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Edição 52 - Agosto/2007
 
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  De bem com o Parkinson
A doença ainda não tem cura, mas a ciência tem progredido para, por meio de terapias alternativas, recuperar movimentos e proporcionar qualidade de vida aos pacientes

POR JOSIANE GREGÓRIO

FOTO: SÍMBOLO IMAGENSUm procedimento novo e com resultados compensadores tem sido usado em São José do Rio Preto, região do interior de São Paulo, para estimular portadores de doenças como o mal de Parkinson. Conhecida como reabilitação em multimídia, usa programas simples de computador — Word, Excel e Power Point — para estimular a concentração e a coordenação motora. “Aplicamos uma seqüência de atividades, como fazer um traçado ou um desenho”, diz a técnica em reabilitação Luciana Depieri Freire, responsável pela aplicação dos exercícios. “O paciente mexe com o mouse e o teclado, desenvolvendo a habilidade manual.”

O QUE É?
  Uma doença crônica que provoca a degeneração de áreas do sistema nervoso central. Foi descrita pela primeira vez pelo médico James Parkinson, no século XIX. Ela se caracteriza pelo déficit de uma substância neurotransmissora que permite a condução nervosa — a dopamina. Essa substância é a responsável pela transmissão dos impulsos elétricos que tornam os movimentos e os gestos suaves, precisos. Sem a dopamina ou com pouca quantidade dela, esses impulsos não chegam aos músculos. A doença afeta diretamente a atividade motora do paciente, causando tremor e rigidez. Normalmente, as primeiras manifestações são unilaterais — devido à assimetria com que ocorre a degeneração do cérebro. Afeta os membros superiores de um lado, para depois atingir os membros inferiores. Na sequência, passam para o outro lado. Na terceira fase, afetam o equilíbrio.
   

Essa é apenas uma das novidades que a ciência tem colocado ao alcance dos pacientes que desenvolveram a doença. Como o Parkinson ainda não tem cura e ataca diretamente os movimentos, causando tremores, lentidão, rigidez muscular, alterações na fala e na escrita, os tratamentos que são realizados visam melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Não combatem o mal, mas minimizam seus efeitos e, em alguns casos, até impedem o progresso da doença.

É por isso que as terapias, antes consideradas alternativas, como a acu pun - tura, também têm conseguido resultados bastante satisfatórios. “Se estiver na fase inicial, essas técnicas suavizam os sintomas e até retardam sua evolução”, afirma o médico Ysao Yamamura, chefe do Setor de Medicina Chinesa e Acupuntura da Disciplina de Fisiatria da Unifesp (SP).

Além da parte motora, outras funções são atingidas com freqüência, quando o assunto é Parkinson. Dentre as mais comuns, estão alterações na voz, que atingem de 75% a 92% das pessoas com a doença. O resultado disso é o comprometimento da fala que, conseqüentemente, interfere no convívio familiar, social e profissional — e influencia diretamente a auto-estima do paciente, que acaba até se isolando. Por esses e outros problemas, a fonoaudiologia é um dos recursos usados para minimizar esses efeitos. “O tratamento devolve a capacidade de falar e de deglutir os alimentos, muito comprometidas nesses casos”, confirma a fonoaudióloga Alice Estevo Dias, do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, em São Paulo. O método mais usado nesses casos é o Lee Silverman de Tratamento Vocal (LSTV®). Nada mais são do que exercícios como falar em voz alta as vogais A-E-I-O-U, procurando exagerar nos movimentos dos lábios, bochechas e língua e colocar a ponta da língua nos quatro cantos da boca. Ao todo, são 16 sessões distribuídas em um mês, realizadas quatro vezes por semana.

Outras alternativas
Quando os medicamentos — como a levedopa (o mais comum entre os empregados no tratamento, pois se transforma em dopamina no cérebro e supre, em parte, a ausência desse neurotransmissor) — nem as terapias apresentam resultados, uma opção é a cirurgia. Mas só em casos de rigidez e tremor, cujos resultados pós-intervenção são melhores.

Conhecida como estereotaxia, essa cirurgia consiste em fixar eletrodos no cérebro do paciente. Quando estimulados, esses eletrodos ativam o sistema nervoso central e liberam do pamina. A boa nova é que o procedimento está sendo oferecido, desde março, no Setor de Neurocirurgia do Hospital dos Servidores do Estado (HSE), no Rio de Janeiro, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o chefe do setor de neu rocirurgia desse hospital, José Carlos Lynch, os pacientes que desenvolveram a doença de Parkinson apresentam melhoras visíveis nos tremores após a intervenção — que é contra-indicada caso a pessoa seja idosa ou não tenha condições clínicas de suportar a cirurgia. “E também se a doença já está em estágio avançado, em que os benefícios não serão tão evidentes”, observa Alexandre Amaral, responsável pela seção de neurocirurgia funcional do HSE.

Tratamentos, como fisioterapia e terapia ocupacional, também têm sido considerados tão importantes quanto os medicamentos. Tudo porque me - lhoram a auto-estima do paciente. A fisioterapia, por exemplo, mantém a flexibilidade por meio de exercícios específicos que não deixam os músculos atrofiarem. Já a terapia ocupacional ajuda a pessoa a conviver com as limitações da doença e a superálas nas atividades mais simples e corriqueiras do dia-a-dia — como tomar banho e escovar os dentes.

Como posso desenvolver?
  Não se sabe ao certo qual o mecanismo que deflagra o mal de Parkinson. De certo mesmo, só que a doença pode afetar qualquer pessoa — sem fazer distinção de raça, sexo, cor ou nível social. Os primeiros sintomas começam a surgir por volta dos 50 anos, mas há casos em que aparecem em pessoas mais jovens. Pesquisas mostram que 1% dos adultos com mais de 65 anos desenvolvem a doença — que já esteve associada a hábitos alimentares, como o consumo de carnes. O neurologista Cícero Galli Coimbra, professor do Departamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que o rumo das pesquisas sobre o Parkinson nessa direção foi influenciado por casos médicos registrados na década de 1980, nos Estados Unidos, a partir de uma substância — a metilfeniltetrahidropiridina (MTTP). Essa substância é muito similar, descobriu-se anos depois, às aminas heterocíclicas, que se formam durante o cozimento de carnes (brancas ou vermelhas) e que portadores do mal de Parkinson possuem em grande quantidade no sangue. Galli atribui, porém, a doença mais ao estresse e à depressão do que à dieta. “O sofrimento envelhece o cérebro, e o mal de Parkinson é uma doença de envelhecimento cerebral”, diz.
   


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