Viva Saúde
Edição 52 - Agosto/2007
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  Fiz cirurgia bariátrica. E agora?
A fila do SUS para reduzir o estômago ficou mais rápida. E a procura pela cirurgia é feita tanto por adolescentes quanto por idosos. Infelizmente, muita gente desconhece todas as dificuldades que vêm depois da cicatriz e nem está preparada para enfrentá-las

POR INÊS PEREIRA

FOTO: STEVEN PUETZER / MASTERFILEDa noite para o dia, você passa a viver, literalmente, com o estômago apertado. A fome é mínima, ainda que não tenha ingerido nada e aquele prato bem servido, fumegante e aromático, que antes despertava os sentidos, já não seduz. Um copo de suco geladinho? Só se for meio pensando melhor, fica para a próxima.

Apetite reduzido, exames periódicos, intolerância a certos alimentos, anemia profunda, uso de complexos vitamínicos... No diário dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, de redução do estômago, anotações dessa natureza são bastante comuns, sempre com relatos de uma fase de adaptação bem difícil.

Para as pessoas que necessitam da intervenção, e que até chegar à mesa de cirurgia percorreram um caminho de sofrimento, com risco iminente de complicações por conta do excesso de peso, todo esforço parece ser compensado com a nova imagem frente ao espelho.

Afinal, além de uma silhueta mais enxuta, este paciente ficará livre dos males associados à obesidade, como hipertensão, diabetes, altos níveis de colesterol, doenças articulares, cardíacas e respiratórias... Certo? Não é bem assim. A cirurgia é radical e provoca mudanças físicas e emocionais profundas que geralmente passam despercebidas diante da ânsia de emagrecer e mudar de vida.

Pior ainda se o problema com a imagem diz respeito única e exclusivamente à estética e se o IMC (Índice de Massa Corpórea, o peso por metro quadrado do corpo de uma pessoa) não atinge as faixas correspondentes à obesidade mórbida. Neste caso, recorrer ao método invasivo é questionável, mesmo que você não agüente mais fazer dieta e que a tentação seja grande: os convênios hoje cobrem a intervenção e o Ministério da Saúde ampliou para R$ 13 milhões o investimento em cirurgias bariátricas e tratamentos pré e pós-operatórios (como acompanhamento psicológico)

 

“O COMEÇO FOI BEM COMPLICADO. SENTIA MUITA SEDE, MAS SÓ PODIA TOMAR UM COPINHO DE ÁGUA DE 20 ML, OU SEJA, TRÊS GOLES. Demorei bastante tempo para decidir me operar. Tinha medo de ir para a mesa e correr todos os riscos de uma cirurgia. Mas a minha saúde já estava comprometida por causa da obesidade. Mesmo jovem, tinha problemas respiratórios, dores no joelho, pressão e colesterol altos, e era forte candidato ao diabetes. Como fui gordo desde os seis anos de idade, passei a vida fazendo dieta e nada impediu que eu engordasse cada vez mais. A cirurgia foi colocada pelo médico como a última opção, e, em 2005, acabei aceitando. Tive que reaprender a comer — pouco, várias vezes ao dia e, principalmente, lentamente. Eu era um compulsivo alimentar. Hoje, para mim, o limite é o estômago. Muita coisa mudou na minha vida. Em todo esse processo, fazer terapia, antes e depois da operação, foi muito importante.”

Alexandre Torchio Dias, biomédico, 27 anos.
Peso antes: 134 kg.
Peso depois: 68 kg.
Técnica: Capella.

   

Alguns tipos de cirurgia
A indicação varia de acordo com o perfil e as condições clínicas dos pacientes:

CIRURGIA DE CAPELLA OU GASTROPLASTIA: a técnica mais utilizada no mundo. Reduz o estômago e conecta-o ao intestino, diminuindo o volume gástrico para 30 ml.
MARCAPASSO GÁSTRICO: um aparelho colocado no estômago, semelhante ao marcapasso utilizado para o coração. O equipamento é conectado a uma bateria que fica sob a pele e emite estímulos elétricos (não dolorosos) que dão a sensação de saciedade.
BANDA GÁSTRICA AJUSTÁVEL: um anel de silicone é colocado na parte superior do estômago para controlar a passagem dos alimentos.
OPERAÇÃO DE SCOPINARO OU DERIVAÇÃO BILEOPANCREÁTICA: retira-se mais da metade do estômago e, em seguida, é feito um desvio no intestino para provocar a má absorção dos alimentos.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.