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Edição 52 - Agosto/2007
 
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  Loucos por um docinho
O desejo por açúcar não é apenas uma questão de paladar. Essa vontade, quase incontrolável em algumas pessoas, parte mesmo é do cérebro - e não do estômago

POR SÍLVIA REGINA

"Faria qualquer coisa por um docinho..." Quantas vezes, você não ouviu ou falou essa frase? Para muita gente, comer uma guloseima açucarada transmite a imediata sensação de bem-estar e euforia. Segundo o psicólogo Alexandre Azevedo, coordenador do Grupo de Estudos em Comer Compulsivo e Obesidade (Grecco), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, há muitos fatores que explicam essa busca desesperada pelos doces. A maioria, não se espante, tem a ver com a sua fisiologia e com um comando do cérebro. É... dele mesmo - o senhor das nossas vontades nesse caso.

"Quando submetida a um período de jejum prolongado, qualquer pes soa busca alimentação rápida e reposição de energia. Os doces são campeões nesse quesito", afirma o psicólogo. Outra razão que vem ganhando força entre os especialistas é a ação dos neurotransmissores (substâncias produzidas no cérebro e que favorecem a comunicação entre os neurônios). Eles trabalham a todo vapor quando ingerimos açúcar. Esse aporte faz com que o organismo produza insulina. Uma parte desse hormônio vai ajudar o grupo dos aminoácidos a levar energia para os músculos.

Outros, como o triptofano, tomam caminho diferente. "Aumentam a concentração de serotonina - a grande responsável pela sensação de bemestar", diz o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). Quando os níveis dela baixam, o cérebro manda um alerta, desencadeando a vontade de comer doces. Há ainda uma corrente de pesquisadores que atrela a vontade exagerada de comer açúcar ao período em que estivemos dentro do útero, na gestação. "Nessa fase, o bebê está envolvido pelo líquido amniótico, que é doce. Então, ele já nasce com a necessidade por esse sabor", afirma o nutrólogo.

Depois do nascimento, esse paladar é reativado com as mamadeiras adoçadas. Um pouco mais tarde, ganhar doces passa a ser sinônimo de recompensa. Na fase adulta, quando a pessoa sente falta de afeto ou está triste vai buscar a compensação justamente no bolo ou no pudim. É por isso que muita gente não abre mão de sua porção diária. "Há pessoas que se condicionaram a comer doce todos os dias. Quando não tem nada parecido por perto ficam irritadas, ansiosas e até deprimidas", afirma a endocrinologista Claudia Cozer, diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Os especialistas acreditam que a queda na produção da serotonina aciona a compulsão por doces

Nos casos mais desesperadores, loucuras são cometidas, como sair durante a madrugada para comprar balas, largar uma reunião de trabalho no meio e até mesmo se deliciar com açúcar puro. "Pesquisa realizada em 2002 pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo mostrou que, na hora do desespero, há quem coma até um quilo de chocolate de uma só vez", alerta Claudia Cozer. No entanto, no dia seguinte, além do mal-estar físico, a pessoa sente uma tremenda culpa pelo excesso cometido.

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