Plásticas em 1949, estimulando o desenvolvimento artístico e psicológico dos seus pacientes. No Rio de Janeiro, a psiquiatra Nise da Silveira, revoltada com os tratamentos até então dispensados às pessoas com problemas mentais, desenvolveu, em 1946, ofi- cinas de arte no Centro Psiquiátrico D. Pedro II e, em 1952, criou o Museu do Inconsciente.

Para facilitar o autoconhecimento
“Quando alguém está muito angustiado, passa tudo o que está sentindo para o desenho ou para a escultura”, explica a psicóloga Joya Eliezer, presidente da Associação Brasileira de Arteterapia. “A obra exterioriza a inquietação do paciente e facilita falarmos a respeito”, esclarece. Vera Maria Rossetti Ferretti, psicóloga do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, concorda. “Possibilita perceber se a pessoa é minuciosa, se sabe respeitar os limites que o material impõe. Com isso, notamos problemas como impaciência e impulsividade”, conta.

Apesar das experiências bem-sucedidas, as universidades só incluíram a arteterapia no currículo no final de 1990. Hoje, a arteterapia se firmou como uma das principais técnicas para entender as emoções humanas e ajudá-las a conviver em saudável harmonia com a nossa mente.

LIVRE EXPRESSÃO
Quando as palavras não são suficientes, a argila, as tintas e outros materiais entram em ação. Saiba como as diversas atividades artísticas podem ajudar, segundo a psicóloga Joya Eliezer, com mais de 30 anos de pesquisa sobre o assunto:

1- PINTURA
Promove a harmonia entre o afeto e a emoção. Pinceladas coloridas ajudam no autoconhecimento e a driblar fatores que estão travando a vida da pessoa.

2- TEATRO
Permite se identificar com o outro, a sentir na própria pele o que ele sente, a querer o que ele quer e a fazer o que ele faz. Isso ajuda a reconhecer as próprias emoções

3- ORIGAMI
Dobrar inúmeras vezes o papel e conseguir uma forma graciosa permite o desenvolvimento do gesto preciso, da delicadeza, da eficácia visual e da memória.

4- DANÇA
O movimento corporal ajuda a liberar a serotonina, permite reconhecer e explorar um determinado espaço, estimula o equilíbrio físico e a sensação de felicidade.

5- MÚSICA
Por meio de sons melodiosos, a pessoa entra em contato com seus sentimentos mais profundos, vencendo barreiras para entrar em contato consigo mesma.

6- MOSAICO
Juntar os pedaços de cores e formas diferentes para formar uma única peça estimula a percepção, organiza o pensamento, ordena e fortalece as emoções.


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