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Azeite, a gordura do bem Queridinho dos países banhados pelo mar Mediterrâneo, o óleo extraído das azeitonas é poderoso. Tanto que deve elevar a dieta desses povos à condição de patrimônio da humanidade. Conheça mais sobre este alimento
POR KATIA CARDOSO E SUCENA SHKRADA RESK
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| Acredite, os espanhóis — que foram os primeiros a testar seus benefícios — são tão apaixonados por ele que não é incomum, por lá, adicioná-lo às receitas doces. Tanto que é fácil encontrar cocadas e bolos de frutas, por exemplo, com esse ingrediente |
Sua importância para a saúde do corpo está mais do que comprovada. Centenas de pesquisas realizadas ao longo dos últimos anos constataram que o azeite de oliva faz bem, sim, ao coração. Nada que espanhóis, gregos e portugueses não saibam na prática há séculos. Prova disso é que a Espanha lançou uma campanha, junto à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), para transformar a Dieta do Mediterrâneo (conjunto de alimentos, incluindo o azeite, que faz parte do cardápio desse povo) em patrimônio cultural da humanidade.
Entre os benefícios atribuídos ao produto e atestados até pela Organização Mundial de Saúde (OMS), estão abaixar o colesterol e controlar o diabetes. O óleo também está associado ao menor risco de derrame, de doenças cardíacas, de câncer de mama e de pulmão e de alguns tipos de demência. Segundo Josefina Bressan, nutricionista e professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, a principal vantagem do alimento é o fato de combater o LDL (colesterol ruim) e aumentar o HDL (colesterol bom). “Essa ação se deve, em grande parte, ao ácido oléico, que representa 80% do azeite.”
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Para usar e abusar dos benefícios desse óleo, primeiro é preciso conhecer suas características e depois combiná-lo com legumes e verduras |
Poucos alimentos têm essa propriedade. Entre eles, estão as nozes, castanhas e amêndoas. “Apesar de ser calórico, o azeite é mais saudável e pode substituir os demais óleos na culinária — como o de soja e o de girassol, na preparação dos pratos. A quantidade suficiente para uma pessoa, no almoço e jantar, é de até seis colheres de sopa”, recomenda Bressan. Ela teve a oportunidade de aproveitar a Dieta do Mediterrâneo, quando viveu na Espanha e constatou que o uso do óleo de oliva é predominante nos hábitos adotados pela população do país. “Eles falam: use gordura à vontade, desde que seja da boa”, conta.
Acompanhado é ainda melhor
A nutricionista destaca que a eficácia do cardápio dos espanhóis se deve ao conjunto. Afinal, eles comem peixes de água fria, como salmão, bacalhau e truta, além de leguminosas e frutas. E fazem pratos fundos, com feijão, lentilha ou grãode- bico. “Tomam até 150 ml de vinho tinto nas refeições e dificilmente misturam arroz, que deixam para outro dia, para consumir como risoto, por exemplo”. Raquel Botelho, professora de Nutrição da Universidade de Brasília (UNB), concorda que o sucesso desse ingrediente na Dieta do Mediterrâneo é realmente sua associação com outros alimentos.
“No cardápio de espanhóis, gregos e portugueses, não faltam legumes e vegetais. Com isso, as fibras ajudam o organismo a ter a sensação de saciedade e há um movimento mais rápido dos alimentos ao intestino”, diz. “Estudos científicos comprovaram a eficiência do azeite também em relação ao diabetes, porque ajuda a melhorar o funcionamento do pâncreas, que tem o papel de produzir insulina para diminuir a quantidade de glicose no organismo”, explica Raquel. Ela alerta que o segredo está em consumi-lo moderadamente, pois é calórico.
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