O câncer não é uma doença única. É um conjunto de 800 tipos diferentes. E, dependendo dos tecidos e órgãos do corpo humano onde se desenvolve, tem distintos comportamentos biológicos e clínicos — o que vai exigir, portanto, abordagens diferenciadas em relação à prevenção, detecção precoce e tratamentos indicados.
Uma das principais características da doença é a transformação de uma célula normal em cancerosa. Esse processo se inicia com uma alteração nos genes que regulam o mecanismo de multiplicação das células.Essa mudança pode ser herdada ou decorrer de agressões causadas por exposição a fatores externos, como tabaco, álcool e radiação solar, entre outros. Se o organismo não tiver capacidade de reparar esse dano, as estruturas modificadas passam a se dividir desordenadamente, quase sempre sem controle e de modo degenerativo.
E as novas células formadas — cujos genes passam a fornecer instruções erradas para as suas atividades —, em geral muito agressivas, ocupam uma ou mais regiões do organismo e, quando se reproduzem rapidamente, determinam a formação de tumores, perda de função dos órgãos onde estão crescendo e, posteriormente, metástases em outras partes do corpo.
É importante dizer que nem sempre o tumor é câncer. Ou seja, nem todo tipo de tumor tem esse mecanismo de formação. Geralmente, o benigno aparece como uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente, se assemelham ao seu tecido original e raramente representam um risco de morte.
As causas do câncer, ao contrário, são variadas, embora haja sempre um fator genético por trás da doença — o que significa que está ligada à maior ou à menor capacidade do organismo de se defender das agressões externas. No entanto, calcula-se que apenas 10% dos tumores são determinados pela hereditariedade.
Na prática, o que os cientistas constataram é que a maioria dos casos de câncer maligno (entre 80% e 90%) tem relação com o meio ambiente e os hábitos de vida. São aquelas situações em que, mesmo sem predisposição, a pessoa desenvolve um tumor ao se expor a agentes cancerígenos, como o cigarro, radiação química, sol, bebidas alcoólicas, gordura animal, entre outros (veja o boxe ao lado). Por exemplo, o risco do surgimento do câncer de pele é diretamente proporcional ao tempo e à intensidade de exposição aos raios solares sem a proteção dos filtros.
A incidência de câncer também é maior em pessoas mais velhas. É que, com a idade, as células têm diminuída a capacidade de se recuperar dos danos causados por fatores de risco externos — o que aumenta a suscetibilidade à transformação maligna. Além disso, os idosos ficam mais tempo expostos aos agentes causadores da doença, que têm mais facilidade de alterar as estruturas genéticas das células e provocar a indesejada multiplicação desordenada.
Confira a seguir os tipos de câncer mais comuns no Brasil, aprenda a identificá-los e veja como é possível prevenir ou mesmo tratá-los.
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