Viva Saúde
Edição 53 - Setembro/2007
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  Seu coração novinho outra vez
A fila do transplante pode diminuir. Estudo brasileiro mostra que células do próprio paciente são capazes de renovar o órgão mais importante do corpo

POR SUCENA SHKRADA RESK/ ILUSTRAÇÃO MG STUDIO

"Quando descobri que meu coração estava dilatado, dormia sentada, respirava mal e não conseguia trabalhar. Cheguei a tomar 22 medicamentos. Hoje, são seis. Espero que esse estudo dê certo ou a minha única alternativa será o transplante."

A artesã carioca Helena Ferreira Viana, 49 anos, autora do desabafo acima, faz parte de um grupo de 400 pessoas que, desde 2005, participa da única pesquisa de abrangência nacional com o objetivo de avaliar a eficácia do uso de células-tronco do próprio paciente em áreas comprometidas do coração. É verdade que a artesã, como os demais voluntários, não sabe se integra o time que está em tratamento com a terapia celular ou se usa placebo (substância inócua). Mas isso pouco importa neste momento. Só de fazer parte da pesquisa que tem nome complicado - Estudo Multicêntrico Randomizado Duplo- Cego de Terapia Celular em Cardiopatias - Helena consegue enxergar uma alternativa ao transplante. E se sente feliz só por isso. Com investimentos de R$ 15 milhões (dinheiro dos Ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia), a pesquisa, que deve terminar em 2008, tem coordenação geral do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), no Rio de Janeiro, e engloba pessoas com problemas crônicos no coração, como doença de Chagas, e mais três cardiopatias.

O nome assusta à primeira vista, mas o estudo não é difícil de entender. A palavra multicêntrico, por exemplo, significa que a pesquisa é desenvolvida em vários centros pelo país para permitir que os dados ao final sejam comparados. O termo randomizado quer dizer aleatório (os pacientes crônicos são escolhidos ao acaso, a partir de um banco de dados de casos graves). Metade deles recebe células-tronco de sua própria medula óssea, enquanto a outra, placebo (substância sem efeito terapêutico). E é duplo-cego porque médicos e pacientes desconhecem quem está sob a ação das células ou do produto inócuo. O cardiologista Fábio Vilas-Boas Pinto explica que pesquisas preliminares com terapia celular apontaram a melhoria da função cardíaca em portadores da doença de Chagas. Vale lembrar que esse é um problema que afeta 5 milhões de pessoas e causa a morte de 50 mil a cada ano. Como ainda não há tratamento eficaz, a melhor opção para essas pessoas acaba sendo o transplante.

CORAÇÃO QUE NÃO BOMBEIA O SANGUE Distúrbio conhecido como cardiopatia isquêmica, é causado pela falta de oxigênio nos tecidos do órgão - afetando os músculos cardíacos e prejudicando o fluxo do sangue. ÓRGÃO DILATADO Chamada cardiomiopatia dilatada, essa doença é uma desordem crônica. O músculo cardíaco se dilata, causando insuficiência cardíaca porque o órgão não consegue bombear o sangue corretamente.
COM CHAGAS É o órgão afetado de forma crônica pela doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi - protozoário liberado após a picada do inseto barbeiro. A doença se caracteriza por um processo inflamatório que destrói o miocárdio (a parte média da parede do coração) e gera insuficiência cardíaca. OS INFARTADOS O Infarto agudo do miocárdio, como preferem os médicos, é decorrente da redução da quantidade de sangue em parte do músculo cardíaco. Acontece quando uma artéria coronária (que nutre o coração) é obstruída pelo excesso de gordura na alimentação, por exemplo.

 

Ainda não cura
Editor dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e responsável pelo grupo na Bahia de pacientes com Chagas que faz parte do novo estudo, Vilas-Boas Pinto esclarece que o tratamento tem caráter regenerativo. Acredita-se que, nos pacientes tratados, as célulastronco seriam atraídas para as áreas lesionadas do coração. Chegando lá, o recuperariam. Hans Dohmann, diretor do Instituto Nacional de Cardiologia, concorda e vai além. Esclarece que a terapia celular não pode ser encarada como um método de cura, porque as doenças sofrem influências externas.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.