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| O VILÃO DA OBESIDADE NÃO É O AÇÚCAR, MAS O CONSUMO EXCESSIVO DE PRODUTOS CALÓRICOS |
As dietas radicais que proíbem o consumo de carboidratos, entre eles a glicose presente no açúcar refi nado ou no mascavo, estão cada vez mais caindo em descrédito. O motivo é que, comprovadamente, elas não tinham o efeito a longo prazo, porque a necessidade de ingerir doce é inata ao ser humano.
De acordo com o Consenso da Cidade do México de 2004, declaração científi ca mundial ratifi cada em junho do ano passado em Bruxelas, na Bélgica, as substâncias doces conduzem o ser humano, desde a sua fase de recémnascido, na direção de alimentos seguros e nutritivos.
O xis da questão é combater os excessos, que podem desencadear quadros de obesidade, aumento do risco de diabetes e as indesejáveis cáries.
Segundo os especialistas, o processo de digestão e o metabolismo não fazem distinção entre os açúcares naturais, presentes nos alimentos e os adicionados aos alimentos. E todos eles possuem 4 calorias por grama.
As fontes naturais de carboidratos (que no organismo se transformam em açúcar) estão presentes, além da glicose, no amido (arroz, massas e pães), na lactose (leite e derivados), frutose e sacarose (frutas e vegetais) e na maltose (cereais e grãos). O desejo por sabores adocicados também pode ser satisfeito por adoçantes – de alto poder calórico ou de baixa caloria – ou ainda a combinação dos dois.
Importante é que, ao variar, a pessoa evite o consumo de quantidade acima do limite toxicológico estabelecido para cada produto (veja quadro).
De olho nos limites “
Os carboidratos presentes no açúcar são essenciais como fonte de energia. O açúcar adicionado aos alimentos queima rapidamente no nosso organismo, mas quando consumido sem controle, pode criar depósitos de gordura.
Por isso é recomendado que não se ultrapasse os 10% da dose de carboidratos ingerida diariamente”, explica Mauro Fisberg, pediatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador Científi co da International Life Sciences Institute no Brasil (Ilsi Brasil).
“No caso de diabéticos, o limite de consumo diário de açúcares é de 30 gramas, mas essa recomendação pode variar de acordo com cada caso. Já os obesos encontram nos edulcorantes, presentes nos adoçantes dietéticos, uma alternativa menos calórica ou isenta de calorias, que auxilia, de fato, no processo de emagrecimento”, explica Márcio Corrêa Mancini, endocrinologista da Universidade de São Paulo (USP) e atual presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

FONTE: MARIA CECÍLIA DE FIGUEIREDO TOLEDO/UNICAMP E JOCELEM MASTRODI SALGADO/ESALQ-USP
VOCÊ DEVE VARIAR OS TIPOS DE ADOÇANTE E NÃO EXCEDER O LIMITE DIÁRIO
Pessoas ativas sem antecedentes familiares de diabetes, segundo o especialista, não sofrem restrição para o consumo. “Por outro lado, indivíduos sedentários devem ter cautela na ingestão de açúcares”, recomenda Mancini.
A era dos edulcorantes
Os adoçantes dietéticos são compostos por edulcorantes, substâncias naturais ou artifi ciais diferentes do açúcar e cem vezes mais doces do que ele. A permissão de uso no Brasil é controlada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo Maria Cecília de Figueiredo Toledo, professora do Departamento da Ciência dos Alimentos da Universidade de Campinas (Unicamp), a questão de que alguns adoçantes poderiam causar câncer precisa ser desmistifi cada.“Antes de chegar ao mercado, os edulcorantes são avaliados exaustivamente e submetidos a vários estudos de toxicologia, principalmente pelo Jecfa (Comitê Conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura/ Organização Mundial de Saúde de Peritos em Aditivos Alimentares), que estabelecem um valor de ingestão diária aceitável para cada substância”.
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