 |
PERDEU A CADERNETA DE VACINAÇÃO?
SE VOCÊ VIVE NA MESMA CIDADE E SABE EXATAMENTE QUAL O POSTO DE VACINAÇÃO QUE FREQÜENTAVA NA INFÂNCIA, PEÇA UMA CÓPIA DO DOCUMENTO (O LOCAL É OBRIGADO A GUARDAR O HISTÓRICO). SE NÃO CONSEGUIR, ORIENTE-SE PELO QUADRO NA PRÓXIMA PÁGINA. |
É coisa de criança. Esse é o primeiro pensamento que vem à mente quando se fala em vacinação. Mas sinto informar que isso é papo de adulto também. Embora a maior parte das vacinas seja indicada para os primeiros anos de vida - quando os pequenos precisam reforçar as defesas do organismo e prepará-lo para enfrentar os vírus e bactérias à solta -, existem as que não podem faltar na programação de quem deseja manter a saúde na maioridade.
Vacinas contra as hepatites (A e B), pneumonia (antipneumocócica) e meningite (antimeningocócia C conjugada), só para citar três, são assunto sério. Quer uma prova? Você sabe o que pode ocorrer com alguém que contraiu o vírus da hepatite B, por exemplo? A doença - que é sexualmente transmissível e 20 vezes mais contagiosa do que a aids - não tem cura e pode evoluir para a forma crônica, levando à cirrose ou ao câncer.
CADA CASO, UMA RECOMENDAÇÃO
Há pessoas que não podem ser vacinadas sem orientação médica - a exemplo de quem tem diabetes, problemas cardiovasculares e pulmonares (incluindo asma grave), aids, doenças renais, síndrome de Down ou foram transplantadas, entre outras. Em geral, o organismo delas apresenta algum tipo de defi ciência ou problema crônico. Para esses pacientes, foi criado o Centro de Referência em Imunológicos Especiais (Crie). Com 38 unidades em todo o país (veja endereços no site de Viva Saúde), o Crie oferece atendimento personalizado e gratuito.
Basta que o médico faça um pedido por escrito e o encaminhe para a unidade mais próxima de sua casa, com um breve histórico de seu estado de saúde. Os especialistas da instituição analisam cada caso, para só então indicar as vacinas adequadas. |
O mesmo alerta de perigo vale para as doenças infantis, como catapora, rubéola e sarampo. Segundo o professor Edimilson Migowski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), inofensivas à primeira vista, elas podem derrubar adultos e leválos à morte, "caso nunca tenham tido contato com o vírus, explica."
Proteção real
Muito adulto deixa de se vacinar porque acredita ter saúde de ferro ou porque nunca contraiu qualquer uma dessas doenças - mesmo sem ter se vacinado quando pequeno. Na verdade, isso acontece porque, como as pessoas que vivem na sua região foram imunizadas, a circulação de um vírus ou bactéria diminui e, conseqüentemente, cai a incidência da doença. Foi esse princípio que norteou as ações do governo do Rio de Janeiro durante os Jogos Pan-Americanos de 2007. A cidade realizou uma ampla campanha de vacinação para impedir que a população e os visitantes que prestigiaram o evento contraíssem rubéola.
Foi graças a campanhas anteriores, que mobilizaram o país, que muitas doenças saíram de cena. A poliomielite, por exemplo, não é registrada desde 1989, enquanto a varíola foi considerada erradicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1980. Casos esporádicos volta e meia surgem, só que não assustam mais. Nem representam perigo.
Medo de quê?
Portanto, não vale arranjar desculpas ou fugir da raia. Nem dizer que se tomar a vacina, aí sim, vai contrair a doença. Esse tipo de pretexto é muito comum, principalmente, entre pes soas que se imunizaram contra a gripe, mas fi caram doentes logo em seguida. "Pega-se um resfriado, que é confundido com gripe", afi rma Andréa Torres, pediatra e infectologista da divisão de imunização da Secretaria de Estado da Saúde, de São Paulo.
As duas doenças são bem diferentes e geram muita confusão. A gripe está associada a quatro tipos de vírus e produz sintomas intensos. No caso do resfriado, são mais de 100 tipos e os sintomas, mais leves.
Os médicos explicam que a chance de se contrair uma gripe é nula ao se imunizar, pois o vírus na vacina está morto ou foi modifi cado. Eles sabem disso desde o século passado. Na verdade, a primeira vacina que surgiu no mundo foi desenvolvida pelo médico inglês Edward Jenner, no século XVIII, e foi contra a varíola. No Brasil, elas só começaram a ser fabricadas em 1901, pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Na época, os pesquisadores tinham conhecimento de que o microrganismo que causava a doença também poderia curar o corpo. Mas, para isso, precisava ter seu poder de ação atenuado. Hoje, além de imunizar, as vacinas quase não causam mal-estar. Exceções existem, claro.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>