De repente, o mundo começa a girar. Você perde o equilíbrio, enjoa, transpira muito e sente um tremendo mal-estar. Foi isso o que aconteceu recentemente com a jornalista Fátima Bernardes durante a apresentação do Jornal Nacional. Ela teve uma crise labiríntica, ou labirintite, como é popularmente conhecida. A doença é causada por uma alteração na parte interna do ouvido, mais especificamente na região conhecida como labirinto.
Para entender tintim por tintim o que acontece, é preciso primeiro conhecer a anatomia do ouvido interno. Ele é formado pelo vestíbulo e pela cóclea, estruturas responsáveis, respectivamente, pelo equilíbrio e pela audição — juntos, formam o labirinto (veja o infográfico, na página ao lado). As células que existem nessa região se comunicam com o sistema nervoso central.
Quando são atingidas por qualquer infecção — que pode ser causada por vírus, bactérias e até pela in gestão de antiinflamatórios sem orientação médica —, elas emitem in - formações distorcidas para o cérebro. A reação a esses sinais do labirinto doente vem na forma de tontura, causando uma falsa sensação de que a própria pessoa ou as coisas à sua volta estão rodando.
As crises mais fortes podem ser acompanhadas de enjôos, vômitos, suor, palidez e desmaios. Sem falar que a inflamação gera um tremendo zumbido no ouvido. “Nos casos mais graves há perda de memória, dificuldade de concentração, fadiga física e mental, além do comprometimento da audição”, revela Arnaldo Guilherme, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
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| O labirinto é formado por células que se comunicam com o sistema nervoso central. A região, responsável pelo equilíbrio e a audição, é tão sensível que qualquer alteração no organismo pode irritá-lo e gerar impulsos desordenados para o cérebro. A resposta vem na forma de vertigem, náusea, zumbido e até falhas auditivas |
Mal da vida moderna
Antes comum apenas entre os idosos, a doença está atingindo cada vez mais jovens. Pesquisa realizada na Unifesp mostra que a vertigem, o principal sintoma da labirintite, é a sétima queixa entre as mulheres e a quarta entre os homens. Acomete 33% das pessoas em alguma época da vida. Na terceira idade, os casos são ainda mais freqüentes, atingindo 65% dos maiores de 65 anos.
Esse aumento de casos, atualmente, ocorre parte por culpa da vida moderna que, com a agita ção das grandes cidades, impõe o hábito de uma alimentação incorreta e gera muita tensão. O labirinto é uma região muito sensível e acaba sendo afetado por pequenas mudanças no metabolismo, por problemas que acometem outras partes do corpo e até pelo estado psíquico da pessoa.
Segundo Raquel Mezzalira, otorrinolaringologista e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma simples otite (inflamação no ouvido), assim como complicações decorrentes de meningite e herpes zoster, só para citar alguns exemplos, afetam o seu equilíbrio e podem detonar a labirintite. Por isso, os médicos têm dificuldades na hora de fazer o diagnóstico. A vertigem pode aparecer antes mesmo da crise de labirintite começar.
O paciente chega ao consultório se queixando de vertigem, sem apresentar um quadro específico de labirintite. “Hipertensão, diabetes, traumatismos, problemas na coluna cervical, alterações da tireói de, aterosclerose, estresse crônico e hábitos de vida — como tomar muito café, beber álcool, usar drogas ou fumar — podem levar à doença”, explica o médico Arnaldo Guilherme, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Por isso, as causas da vertigem são tratadas primeiro para depois o médico se ocupar do ouvido.
“Se a causa da descompensação do labirinto for uma anemia, deve ser tratada antes para resolver a tontura do paciente”, explica a otorrinolaringologista Sônia Gonçalves Milléo, diretora do Instituto de Pesquisa Aplicada em Medicina, do Paraná.
O tratamento varia conforme a causa da vertigem. Há casos em que o paciente toma remédios, de vasodi la tadores até antidepressivos. Outras situações exigem reabilitação por meio de exercícios, uma espécie de fisioterapia para restabelecer o equilíbrio.
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