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Edição 54 - Outubro/2007
 
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  já se protegeu do sol hoje?
Pois saiba que o aquecimento global exige uma escolha mais rigorosa do protetor solar. Aqui, tudo o que você ainda precisa saber

POR MARIANA VIKTOR

A estatística chega a arder na pele: só 32% dos brasileiros que se expõem ao sol usam protetor solar — o que significa que 68% literalmente fritam em nossas praias e piscinas, no campo ou na cidade, correndo riscos que vão da simples ardência ao envelhecimento precoce e ao câncer de pele. A conclusão é de uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) e confirma dados levantados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Parece coisa de criança: quando chega o verão é tão grande o desespero para se livrar do chamado ‘branco escritório’ que o povo fica surdo ao alerta dos médicos, como se os perigos tão divulgados fossem lendas.

Essas pessoas não sabem ou não acreditam que as conseqüências do descuido só aparecem com o tempo. Os danos provocados pelos raios ultravioleta A e B do sol (UVA e UVB) são cumulativos e sem volta — ou seja, cada hora de exposição solar sem a devida proteção causa lesões irreversíveis e vai alterando o DNA das células, mesmo que você não perceba. E são essas alterações que podem levar ao aparecimento de câncer.

O melanoma, tipo mais letal de tumor maligno de pele, tem crescido nas últimas três décadas e pesquisadores dos EUA acreditam que a doença deve atingir 60 mil americanos até o final de 2007.

E mais: mesmo entre os 32% que utilizam filtro solar, a preferência recai sobre produtos com fator baixo de proteção, ou FPS 8, que não protege como deveria.

“O mínimo recomendado para pessoas com pele moreno-clara e cabelos escuros é o FPS 15, enquanto loiras e ruivas branquinhas devem usar o FPS 30”, explica a dermatologista paulistana Glícia Icae Rodante, da Sociedade Brasileira de Laser.

O PRODUTO IDEAL TEM FPS ACIMA DE 15 E CONSEGUE BLOQUEAR OS DOIS TIPOS DE RAIOS ULTRAVIOLETA NOCIVOS À SAÚDE DA PELE, O UVA E O UVB. MESMO ASSIM, NENHUM DELES ATÉ O MOMENTO É CAPAZ DE GARANTIR 100% DE SEGURANÇA

Já há muitos produtos com FPS 60. Mas, mesmo o FPS 100, que é o índice mais alto disponível no mercado, não chega a proteger completamente. “A proteção não é proporcional: no FPS 30 em torno de 96,7%, no FPS 40 atinge 97,5% e no FPS 100 alcança 99%, mas nenhum protege 100%”, garante Glícia.

Mas os produtos do mercado nos oferecem segurança dentro desses percentuais? Sim, desde que protejam contra os raios UVB e UVA e sejam usados corretamente — isso significa aplicar o filtro 30 minutos antes da exposição solar, reaplicar a cada duas horas, após cada mergulho ou caso você transpire muito.

PPD: guarde esta sigla
O uso de filtro solar na fórmula dos bronzeadores passou a ser obrigatório no Brasil em 1983, mas desde o seu surgimento nos Estados Unidos, em 1962, eles só protegiam contra os raios UVB. Acreditava-se que esses raios os mais perigosos por provocarem queimaduras.

Os raios UVA, de intensidade constante durante todo o dia (os UVB são mais ativos entre 10 e 16 horas), eram considerados inofensivos. “Até que novos estudos demonstraram que o UVA não é um raio bonzinho”, observa a dermatologista Mônica Carvalho, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e médica voluntária do ambulatório de Dermatoscopia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

AS CRIANÇAS E O SOL
Os cuidados precisam ser redobrados no caso dos pequenos. A garotada é capaz de brincar o dia todo fora de casa e deve usar protetor sempre que exposta ao sol — e não apenas na praia ou na piscina. “A falta de proteção nos primeiros 20 anos de vida é a que vai causar danos na idade madura”, explica a dermatologista Mônica Carvalho, da Unifesp.

Até seis meses de idade, o bebê precisa de filtro solar físico no corpo todo. Já o químico, só quando tiver mais de seis meses. “O motivo é a alergia: o filtro UVA pode desencadear fotossensibilidade na pele fininha do bebê e necessita de maior proteção — garantida pelo protetor físico, com menos contra-indicações”, esclarece a médica Glícia Icae. Dica importante para os pais: deixar o filho embaixo do guardasol ou dentro d’água não funciona. “A radiação atravessa o tecido e a água e a areia reagem como amplificadores. Por exemplo, a água aumenta a reflexão do raio solar em 5%, e a areia, em 25%”, adverte Glícia.

Nem em local com neve é possível relaxar: o gelo amplifica a radiação solar em 35%!

AINDA NÃO HÁ CONSENSO PARA CLASSIFICAR A PROTEÇÃO CONTRA O UVA. MAS ELE DEVE ATINGIR AO MENOS UM TERÇO DO FPS DO UVB

“Além de ser o principal responsável pelo envelhecimento precoce, o UVA causa mutação no DNA das células e pode levar ao câncer. Também é uma das causas de manchas e de alergia ao sol”, explica Mônica.

Essas descobertas provocaram uma revolução na indústria de protetores solares, uma vez que a proteção contra o UVA passou a ser exigida. E surgiu a polêmica: enquanto a medida padrão para classificar filtros UVB é o FPS, não há consenso para classificar a proteção contra o UVA. As duas mais utilizadas são o PPD (“Persistent Pigment Darkening”) e a porcentagem, mas nem todos os filtros trazem essa informação na embalagem e, quando ela consta, as medidas variam.

Como acontece na União Européia, a Food and Drugs Administration (FDA) — agência que regulamenta remédios e alimentos nos EUA — propôs constar que os níveis de proteção sejam representados por estrelas: uma estrela é uma proteção mínima contra os raios UVA; duas estrelas, proteção média; três, alta proteção; quatro, proteção máxima. Assim, o produto em que não constar uma estrela, no mínimo, a FDA sugere que o fabrincante avise na embalagem que “não há proteção contra UVA”.

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