Viva Saúde
Edição 52 - Agosto/2007
 
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sete perguntas para um especialista
  Vasinhos: arme-se contra eles
O problema atinge 80% das mulheres e surge por razões como a predisposição genética, gravidez, obesidade e sedentarismo. A boa notícia é que não são sinal de doença séria e podem ser facilmente tratados

POR ROSANA FARIA DE FREITAS

O QUE SÃO?
Eles surgem quando vasos muito finos, localizados na parte mais superficial da pele, são submetidos a alguma pressão e suas paredes se dilatam. Desse processo resultam ramos avermelhados ou arroxeados. Como têm a espessura de um fio de cabelo — portanto, a parede deles é praticamente transparente de tão fina —, a cor que vemos sob a pele é a do sangue que ficou retido ali. Os vasinhos, conhecidos também como telangiectasias, costumam aparecer em diferentes locais do corpo (face, colo, seios, abdômen, costas, pernas e pés), mas não interferem na circulação sangüínea nem causam problemas mais sérios de saúde. O principal desconforto é mesmo estético.

O QUE PROVOCA SEU APARECIMENTO?
Os vasinhos, microvarizes e varizes são problemas hereditários. Estudos mostram, aliás, que, em relação às varizes, a predisposição genética é uma das principais causas, sendo responsável por 80% dos casos. Mas os vasinhos podem aparecer também por vários outros motivos. Dentre eles, os principais são: problemas hormonais, como excesso de progesterona (este hormônio feminino favorece a dilatação do sistema vascular), gravidez (o crescimento do útero eleva a pressão sobre as veias das pernas), pílula anticoncepcional (elas contêm progesterona sintética, que prejudica os vasos), obesidade (estar acima do peso exige um esforço extra dos membros inferiores, que ficam sobrecarregados), tabagismo (o cigarro deixa as paredes das veias mais frágeis) e vida sedentária (a falta de atividade física atrapalha a circulação sangüínea). E mais: o uso constante de sapatos com saltos muito altos e atividades que obriguem a pessoa a ficar longos períodos de pé ou sentada.

QUEM TEM MAIS PROPENSÃO A DESENVOLVER O PROBLEMA?
Por questões hormonais, as mulheres estão mais sujeitas a ter vasinhos — em uma proporção de cinco para cada homem afetado. Segundo estudos, a partir dos 50 anos, o problema é comum em 80% delas.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE OS VASINHOS, AS MICROVARIZES E AS VARIZES?
Primeiro, o calibre deles. Os vasos medem entre 0,1 mm e 1 mm de diâmetro, as microvarizes, de 1,1 mm a 3 mm, enquanto as varizes têm mais de 3 mm. As microvarizes, de cor azul ou azul-esverdeada, e as varizes, azuladas, surgem especialmente nas pernas e pés e podem causar dores, trombose ou feridas de difícil cicatrização. Mais graves que os vasinhos, são causadas por problemas circulatórios. É fácil entender esse mecanismo. O sangue desce pelas artérias e retorna ao coração pelas veias, acionado pela contração dos músculos. Para driblar a força da gravidade, há dentro dos vasos pequenas válvulas que se abrem para o sangue passar e se fecham para impedir que retorne. Se acontecer algum problema nesse trajeto, as válvulas não trabalham com eficiência e o sangue se acumula no local, dilatando as veias e fazendo surgir as varizes.

QUANDO OS VASINHOS COMEÇAM A PREOCUPAR?
Na maior parte das vezes, dá para conviver pacificamente com eles. Afinal, são indolores, não causam outros problemas nem são sinal de qualquer complicação de saúde. Em casos esporádicos, podem surgir ondulações azuladas, principalmente nos tornozelos e pés — um local que favorece o atrito com calçados. Essas pequenas veias podem se romper, provocar sangramentos ou mesmo feridas que demoram para cicatrizar. Se acontecer, é bom conversar com um especialista para escolher o tratamento mais indicado. Além disso, a mulher que realmente estiver se sentindo incomodada com sua aparência, deve procurar seu médico.

O VASINHO VOLTA DEPOIS DO TRATAMENTO?
Vasinhos, microvarizes e varizes são problemas crônicos que provocam a dilatação das veias. Todos os métodos usados tratam essas veias definitivamente. Porém, a hereditariedade e os outros fatores que desencadeiam o problema podem fazer com que o quadro se repita, mas sempre em outros vasos.

QUAIS SÃO OS TRATAMENTOS MAIS EFICIENTES?
Para os localizados em áreas como face, colo, seios, abdômen e costas, o único tratamento é o raio laser. Funciona da seguinte forma: um aparelho emite flashes intensos de luz sobre a região afetada que atravessam a pele e atingem os vasos superficiais a uma temperatura suficiente para queimá-los e destruí-los. Há uma certa ardência na hora, mas não ficam manchas ou hematomas. Já os vasinhos que estão localizados em outras regiões devem ser combatidos com uma associação de laser e crioesclerose ou laser e esclerose com “espuma”. O primeiro método consiste na aplicação, por injeção, de um produto em baixa temperatura que irrita e lesiona a parede interna do vaso, secando-o. Já a esclerose com “espuma” se parece com a técnica anterior, com a diferença de que o produto injetado é misturado ao ar, formando uma espuma densa. Além de irritar a parede da veia, essa “espuma” coagula o sangue que, posteriormente, é absorvido pelo organismo.

 
Ary Elwing, especialista em angiologia e cirurgia vascular periférica, é médico dos hospitais Albert Einstein e São Luiz, em São Paul
   


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